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Análise

Crônica: Pobre futebol caro!

*Este desabafo foi enviado por Sadi Roberto Prestes Pinto, um apaixonado torcedor de futebol que não consegue ver este esporte da mesma maneira que antes.

Alguns dizem que o nosso futebol se profissionalizou, se ‘empresariou’, que Pelé e Garrincha hoje não jogariam, o que passou, passou. O futebol se modernizou sim, está mais dinâmico e pegado, não existe mais bobo no futebol. Concordo! Bobo é o torcedor, os clubes que revelam jogadores e os perdem por um pequeno valor.

Valor caro do ingresso de um futebol sem sucesso, caro para um futebol pobre, que de nobre, nem seu horário o é. Ah, culpa da dona televisão, que põe os jogos quando deveria passar o ‘Corujão’. O torcedor que se vire para assistir, para voltar para casa. O horário das transmissões é o que menos importa, o que vale é o montante investido, quanto foi pago e quanto vai render.

Mas… Esqueçamos a TV, vamos ao futebol nos gramados, ou fora deles. As regalias das ‘organizadas e armadas’ dentro e fora dos estádios, que por sua vez, estão cada vez mais vazios, muito embora alguns possam oferecer hoje o conforto que sempre sonhamos, permanecem as moscas.

Armadas e perigosas, as organizadas são bem organizadas, são gangues de verdade, prontas para o combate, para a guerra, eles querem vandalismo, quebrar o pau, literalmente. De quem é a culpa? Dos dirigentes incompetentes que distribuem ingressos aleatoriamente e subsidiam estes bandos de negligentes? Enfim, de quem é a culpa?

A Inglaterra baniu de vez os Hooligans e hoje tem o melhor campeonato do mundo. É preciso fazer algo, entendem? A começar pelo que acontece dentro dos gramados, pois o que rola lá, reflete fora, então… Fora cartolada sanguessuga! Malfeitores do futebol!

Que saudades dos tempos de outrora, da geral no Maracanã, da Coréia no Beira Rio, do Pacaembú (que sumiu), da Vila do Rei Pelé (que ainda se mantém de pé). Do Morumbi de Chulapa, Oscar, Rocha e Muricy, do Palestra que hoje é uma luxuosa Arena.

Futebol onde existia futebol, os ingressos eram para todos os torcedores, trabalhadores que se misturavam no mesmo espaço. Flamenguistas, vascaínos, tricolores e botafoguenses, colorados e gremistas, não importava a cor, não importava as listras. Corintianos, palmeirenses, são paulinos e santistas, cruzeirenses e atleticanos, a camisa era o que mais importava. Havia respeito ao trabalhador assalariado e sofredor, nosso verdadeiro torcedor.

Íamos a pé, de carona, de ônibus, de trem, não importava a maneira, tudo para ver o bom futebol, o bom jogo. E hoje? Onde estão os grandes jogadores, os craques, os foras de série, os ‘camisas dez’? Pobre futebol caro! O nosso melhor jogador é um menino, que com todo respeito, é sim um craque, mas não é aquele camisa dez.

Não é um Rivelino, Zico, Dinamite, Ademir, Dirceu Lopes, Ademir, Carpegianni, Djalminha, R10, Alex “Cabeção”, é claro que na lista faltam alguns, mas é fato que hoje não tem nenhum. Pobre futebol caro! O que vamos fazer para salvá-lo, não é uma derrota em campo ­-isso faz parte-, estamos perdendo para o jogo de interesses e para a falta de respeito.

Falta futebol, falta investimento, falta entretenimento antes das partidas. Onde estão os jogos preliminares? Os garotos das categorias de base, eu mesmo sou um exemplo, joguei as 13 horas antes de um ‘GreNal’ no Beira Rio e já havia torcedores no estádio. Os empresários não permitem que seus jogadores atuem, a não ser que seja para espanhol, alemão ou inglês ver.

Por favor, resgatem o nosso futebol, tragam os torcedores novamente, diminuam os preços dos ingressos, não dá para ‘esquecer os sete a um’, mas também não dá pra negar que estamos perdendo de goleada para a CBF, dirigentes, entre outros, todos os finais de semana, ainda que o nosso time ganhe, enquanto torcedores, estamos sempre perdendo. Como? Pergunte para a Globo, esta sim nos faz de bobo!

Basta! Chega! Quero ir aos estádios e levar meus netos, junto com meus filhos, em família como faziam nossos pais e avós. Do jeito que está não dá. Pobre futebol caro! Não é nostalgia, eu simplesmente amo este esporte e me preocupo sim. Do jeito que está, em 2018, o cenário dentro de campo pode ser ainda pior e dependeremos daquilo que eu, particularmente, não acredito, a sorte!

 

 

 

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Sou jornalista, apaixonado por futebol e política, mas, sobretudo, alucinado pela comunicação! Acredito no Brasil, confio nos seres humanos, sou entusiasta da transformação. Que Deus nos abençoe!