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Duda Luizelli diz que lista de Pia não está fechada para Tóquio, fala sobre Kerolin e desenha calendário de 2021.
“Pia é muito justa em todas as convocações”, diz coordenadora de seleções femininas.
Dirigente ainda reforça importância do processo atual de integração entre principal, sub-20 e sub-17.
Os planos de disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados, mas o trabalho não parou.
Desde que assumiu, há cerca de três meses, Duda Luizelli acompanha de perto o trabalho da técnica Pia Sundhage em busca do grupo ideal de 18 jogadoras.
A coordenadora de seleções femininas garante que a lista não está fechada e que será cada vez normal o debate em relação a presença ou não de nomes nas convocações da treinadora.
“Acho que cada vez mais vai acontecer isso devido à qualidade das jogadoras em todas as posições. Eu te diria que a Pia é muito justa nas convocações. Certamente, quem não está sabe que precisa melhorar em alguma coisa. Eu te diria que, no Brasil, a lista não está fechada, e a gente nem enviou nada. Ou seja, eu tenho certeza que o Brasil vai levar as melhores. As 18 melhores atletas que a gente tem”, afirmou Duda Luizelli.
Na última convocação, aliás, um nome chamou atenção.
Suspensa há quase dois anos por doping, Kerolin, promessa da base brasileira, foi convocada.
A dirigente comentou os cuidados da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ao averiguar a situação da jogadora e se estaria apta a estar entre as chamadas.
“Ela está liberada a partir do dia 6 (de janeiro) para treinamentos. O pessoal jurídico da CBF entrou em contato. Haveria essa possibilidade. Ela é uma jogadora que tem um grande potencial. A Pia queria ver como ela está nesse momento. Então, ela vai ter sua oportunidade assim como muitas outras atletas já tiveram”, afirmou Duda.
O processo dentro da CBF não diz respeito somente à seleção principal.
Além do objetivo de criar a seleção feminina sub-15, Duda tem estimulado outros processos importantes: a criação do banco de dados das atletas, a captação de jovens nomes nos Estados Unidos e Europa e também o pathway, criando uma identidade do futebol feminino brasileiro.
A integração de todas as comissões técnicas da base até a principal fazem parte desse processo.
“A gente já fez várias ações. Acho que, dentre elas, uma das mais importantes é a integração das comissões técnicas. No meio da pandemia, a gente conseguiu reunir nossa comissão presencialmente. Todos da sub-17, sub-20 e adulta, aonde a gente quer não só falar, mas realmente ter patchway do futebol feminino. A gente vai realizar isso, porque precisa ter rumos para formar uma cada vez melhor seleção brasileira. Que cada vez a menina chegue mais pronta quando ela tiver a idade para servir a seleção adulta. Hoje, para a gente conseguir chegar nisso, qual foi uma das primeiras ações? O monitoramento do campeonato brasileiro com GPS. Monitoramos também o campeonato sub-16. Nossa equipe esteve lá. A gente precisa ter dados do que acontece no Brasileirão para podermos comparar com os dados da seleção brasileira. Saber o quanto que nós temos que evoluir como clubes para chegar em uma seleção, e a gente também compara no caso com as melhores seleções do mundo nas categorias”, ressaltou Duda, salientando também que quer os clubes cada vez mais perto da seleção.
Se o pensamento em longo prazo está desenhado, o curto já bate à porta.
O primeiro semestre está agendado até os Jogos Olímpicos.
Entre os dias 5 de janeiro de 2021 e 20 de janeiro de 2021, o grupo fará um período de treinos em Viamão.
Em março, o Brasil participa do torneio She Believes, nos Estados Unidos, ao lado das donas da casa, Japão e Noruega.
Duda salienta que está com o contrato em mãos e, por enquanto, não vê a possibilidade de cancelamento pela situação da Covid-19.
Em abril, serão jogos na Europa e, um deles, novamente contra as norueguesas.
Em junho, dois confrontos diante das japonesas.
O local de preparação no período prévio à Olimpíada também já está em negociação.
A dirigente despistou sobre o alvo, mas descartou ser Portimão ou uma localidade em terras japonesas.
“A nossa preparação local ainda não está confirmada. Nós temos uma possibilidade bem grande, mas ainda não está assinado o contrato. Então, ainda não vamos externar o local. De lá, a gente parte para o Japão já completamente focado. Acho que é um ano 100% focado na Olimpíada”.
Para Tóquio e também pensando na formação das futuras gerações, a seleção feminina trabalha intensamente com a psicologia ao lado.
Desde o último ano, o grupo já contava com uma profissional na equipe principal.
Este ano, foram também ampliados os trabalhos para as equipes de base.
Duda ressalta que Pia dá muita atenção a esse fator.
E isso fica visível a cada entrevista da treinadora, que ressalta querer aliar a técnica brasileira à mentalidade vencedora das americanas.
“Essa foi uma das coisas que a gente aqui conseguiu dar um passinho para frente. A Marina já estava na equipe adulta. Porém, inserimos mais duas psicólogas, uma na categoria sub-17, outra na sub-20. Três mulheres com a mesma linha de pensamento. Foram sensacionais nas últimas convocações que tivemos. Sem dúvida nenhuma, trabalhar a parte mental era uma coisa necessária. A forma como a Pia trata a questão da psicologia no futebol é muito interessante, e, a cada período de treinamento, a gente vê uma evolução muito grande. Tenho certeza que estamos no caminho certo”, disse Duda.
E completa dando a receita para o sucesso ali adiante:
“Geralmente, o Brasil é conhecido pelos dribles, golaços, ataque. Talvez, para sermos melhores do mundo, precisaremos ser conhecidas também por ter uma grande defesa. Acho que é isso que a gente vem trabalhando. Para que o Brasil seja equilibrado em todas as partes do campo e consiga grandes resultados”.
CONFIRA OUTRAS RESPOSTAS DE DUDA LUIZELLI:
Funções definidas: A gente também criou aqui na CBF um ciclo sistêmico de cada função, cada funcionário do nosso departamento de seleções.
A gente dividiu em cinco partes: planejamento, pré-apresentação, pré-convocação, a convocação em si e o pós-convocação.
Cada um sabe hoje o que fazer antes, durante e depois de uma convocação.
Ou seja, é pensar na seleção todos os dias do ano.
Isso a gente também criou.
Na minha chegada, também fizemos um planejamento estratégico de saber quando e onde o Brasil vai chegar a ser o número 1 do mundo.
Junto com a Pia, comissão técnica, a gente com muita calma conseguiu colocar ano a ano para saber onde realmente o Brasil vai ser imbatível no futebol feminino.
A gente tem que planejar para a gente conseguir chegar.
Identificação e vontade de vestir a amarelinha: Eu não sei como era antes essa relação, mas hoje a competitividade entre as atletas é grande.
A gente pensa que talvez na última Olimpíada a gente tinha 25 atletas para que a comissão técnica pudesse levar 18.
Hoje, na lista larga da Pia, são 58 atletas.
Ou seja, nós temos uma lista muito maior, e isso devido obviamente aos grandes clubes virem, as competições estarem cada vez mais organizadas.
Tudo isso faz com que a gente tenha mais qualidade no futebol feminino brasileiro.
Foco no futuro: Hoje as meninas vêm para a seleção brasileira.
A gente tem todo um planejamento.
Elas chegam aqui prontas.
É isso que eu acho que a gente sonhou para o futebol feminino há 30 anos.
Mas a gente sabe que tem muito a evoluir.
A gente quer evoluir porque quer ser número 1 do mundo.
Processos novos na comissão técnica: Hoje, sempre pós-convocação, a gente envia um relatório para os clubes, para o preparador físico, dizendo tudo aquilo que aconteceu com as atletas.
A própria Pia manda uma mensagem para os treinadores dizendo como foi a atleta durante a convocação e o que talvez tenha que melhorar.
Cada vez que a gente acaba uma convocação, a gente tem um relatório completo de tudo aquilo que aconteceu, desde a parte física, técnica, mental, tática.
A gente sabe tudo que aconteceu na convocação.
Isso é importante até para que a gente consiga comparar a seleção com a seleção, a seleção com as seleções menores.
A gente consegue ter essa comparação, que é algo muito importante e faz com que a gente cresça cada vez mais.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro