Time campeão paulista e vice da Libertadores jogará série D do brasileiro em 2015
O São Caetano, simpático “azulão”, que encantou os torcedores de todos os times no início dos anos 2000, caiu para a quarta divisão futebol brasileiro. Os aparelhos que mantinham as esperanças de permanência do azulão na série C foram desligados na noite de ontem (29/9), após o triunfo do Guarani frente ao Caxias, no Rio Grande do Sul (1 a 0). Com 18 pontos, o time do ABC, penúltimo colocado no certame (restando uma rodada para o fim da primeira fase), está matematicamente rebaixado.
A decadência da Associação Desportiva São Caetano não vem de hoje. Após ter sido rebaixado em 2013 para a série A2 do Paulista, a equipe se safou de cair para a série A3 este ano no final da última partida, disputada e perdida por 3 a 1 no Anacleto Campanella, diante de seu principal rival, o Santo André. Logo após a tragédia no regional, ano passado, o time foi mais uma vez rebaixado, caindo da série B para a C do Brasileirão.
Colecionando resultados pífios, o São Caetano chegou a incrível marca de 95 partidas (disputadas entre 2013 e 2014) e 50 derrotas. Não menos impactante que este número é o saldo dele: cinco torneios disputados, três rebaixamentos. Isso sem falar na eliminação da Copa do Brasil, nos pênaltis e em casa, frente ao Arapongas-PR. Só em 2013, o time teve cinco técnicos: Aílton Silva, Vadão, Marcelo Veiga, Sérgio Guedes e Pintado. Este ano, mais cinco: Nedo Xavier, Paulo Cezar Catanoce, Vilson Tadei, Paulo Roberto Santos e Márcio Griggio. Lamentável.
Desde que a meteórica ascensão do São Caetano começou, passei a acompanhar o clube e vivenciar um pouco de seu dia a dia. O planejamento -que acima se percebe que já não existe nem de longe-, sempre foi a chave do sucesso. Salários pagos em dia (atrasos salariais assolaram a equipe em 2014), assim como premiações, incentivos extras, enfim. Lembro-me que em 2004, o meia Gilberto, que disputou copa do mundo, rejeitou uma proposta do Corinthians e fechou com o azulão, onde sagrou-se campeão paulista daquele ano, ao lado de Sílvio Luis, Euller e Mineiro, todos comandados pelo competente Muricy ramalho, o rei dos estaduais.
Um dos grandes responsáveis pela tragédia anunciada, a meu ver, atende pelo nome de Nairo de Souza, o incompetente presidente do São Caetano, que ocupa o cargo, pasmem vocês, há 18 anos. Nairo é conselheiro do Corinthians, pouco se importa com o clube que preside e sua política sempre foi a de fazer balcão de negócios. Não é possível contar o número de atletas “fabricados” que passaram pelo São Caetano, isso contribuiu para o sucateamento dos elencos e, inclusive, gerou pedidos de demissões de alguns treinadores que se recusaram a atender as interferências nas escalações que vinham de cima pra baixo.
Dizer que o azulão irá recomeçar com o intuito de ressurgir das cinzas parece discurso batido, ainda mais se analisarmos o quadro político do clube, que vive cenário semelhante ao que passou a CBF, ou seja, não consegue se livrar do mandatário maior. Não há oposição, todos estão atrelados a gestão Nairo de uma forma ou de outra, com isso, não vejo o azulão saindo dessa. Mais uma linda história que vai se perder no tempo.
Associação Desportiva São Caetano
Fundação: 04 de dezembro de 1989
Estádio: Anacleto Campanella
Títulos: Campeão Paulista (2004); Campeão Paulista da série A2 (200); Campeão Paulista da série A3 (1991 e 1998).
Destaques: Vice campeão da Copa Libertadores da América (2002); Vice campeão do Campeonato Brasileiro (2000 e 2001); Vice campeão paulista 2007 e vice campeão do Campeonato Paulista do interior (2010).





