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FUTEBOL PARANAENSE. CORITIBA-PR. PARANÁ CLUBE-PR. ATHLETICO-PR. LONDRINA-PR.
Análise

Criatividade na quarentena

Pesquisa, botão, podcast e fotos: torcedores usam criatividade para manter paixão e matar saudade.

Torcedores de Coritiba, Operário-PR, Athletico, Londrina e Paraná Clube usam a criatividade e, mesmo à distância, mostram muito amor por seus respectivos clubes.

Com novas tecnologias ou com materiais antigos, torcedores paranaenses usam a criatividade para matar a saudade de seus seus respectivos clubes.

Eles gravam podcasts, resgatam o futebol de botão, trocam fotos, vestem a camisa em casa…

Tudo para manter o amor pelo clube vivo mesmo com o futebol paralisado.

Já são quatro semanas sem jogos no estado do Paraná, desde o dia 15 de março, por conta da pandemia do coronavírus, e não há uma previsão para que a bola volte a rolar no futebol brasileiro.

Nesse cenário, torcedores apelam a lembranças ou rituais.

As irmãs Giovanna Roco, de quatro anos, e Marianna, de dois, vestem a camisa do Coritiba e cantam músicas do clube em casa, contando os dias para voltar ao Couto Pereira.

A mãe delas, Karine Roco, fala sobre a paixão da dupla, mesmo à distância, pelo Coxa.

“Ano passado, com o Coxa na Série B, fomos em todos os jogos e estávamos super empolgados com os jogos deste ano. É nítida a alegria que elas sentem em ir para o estádio. A mais velha está sempre perguntando quando vamos para o Couto. Elas, quase todo dia, perguntam “mamãe, hoje tem jogo?”. E é só ouvir “Coxa” para elas pegarem as camisas e irem para a porta achando que estamos indo para o Couto. Pegam as camisas, se arrumam e falam que estão indo.

O torcedor Athletico, Dirceu Ramiro de Assis, de 55 anos, também apela ao passado para aproveitar o tempo livre sem deixar o amor pelo clube de lado.

Ele, que não mexia nos times de futebol de botão há mais de 10 anos, tem brincado com o Furacão, claro, e com outras equipes.

“Na infância, cheguei a ter quase 200 times. Desses, restaram apenas três: o principal deles é meu querido Furacão. Também tem o Colorado e o Pinheiros, que deram origem ao Paraná. Há pelo menos dois anos, tenho falado para minha esposa que preciso me preparar para a aposentadoria, e uma das minhas intenções é voltar a jogar futebol de botão”.

Os torcedores do Operário-PR também sofrem longe do clube e do Germano Krüger durante a quarentena. Para matar saudade, eles gravam podcasts semanalmente.

O grupo de amigos estava acostumado a debater na sede da torcida Trem Fantasma (o “Papo de Boteco” já tem 325 edições).

Agora, eles gravam cada um na sua respectiva casa. Apesar dessa mudança necessária, o grupo não deixa a tradição de lado.

Outra iniciativa dos torcedores do Operário-PR é resgatar fotos antigas, de até 15 anos atrás – para relembrar jogos e viagens.

Eles enviam as imagens pelas redes sociais e contam histórias marcantes e curiosas.

“Está complicado viver sem futebol. Estamos acostumados a estar quarta e domingo no estádio ou acompanhando por rádio ou televisão. O que estamos fazendo, além dos podcasts, é trocar fotos antigas. Fotos de 10, 12, 15 anos atrás… Todos os torcedores muito mais magros (risos), até em alguns campos que nem existem mais. Eu, por exemplo, mandei fotos de Santo Antônio da Platina, Francisco Beltrão, Quatro Barras..”.

O historiador James Skroch tem aproveitado o tempo para intensificar a pesquisa sobre o Paraná Clube. Um dos autores do livro “Paraná Clube – 30 anos da fusão” (o outro autor é Willian Bohlen), James também abastece uma página com curiosidades, datas marcantes, conquistas e fotos históricas do Tricolor nas redes sociais.

“Meu trabalho é de resgatar e documentar a história do Paraná Clube e dos seus clubes de origem. O Paraná Clube completou 30 anos de vida no dia 19 de dezembro, mas suas origens remontam ao ano de 1914, com a fundação do Savoia e do Britânia. E, sobre o livro, é um relato sobre a fusão que deu origem ao Paraná Clube, da ideia de um novo clube. Eu tenho aproveitado para divulgá-lo através da internet”.

A saudade do futebol também atinge, claro, os torcedores do Londrina.

A enfermeira Izonete Meneguzzo é torcedora símbolo.

Ela mata saudade do Tubarão através de fotos, vídeos, camisas e outras lembranças.

“Esses dias, fui ao Estádio do Café buscar umas coisas no ambulatório e fiquei olhando o estádio, o gramado… Que saudades. Tenho olhado as fotos no computador. Lavei todas as minhas camisas e fiquei relembrando cada uma delas. Vejo vídeos. Os mais emblemáticos são os de campeão Paranaense e da Primeira liga, além de quando subimos para a Série B. Nesse, arrancamos as placas e invadimos o campo, rezamos no círculo ajoelhados, juntos com todos do Londrina.”

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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