Esquema de Jogo

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Análise

Daniel Paiola: “fico muito orgulhoso em poder ajudar a modalidade que eu tanto amo crescer em nosso país”.

Você já ouviu falar em Badminton? Talvez muitos brasileiros ainda não conheçam essa modalidade esportiva. Mas ela vem crescendo muito na terra do futebol. Os asiáticos são os grandes “senhores” desse esporte, que muitos por aqui podem associar à uma mistura de tênis e peteca.

Um atleta brasileiro da modalidade conseguiu um resultado histórico recentemente. Daniel Paiola, tornou-se o primeiro conterrâneo nosso a conseguir uma vitória em campeonatos mundiais da modalidade. O feito aconteceu no Mundial da Indonésia, em agosto, ao derrotar o austríaco David Obernosterer na primeira rodada.

Daniel conversou com o Esquema de Jogo e falou sobre o seu resultado histórico, a expectativa para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016, além de curiosidades sobre patrocínio e apoio à modalidade. Confira:

Esquema de Jogo: Você conquistou um resultado inédito para o badminton brasileiro. Venceu na primeira rodada do Campeonato Mundial da Indonésia o austríaco David Obernosterer e se tornou o primeiro brasileiro a obter uma vitória em campeonatos mundiais da modalidade, na chave principal. Você entrou para a história do esporte, como falamos aqui no Brasil, “a ficha já caiu”?

Daniel Paiola: Não é a primeira vez que entro para a história da modalidade, mas honestamente, nunca foi o meu objetivo. Sempre me foquei em bons resultados, buscando minhas metas pessoais como atleta, e nunca almejando estar na história do badminton brasileiro. Mas fico muito feliz, honrado e orgulhoso em poder ajudar a modalidade que eu tanto amo crescer em nosso país.

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EJ: A partida contra o austríaco foi bem difícil, você ganhou o primeiro set por 21-14 e perdeu o segundo por 21-11. No set decisivo, você chegou a estar atrás no placar por 20 a 16, salvou quatro match points e conseguiu fechar em 24-22. O que foi fundamental para essa vitória? O aspecto psicológico contou muito?

DP: Foi um jogo muito tenso, onde as questões táticas e psicológicas foram primordiais para alcançar a vitória. Mas acho que meu trunfo foi estar focado na tarefa, em nenhum momento do jogo olhei para o placar. Mesmo na hora de defender os match points, me concentrei em continuar realizando a tática correta e decidido que iria lutar até o fim.

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EJ: Na segunda rodada você acabou derrotado pelo chinês Lin Dan, que é considerado uma lenda do esporte, por 21-14 21-14. Realmente é impossível vencê-lo? Apesar da derrota, acha que fez um bom jogo contra o bicampeão olímpico? Ele é o grande favorito para os Jogos do Rio de Janeiro em 2016?

DP: Realmente ele é uma lenda na modalidade. Até o momento, ele representa o atleta mais bem-sucedido da história do badminton internacional. Não é qualquer um que fica dois ciclos olímpicos no topo do mundo, conquistando cinco vezes o campeonato mundial e duas vezes os Jogos Olímpicos. Sem ressaltar que, antigamente, o mundial era realizado de dois em dois anos.

Na minha opinião, não existem atletas imbatíveis. O Lin Dan realmente é um jogador excepcional, porém também perde jogos.

Em relação ao jogo, foi um grande jogo, de altíssimo nível. Consegui jogar de igual para igual, do início ao fim. Porém ele foi melhor em alguns aspectos e mereceu a vitória.

O Badminton vem vivendo um momento muito rico no número de atletas talentosos ao redor do mundo. Atualmente, eu vejo o Lin Dan como um grande nome para ganhar os Jogos Olímpicos, principalmente pela experiência. Porém existem outros atletas tão favoritos quanto a lenda chinesa. Tudo indica que os Jogos do Rio-2016 serão memoráveis e quem sabe os mais disputados até então.

EJ: Falando em Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, pela primeira vez o badminton brasileiro vai disputar essa competição. No masculino e no feminino, o Brasil tem vagas garantidas e ainda corre atrás por mais vagas sendo considerado o ranking da Federação Internacional (BWF). Como você está se preparando para essa competição? Já tem um planejamento traçado até lá?

DP: Nossa preparação é realizada em Campinas/SP, no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Badminton, em período integral. Sobre o planejamento, seguimos também o plano da Cbbd, administrado pelo nosso técnico português Marco Vasconcelos e o Diretor Técnico Beto Santini. Ele muda muito de acordo com nossos resultados, pontos no ranking, etc.

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EJ: Para vocês, atletas da modalidade, os Jogos do Rio-2016 vão servir como uma chance de divulgar o badminton para o país inteiro? Pode ser uma grande vitrine?

DP: Os Jogos Olímpicos já estão servindo como suporte para a divulgação da modalidade a um bom tempo. Na minha opinião, o que está sendo realizado antes dos Jogos, será mais benéfico a modalidade em geral do que o campeonato em si. Realmente é uma grande vitrine, mas não acredito que será algo de outro mundo, tomara que esteja enganado.

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EJ: A Confederação brasileira de Badminton arcou com as despesas no mundial da Indonésia ou você teve que bancar do próprio bolso?

DP: Eu banquei todas as despesas para o Mundial da Indonésia. A Confederação não tem a verba suficiente para bancar um ciclo olímpico perfeito para todos do grupo, ficando de mãos atadas em vários momentos. Porém foi uma decisão técnica, ou seja, a CBBd tinha a verba para enviar a equipe brasileira ao mundial, ou para levar toda a equipe em duas competições internacionais na América. Honestamente, para quem conhece a modalidade, a chance de fazer mais pontos para o ranking mundial, é maior nos dois campeonatos, sendo assim foi decidido que não nos iriam ajudar nos custos do mundial, ficando aberto a liberação para quem quisesse competir por conta própria. Eu quis jogar, pois um Mundial é sempre um mMundial, eu conquistei a minha vaga, não é qualquer um que pode participar. Então, arrisquei, investi em mim mesmo, sem obrigação de resultado. Fico feliz de ter arriscado, pois foram importantes pontos para minha corrida olímpica.

EJ: Você recebe apoio financeiro da Confederação e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB)?

DP: Eu recebo da CBBd e do COB apenas ajuda nas competições internacionais, dentro do limite orçamentário destinado ao badminton, e também toda infraestrutura do centro de treinamento. Mas não recebo salário deles.

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EJ: Você consegue se dedicar exclusivamente à modalidade ou precisa ter outra atividade profissional como fonte de renda?

DP: Para esse ciclo olímpico, eu felizmente consegui o apoio do Club Athlético Paulistano e da Força Aérea. Sem eles, seria impossível estar exclusivo ao badminton, e muito provavelmente não estaria tentando os Jogos do Rio-2016. Vale ressaltar que divido minha atenção também para os estudos. Tenho bolsa da Universidade Metrocamp, do grupo IBMEC, onde realizo o curso de Direito.

EJ: Além do grande resultado no Mundial, você conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto nas duplas, ao lado do Hugo Arthuso. Como foi essa experiência de representar o Brasil e ainda conquistar essa medalha inédita?

DP: Estar no Time Brasil em Jogos Pan Americanos é uma honra e uma alegria inesquecível e indescritível. Não tenho muitas palavras para explicar este momento. Simplesmente foi sensacional. Tudo que treinamos aconteceu. Estávamos muito preparados. Não conseguimos o ouro, mas o resultado foi muito bom para um crescimento da modalidade no país.

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EJ: Como você começou a praticar o esporte? Foi por influência de algum parente ou tomou gosto pela modalidade sozinho?

DP: Comecei a jogar badminton com 13 anos no Clube Fonte São Paulo onde era sócio na infância. Apesar de ser uma modalidade não tão conhecida, esse clube sempre apoiou o badminton. Eu sempre gostei de modalidades com raquete, já havia praticado tênis, tênis de mesa, squash, mas foi o badminton que me conquistou. Por um tempo foi apenas hobby. Porém, com o tempo foi se transformando.

World Championships 2015

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