Esquema de Jogo

Colunas, entrevistas, análises e tudo sobre o esporte!

FUTEBOL CARIOCA. FEDERAÇÃO DE FUTEBOL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL.
Análise

Contradições

Contradições e contraindicações da volta e da volta atrás no Rio e em São Paulo.

Governador de São Paulo, João Dória, irritou clubes paulistas ao permitir treinos apenas no dia 1 de julho, 13 dias depois de a bola rolar, pelo planejamento da Federação do Estado do Rio de Janeiro (FERJ).

A atendente da padaria fez a pergunta do milhão às 8h30 (horário de Brasília) da manhã desta quarta-feira (17):

“O Flamengo vai ter transmissão de rádio”?

Impossível responder naquele horário, porque a Federação do Rio de Janeiro ainda esperava a publicação do Diário Oficial do estado, com a permissão da Secretaria da Saúde.

Vai sair, mas quantas e quais rádios conseguirão se credenciar a tempo de transmitir o jogo do retorno do Campeonato Carioca?

O dilema leva a um programa de organização, que lembra os piores tempos da Federação do Estado do Rio.

Lembra do Caixão 2002 ou dos seguidos W.O. nos clássicos do campeonato de 1998, vencido pelo Vasco.

Uma coisa é retomar o Campeonato Carioca com as autorizações do prefeito, do governador, dos secretários de saúde do estado e do município.

Durante três meses, dissemos que era preciso respeitar as autoridades sanitárias e, quando elas dizem que pode… Bingo!

Não acreditamos nelas.

Tudo parece ser política.

Mas dizer que não pode jogar num estado contaminado pela Covid e pelas prisões de três governadores é como entrar numa loja dentro de um shopping center liberado e pedir ao proprietário que feche as portas, porque o comércio pode aumentar o contágio.

O proprietário poderá argumentar que o governador e o prefeito permitiram a abertura.

A rigor, nenhum setor abriu mão de voltar ao trabalho depois das permissões das autoridades sanitárias.

Mesmo quem não acredita nelas.

O que leva de volta ao dilema da falta de organização.

Se a Federação do Rio assistisse à live organizada pelo Fluminense no domingo (14), entenderia que depois da exaltação aos treinos em casa, o preparador físico tricolor disse que precisava de mais quinze dias de pré-temporada.

Seria o tempo, por exemplo, de avisar à balconista onde e como ela poderá ver ou ou ouvir o jogo de seu time do coração.

Mais do que isso, seria a chance de deixar a população com a certeza de que nas duas próximas semanas seria possível organizar o retorno seguro, e haveria muita gente sedenta pelo jogo.

As contradições do Rio de Janeiro têm como contraponto a incerteza de São Paulo.

O presidente da Federação Paulista, Reinaldo Carneiro Bastos, chegou ao Palácio dos Bandeirantes certo de que o governador João Doria daria o aval para o retorno aos treinos na segunda-feira (22).

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) também tinha esta certeza.

Diferentemente disso, Doria autorizou só depois de 1 de julho.

Isto não deve adiar o início do Campeonato Paulista, que deve acontecer no meio de julho.

Em São Paulo, a volta atrás da permissão que parecia certa na última quinta-feira (11) e mais certeira na manhã desta quarta-feira (17) se dá também por política.

Se Witzel e Crivella estão nas mãos do governo federal, Doria está contra.

Se é pela saúde, perfeito.

Mas que sentido faz abrir o comércio de rua e os shopping centers e não permitir treinos individuais ao ar livre?

Faz sentido fechar tudo, por causa do recordes de mortes no Estado de São Paulo.

Mas abrir o comércio e deixar atletas treinando na varanda parece contraditório.

Tudo virou política, em nome da saúde.

A verdade é que, no meio da crise de falta de liderança do país, é difícil saber em quem ou em que acreditar.

O vice-presidente da República diz que é hora de colocar a bola no chão e atribui a Neném Prancha uma frase de Gentil Cardoso.

A bola está voando.

Reportagem: Blog do PVC

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confirme que você não é um robô. *