
Dando sequência a essa homérica saga de contar um pouco da história de cada Copa do Mundo, chegamos ao ano de 1938, na França. Pela primeira vez, as partidas seriam transmitidas por rádio a vários países do Mundo. Alemanha, Suíça, Hungria, Índias Orientais Holandesas (que porra é essa?), Suécia. Áustria, Cuba, Romênia, França, Bélgica, Itália, Noruega, Brasil, Polônia, República Tcheca, Eslováquia Tchecoslováquia, e Holanda foram os participantes da ocasião.
Podemos dizer que ser a sede de 1938 foi um prêmio de recompensa para a França, que apoiou Jules Rimet (Blatter da época) em 1930. Mas engana-se quem pensa que na Europa não tem a esculhambação que vemos hoje no Brasil. Sim, em 1938, a FIFA tinha medo de que a terra de Napoleão não tivesse estádios adequados a tempo. A entidade chegou até a cogitar uma organização conjunta entre França, Bélgica e Holanda, mas o país da Torre Eiffel mandou a parada sozinha mesmo.
Entretanto, a Argentina (sempre os argentinos) acreditava que a competição deveria voltar para a América do Sul. Isso não aconteceu entre outros motivos pela distância e a dificuldade logística que expliquei no primeiro texto da saga. Como protesto, os hermanos (sempre eles) catimbaram, fizeram cera boicotaram as eliminatórias e persuadiram Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, México, El Salvador e Suriname (grande bosta) a se solidarizarem com sua causa.
Como se não bastassem esses problemas, O Japão saiu nas eliminatórias por conta da guerra com a China e a Áustria, que havia se classificado, não disputou a competição porque havia sido anexada pela Alemanha. Muitas tretas depois, o melão rolou para as seleções que sobraram.
Pela primeira vez, a FIFA exigiu que cada equipe registrasse 22 jogadores na competição. Lembram das Índias Orientais Holandesas? Então… Pesquisando, enquanto preparava o texto, descobri que isso, nada mais é, do que aquilo que conhecemos como Indonésia nos dias de hoje. Isso pode ter pouca relevância no momento, mas deve-se destacar o nível de cultura que o Esquema de jogo lhe propicia.

Voltando à competição… O formato novamente foi o de mata-mata. Lembram que a Áustria virou Alemanha? Pois é… Por isso a Suécia passou a primeira fase automaticamente. Hungria, que bateu facilmente as Índias Orientais Holandesas por 6 a 0 e a França, que bateu a Bélgica por 3 a 1, foram as únicas equipes que passaram de fase no tempo regulamentar. O restante precisou de prorrogação ou de jogo-extra (não existia disputa por pênaltis).
Para evitar o blá blá blá de um monte de jogos que nada importam, vale resumir a Copa de 38 nos seguntes detalhes, além dos já mencionados nos parágrafos anteriores:
- Os jogadores italianos entravam em campo vaiados pelos franceses em todas as partidas, por conta do regime facista de seu país;
- Giuseppe Meazza, grande jogador da esquadra azzurra, deixou de ser centroavante para virar lateral-direito por conta do recém-chegado Silvio Piola. Mesmo assim, conseguiu ser um dos principais jogadores da competição;
- O Brasil contava com Leônidas da Silva, o Diamante Negro, que foi o inventor da bicicleta e autor de 7 gols na competição, sagrando-se assim o artilheiro maior do torneio;
- Mesmo com as vaias de 59 mil expectadores , a Itália eliminou a anfitriã, França, nas quartas de final;
- A Hungria teve o melhor ataque do torneio, com 15 gols marcados;
- A Seleção Brasileira ficou com o 3º lugar após uma vitória sobre a Suécia, em Bordeaux;
Na final contra a Hungria, a Itália teve a chance de mostrar ao Mundo que não venceu em 1934 por ser o país-sede, nem por influência de Benito Mussolini, mas sim por terem a melhor equipe. A vitória por 4 a 2 contra a forte seleção húngara no Parque dos Príncipes tratou de confirmar isso. Pela segunda vez em três Copas, o caneco ficou com a Itália.






