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CLUBES BRASILEIROS. CBF. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL.
Análise

Definição na CBF

Clubes pressionam por mais espaço, mas CBF (Confederação Brasileira de Futebol) precisa das federações para destituir Caboclo.

Clubes querem discutir a concentração de poder nas mãos das federações estaduais e ter mais voz nas decisões.

O afastamento temporário de Rogério Caboclo da presidência da CBF, depois que o globo esporte revelou uma denúncia de assédio sexual e moral contra ele, desatou uma antiga disputa, que andava adormecida no futebol brasileiro: clubes x federações estaduais.

Nesta terça-feira (15), presidentes de clubes da Série A se reúnem no Rio de Janeiro para discutir algumas pautas em comum. Pelo lado da CBF, estarão o presidente interino Antonio Carlos Nunes, além e diretores e vice-presidentes.

Um dos pleitos é ter mais participação em decisões tomadas pela confederação.

Outra é avaliar uma proposta de criação de liga para organizar o Campeonato Brasileiro, que hoje é um produto da CBF.

Alguns clubes têm pautas próprias muito evidentes.

O Flamengo, por exemplo, insiste em interromper o Campeonato Brasileiro durante a Copa América, por causa do alto número de desfalques gerado pelas convocações.

Outros clubes querem a demissão de diretores que teriam sido “coniventes” com o caso de assédio revelado pelo globo esporte.

O estatuto da CBF prevê dois tipos de Assembleia Geral, a instância máxima da CBF: Administrativa e Eletiva.

É a Assembleia Geral Administrativa que toma decisões como destituir o presidente e votar as prestações de contas da entidade.

Dela só participam as 27 federações estaduais de futebol.

Os clubes só participam da Assembleia Geral Eleitoral, que só se reúne para escolher o presidente e os vices.

E, mesmo assim, eles têm peso menor nas votações.

Os votos das 27 federações têm peso 3 (portanto são 81), os votos dos 20 clubes da Série A têm peso 2 (40) e os votos dos clubes da Série B têm peso 1 (ou seja, 20).

É essa concentração de poder nas mãos das federações estaduais que os clubes querem discutir nesta semana.

Os clubes querem ter mais voz nas decisões tomadas pela confederação.

Como o diálogo com Rogério Caboclo foi se deteriorando nos últimos meses, há uma uma intenção de reabrir diálogo com (e também fazer pressão nos) dirigentes que agora comandam a CBF.

E aqui está outro nó.

A criação de uma liga para organizar o Campeonato Brasileiro precisa ter a aprovação da Assembleia Geral Administrativa da CBF.

O artigo 24 do estatuto (reproduzido ao final deste texto) é bem claro.

Ou seja: para tirar o poder das federações estaduais, é preciso ter a aprovação dessas mesmas federações estaduais.

A prioridade da CBF hoje é consumar o afastamento definitivo de Rogério Caboclo da presidência da entidade.

Para isso, é preciso esperar a conclusão da investigação da Comissão de Ética e convocar uma Assembleia Geral Administrativa para votar a destituição.

O estatuto determina que um presidente só pode ser destituído com a aprovação de 80% das federações.

Ou seja: Rogério Caboclo precisa ter o apoio de 6 das 27 federações estaduais para voltar ao poder.

Por pressão dos patrocinadores e também para resolver impasses internos sobre o futuro, a CBF tem como prioridade garantir os 100% nessa votação.

E por isso não pode dar às federações estaduais a sensação de que vai ceder aos clubes tirar delas algum poder.

O que o Estatuto da CBF diz sobre Ligas:

Artigo 24: É facultado à CBF, a seu exclusivo critério e nos termos do presente Estatuto, mediante decisão de sua Assembleia Geral Administrativa, admitir a vinculação de Ligas constituídas ou organizadas por entidades de prática desportiva, para fins de integração de suas competições ao calendário anual de eventos oficiais do futebol brasileiro e para seu reconhecimento ou credenciamento na estrutura ou organização desportiva de futebol, no âmbito regional, nacional ou internacional.

Parágrafo Primeiro: Para vinculação à CBF e para a integração de suas competições ao calendário anual oficial do futebol brasileiro, as Ligas deverão cumprir os requisitos exigidos pela CBF.

Parágrafo Segundo: As Ligas, para terem sua vinculação admitida, devem submeter seus Estatutos à prévia aprovação da CBF a quem incumbe definir a competência, direitos e deveres das Ligas, em obediência ao disposto no Estatuto da FIFA.

Parágrafo Terceiro: As Ligas admitidas estarão obrigadas a respeitar o calendário anual do futebol brasileiro, além de subordinarem-se aos Estatutos, normas, regulamentos e decisões da FIFA, da CONMEBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol) e da CBF.

Parágrafo Quarto: As Ligas eventualmente criadas sem observância deste artigo não serão reconhecidas para todos e quaisquer efeitos jurídicos e desportivos como integrantes do sistema da FIFA, da CONMEBOL, da CBF e das Federações filiadas.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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