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2014 foi um ano intenso de diferentes maneiras para os clubes que alimentam a maior rivalidade do futebol paulista. Palmeiras e Corinthians tiveram objetivos bem discrepantes na maior parte da temporada, mas começarão 2015 iguais em um sentido: Ambos terão novos comandantes à beira do gramado. A Alviverde trouxe o sempre contestado Oswaldo de Oliveira, o famoso O.O. Já o Corinthians, apostou no retorno do maior técnico de sua centenária história: Tite, o Adenor. Ambos são treinadores experientes, vividos, mas possuem características marcantes para o bem e para o mal. Será que os clubes acertaram nas escolhas?

Como virou hábito no Palmeiras, o clube se preocupou boa parte de 2014 em não cair para a segunda divisão. No resto do tempo, o presidente se preocupou em negociar as renovações de contrato, vide o caso Alan Kardec. Após um Paulistão aceitável, no qual foi eliminado pelo Campeão Ituano, o Porco começou uma arrancada ladeira abaixo tanto em campo, quanto administrativamente.
O time que subiu para a Série A em 2013 era muito melhor que o time que encerrou 2014, na bacia das almas. Após o Campeonato Estadual, o Palmeiras perdeu Alan Kardec para o São Paulo porque o presidente ficou pechinchando até o limite uma diferença de R$ 5 mil mensais. Além disso, Valdívia, que havia sido negociado com o Mundo Árabe, se perdeu na Disney, não se apresentou no novo time por conta de diferenças salariais. Nem do alto salário do chineloleno o Palmeiras conseguiu se livrar, e o cão arrependido voltou com suas orelhas tão fartas, seu osso roído, e o rabo entra as patas o verso é repetido 44 vezes.
Paulo Nobre demitiu Gilson Kleina, o treinador que subiu com o time no ano anterior, e foi o responsável pela decente campanha no estadual. Por conta da ausência de opções no mercado nacional, foi buscar um substituto fora do Brasil. Enquanto isso, Alberto Valentim assumiu a equipe, e conseguiu somar alguns pontos (todos os pontos são importantes, tendo em vista o drama da última rodada). Veio Ricardo Gareca no meio de uma competição, com a missão de conhecer história, jogadores e torcida do Palmeiras, com o bonde andando.
Junto com ele, chegou uma penca de argentinos de sua confiança. 13 jogos depois, Gareca foi demitido, e os hermanos ficaram. Veio Dorival Júnior, cercado de desconfiança, após seus últimos trabalhos. Claro que ele não foi bem, mas o fato é que conseguiu os pontos que garantiram o Palmeiras na primeira divisão. Mesmo assim foi demitido para a chegada do grande O. O., ou Double O, para os íntimos.
Oswaldo de Oliveira é aquele treinador que todo mundo diz que é uma boa aposta, desde que não seja para seu time. É verdade que fez os milagres de dar um título estadual ao Botafogo e levar o alvinegro à Libertadores. Mas o trabalho no Santos não agradou. Sinceramente, não acho que tenha sido tão ruim assim. O time da terra do Estiva foi a sensação do primeiro semestre, com um jogo de velocidade e um rascunho de nova geração de “Meninos da Vila”. É verdade que perdeu o Paulistão para poderoso Ituano, mas o trabalho como um todo não foi um desastre completo. Basta ver a “diferença” que Enderson Moreira fez ao assumir seu lugar.
O Oswaldo que chega ao Palmeiras é um cara que precisa de tempo e de paciência do torcedor. Pode dar certo, desde que tenha um elenco melhor que o de 2014 nas mãos. Provou no Botafogo e no Santos que sabe trabalhar com a base, bom sinal para os garotos que seguraram o rojão no Porco ano passado.
Já no Corinthians, Tite é o escolhido para o lugar de Mano Menezes. Chega como unanimidade entre torcedores, jogadores, imprensa e diretoria. Mas se analisarmos o trabalho do Gaúcho anterior, vemos um clube que chegou à Libertadores em meio a uma reconstrução que o gaúcho atual não foi capaz de fazer. Em números, o trabalho de Mano não foi uma catástrofe.
Mano Menezes se desgastou com a torcida corintiana pelas retrancas que armava. Todos achavam que o Corinthians poderia fazer mais do que fez em termos de qualidade de futebol. Dá pra esperar isso de Tite? Eu duvido muito.
Tite ganha no fator identificação e carisma, mas vem da mesma escola de futebol de marcação de nomes como o próprio Mano Menezes, Celso Roth e Luis Filipe Scolari o Gaúcho de Bigode. O Adenor andou fazendo uns intercâmbios com Ancelotti, que é outro retranqueiro, adepto do catenaccio, e outros treinadores europeus. O Corinthians está apostando na história de sucesso de Tite e em sua capacidade de se reinventar nesse ano sabático que tirou (à espera da Seleção de Dunga).
O que vocês acham? Quem vai se sair melhor?