Toda pessoa já sonhou um dia, quando criança, em ser um super-homem ou uma super-heroína. Influenciados por história em quadrinhos, filmes e propagandas, os jovens gostariam de contar com “superpoderes” capazes de aumentar a velocidade, obter visão raio-x e se tornarem quase imbatíveis.
É claro que isso tudo fica no mundo da imaginação de cada um, mas, transferindo toda essa questão para os esportes, talvez o que mais se assemelha a esse caso e onde seus atletas podem ser considerados como quase “super-heróis” é o triatlo. Isso, por causa da capacidade de resistência e da superação dos limites do próprio corpo, afinal, os triatletas enfrentam 1,5 km de corrida, 40 km de ciclismo e 10 km de corrida na prova olímpica.
O triatlo está no programa dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e o melhor atleta brasileiro no momento é o carioca Diogo Sclebin, de 33 anos, que é o favorito para conquistar a vaga olímpica. Ele conversou com o Esquema de Jogo e nos contou como tem sido a sua preparação para os principais torneios da modalidade, além de falar sobre os seus últimos resultados. Confira:
Esquema de Jogo: Você participou recentemente da Grande Final da Série Mundial de Triatlo, disputada em Chicago, nos Estados Unidos, e ficou em 41º lugar. Você melhorou em duas posições a colocação do ano passado. Esse era o seu principal objetivo?
Diogo Sclebin: O objetivo era terminar entre os 20 primeiros. Sabia da dificuldade que eu teria, mas estava confiante, estava bem treinado. Só que a Grande Final é sempre a prova mais dura do ano, com todos os melhores do mundo e treinados para aquele dia.

O quanto é difícil disputar uma prova desse nível, que reúne os 75 melhores triatletas do planeta?
Para mim, é muito gratificante estar entre os melhores do mundo. Me sinto bem e motivado em medir forças com os melhores triatletas, mesmo que um resultado não saia como o esperado. Só de estar ali você já aprende e assimila o que é ser um triatleta de alto nível. Eu posso dizer: o ritmo é muito forte, muito rápido.
A sua principal meta é terminar 2015 entre os 40 primeiros do ranking olímpico?
Atualmente ocupo a 42ª colocação no ranking olímpico, minha meta é estar entre os 40 primeiros. Com a 22ª colocação na Copa do Mundo de Cozumel (México), no último dia 04 de outubro, melhorei duas colocações. Agora terei mais uma oportunidade esse ano, será a Copa do Mundo da Coreia, última prova que vale pontos em 2015 no ranking olímpico. Será no dia 24 de outubro.
É só através desse ranking que você pode garantir a vaga para os Jogos Olímpicos do Rio-2016 ou terá alguma seletiva nacional?
A vaga olímpica é conquistada pelo atleta através do ranking, mas a vaga é do país. A Confederação Brasileira de Triatlo (CBTri) é que, através de critérios preestabelecidos, determina quem vai ocupar essa vaga.

Você disputou a última Olimpíada em Londres-2012. Como foi essa experiência?
Participar de uma edição dos Jogos Olímpicos é uma experiência incrível, é coroar uma carreira esportiva de sucesso. Me dediquei anos ao esporte para isso, mas não saí satisfeito com o meu resultado. Agora em casa, em 2016, trabalho duro para obter um bom resultado.
Caso você confirme a vaga, os Jogos do Rio-2016 serão ainda mais especiais por estar competindo em casa? Acha que pode existir uma pressão a mais por bons resultados devido a esse “fator casa”?
Não sinto pressão externa em qualquer que seja a competição. Eu já sou a pessoa que mais me cobra. Com os Jogos Olímpicos em casa, me sinto mais honrado e privilegiado em poder competir ali.
Você participou do evento-teste para a Olimpíada. O Rio de Janeiro mostrou que está preparado para receber bem os atletas e as provas de triatlo no ano que vem? Há ainda algum aspecto para melhorar?
O Rio vem trabalhando duro para sediar os Jogos, acho que os brasileiros desempenharão um bom papel, tanto na parte organizacional quanto no desempenho atlético.
Você é carioca e está acostumado com as condições climáticas do Rio, principalmente o calor. Isso pode ser um trunfo em relação aos adversários?
No circuito mundial vivenciamos muito todas as condições de clima e altimetria do percurso: pegamos frio extremo, calor extremo, subida, descida. Não só eu como todos os outros participantes terão total entendimento do que iremos enfrentar nos jogos do Rio-2016 e iremos nos preparar para tais condições.

Durante os Jogos Pan-Americanos, em julho desse ano, a equipe brasileira de triatlo acabou terminando a competição sem nenhuma medalha, o que foi considerado surpreendente. Na sua opinião, por que o desempenho foi abaixo do esperado?
O nível de preparo dos triatletas vem evoluindo muito e detalhes fazem a diferença em uma prova de alto nível. Em colocação realmente não ficamos perto da medalha, mas em tempo não ficamos muito longe, cerca de 2% a mais do tempo do que o primeiro colocado.
Há no Brasil um Centro de Treinamento gerido pela Confederação Brasileira de Triatlo?
Atualmente a Confederação utiliza um centro de treinamento localizado em Rio Maior, cidade próxima a Lisboa, em Portugal. Alguns triatletas brasileiros moram lá e outros realizam estágios pré e durante competições pela Europa, servindo como base para as competições do circuito mundial que ocorrem por lá.
Você recebe apoio financeiro da Confederação e do Governo Federal, através do Ministério do Esporte?
A Confederação me apoia no custeio para as competições internacionais e o Governo Federal me fornece bolsa atleta.
Os triatletas são considerados “super-humanos”. Vocês chegam ao limite físico durante as provas. Como é a sua rotina de treinamentos para aguentar esses desafios?
Tudo na vida é treino. Passo de duas a cinco horas por dia em atividade física intensa para aprimorar meu condicionamento para o que vai acontecer na competição. O sofrimento proveniente disso é rotineiro, dói, mas já estou acostumado. Preparo meu corpo e mente para as dificuldades que enfrentarei durante a competição. Tenho um volume semanal de treinos próximo a 20km de natação, 300km de ciclismo e 70km de corrida, divididos entre 2 e 3 sessões de treinos diários. As atividades do cotidiano extra triatlo é que acabam cansado mais, ficar 15 minutos em pé em uma fila de banco é muito exaustivo, pois já gastei toda energia no treino anterior e/ou tenho que me poupar para o outro treino que virá logo em seguida. Aguentar o desgaste do treino passa a ser mais fácil quando se tem objetivo e entendimento de que esse é o caminho para estar no pódio. Doloroso é ficar em pé na fila.
Você treina por mais tempo uma das modalidades (natação, corrida e ciclismo) ou despeja a mesma intensidade nos três?
Hoje dou mais atenção a natação, apesar do ciclismo abranger uma carga horária de treino muito superior, cerca de 10h semanais de bike contra 7h de natação.
A correta alimentação é fundamental para o bom desempenho de um triatleta?
Para todo e qualquer desenvolvimento atlético a boa alimentação é essencial para se colher bons resultados no esporte.
O que você acha necessário fazer para que o triatlo ganhe mais praticantes no Brasil?
O triatlo já vem ganhando participantes, e o principal fator que leva a isso é o maior número de competições realizadas.
Crédito das fotos: divulgação.





