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CRUZEIRO-MG.
Análise

Depois de um ano….

Cruzeiro cria comissão para analisar contratos na base após denúncia de nova irregularidade.

Em 1º de junho de 2019, quatro dias depois das denúncias do Fantástico, clube teria feito nova cessão de direitos econômicos do garoto Estevão Willian.

O Cruzeiro criou uma comissão independente para analisar os contratos “porventura arquivados e atrelados a jogadores da base”.

É uma resposta do clube a uma nova denúncia de cessão e divisão de direitos econômicos envolvendo o garoto Estevão Willian, hoje com 13 anos, e que está na base do Cruzeiro.

A denúncia foi publicada pelo Uol Esporte, nesta quarta-feira (10), e o GloboEsporte.com confirmou a existência do acordo.

O novo contrato de cessão de direitos econômicos ocorreu mais de um ano depois da denúncia do Fantástico, que mostrou que o clube assinou um contrato com o empresário Cristiano Richard, cedendo direitos econômicos de 10 jogadores ao empresário, inclusive 20% do garoto Estevão Willian.

A Polícia suspeita que o contrato beneficiaria Itair Machado e Sérgio Nonato, ex-dirigentes do clube.

Em contrato assinado em 1º de junho de 2019, o Cruzeiro acertou uma divisão dos direitos econômicos do garoto com o empresário e conselheiro do clube, Fernando Ribeiro de Morais, proprietário da empresa Estrela Sports Limitado (LTDA), e com os pais de Estevão, Ivo Gonçalves e Hetiene Almeida de Oliveira Gonçalves.

A divisão ficou assim: 70% para o Cruzeiro, 15% para a Estrela Sports e 15% para a família de Estevão.

A nova cessão de direitos de uma criança fere, novamente, legislações esportivas.

A prática de ceder direitos a terceiros foi proibida pela FIFA em 2015.

Apenas clubes e os próprios atletas podem, desde então, ter partes de direitos.

Potenciais jogadores só podem assinar seus primeiros contratos profissionais a partir dos 16 anos.

Antes disso, crianças e adolescentes podem no máximo ter contratos de formação, nos quais não há direitos federativos e econômicos.

Por essas novas infrações às regras da Fifa, o Cruzeiro pode ser proibido de transferir jogadores e até registrar novos atletas, caso seja punido.

Fernando Ribeiro era um dos 30 conselheiros excluídos pelo clube no primeiro semestre deste ano.

O GloboEsporte.com mostrou que ele recebia R$ 7 mil do Cruzeiro.

Em contato com a reportagem, na época, ele revelou que o dinheiro era repassado para a família de Estevão Willian.

O contrato foi revogado, e um novo foi feito com uma empresa criada pelo pai de Estevão Willian, a EW10 Sports.

Consta um pagamento mensal de 10 mil à empresa.

O que dizem os citados?

A reportagem procurou os envolvidos no contrato.

O ex-vice-presidente de futebol do clube, Itair Machado, disse que a negociação era para uma parceria futura de divisão dos direitos econômicos do atleta.

“Estrela Sports foi quem trouxe o jogador para o Cruzeiro, até antes de eu assumir o cargo. Eles detinham 30%. O jogador iria para outro clube e, então, foi feita a proposta de que o próprio jogador, num futuro contrato, passaria a ter 15%. E a empresa aceitou ficar só com 15% de uma comissão futura, que é dentro da lei. Essa empresa teve muitos custos com o atleta”.

A versão foi a mesma dada por Fernando Ribeiro de Morais, proprietário da Estrela Sports.

Ele disse que assumiu gastos pessoais de Estevão Willian, por acreditar no futebol do garoto e, por isso, realizou o contrato com o Cruzeiro.

“O contrato que eu tenho com o Cruzeiro é um contrato de promessa de comissionamento futuro, porque é a realidade. Se qualquer cláusula está mal redigida, é o momento de corrigir, porque a gente não teve, em nenhum momento, intuito de fazer nada contrário às legalidades. Eu, realmente, tenho uma participação de comissionamento futuro porque eu contribuí com o atleta. Eu não emprestei dinheiro ao Cruzeiro para pegar percentual de direito econômico de jogador. Eu tenho uma história de investimento empresarial. O pai sabe, o pai assinou, a família assinou. Todo mundo que está no Cruzeiro ou que passou de alguma maneira pela gestão sabe disso”, disse.

“Não tem nada que esteja por baixo dos panos. Todo mundo sabe da nossa história com a família e da nossa história com o Cruzeiro também. Os custos do garoto, hoje, foram repassados ao Cruzeiro. Ele assumiu essa despesa agora. Chegou um momento na carreira do menino que teve muita mídia, então eu levei o problema para o Cruzeiro. Ele tinha propostas. Todo clube do Brasil quer ele, clubes da Europa queriam ele. Então, tinha uma questão financeira envolvida, aí eu levei para o clube: “Eu não vou dar conta do rojão sozinho”. Foi onde o Cruzeiro entrou”, completou.

A reportagem também procurou o pai de Estevão, Ivo Gonçalves, mas ele não respondeu às mensagens e às indagações feitas.

A comissão: O Cruzeiro informou que a comissão já iniciou os trabalhos e, durante os próximos 30 dias, deverá examinar e verificar se existem contratos em desacordo com as legislações esportivas e trabalhistas.

Segundo o clube, em caso de ilegalidades, os acordos serão rescindidos unilateralmente e os envolvidos serão denunciados.

O clube foi questionado pela reportagem sobre quem formará a comissão, já que não divulgou os nomes no site.

A resposta da Raposa é que os nomes serão divulgados futuramente.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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