O judô é uma das modalidades que mais conquistou medalhas para o Brasil em Jogos Olímpicos. Ao todo foram 19 pódios, três deles dourados.
A expectativa para um bom desempenho dos judocas brasileiros na Olimpíada do Rio de Janeiro-2016 é muito alta. Um dos atletas que está se preparando para entrar nesse hall de vencedores olímpicos é o paulistano, de 26 anos, Charles Chibana, que compete na categoria meio-leve (-66 Kg).
“Toda competição é um degrau a caminho das Olimpíadas e também uma medalha olímpica”, ele afirma. Confira a entrevista completa que o judoca concedeu ao Esquema de Jogo:
Esquema de Jogo: Você conquistou a medalha de ouro na sua categoria nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em julho. Como foi disputar e triunfar na sua estreia em competições como essa?
Charles Chibana: Graças a Deus deu tudo certo. Fiz três lutas e consegui três ippons. Foram lutas difíceis, na primeira até caiu minha lente de contato. É bem duro, a gente fica tenso por conta da competição, bastante ansioso, porque era minha estreia. Mas deu tudo certo e consegui ficar com esse ouro.
Deu para sentir uma sensação do que pode encontrar na Olimpíada ano que vem?
Toda competição é um degrau a caminho das Olimpíadas e também uma medalha olímpica. São várias competições no ano, sempre tenho que estar bem, corrigindo os erros, para não errar em 2016, porque Olimpíada é de quatro em quatro anos.
Sua família foi te acompanhar no Canadá, teve uma força a mais vinda da arquibancada?
Na verdade, minha família inteira mesmo, tanto meus pais, meu avô – que já faleceu -, minha avó e meus tios. Nós moramos todos juntos no mesmo prédio, todos eles me apoiam bastante. Sempre quando dá todos procuram comparecer. No Mundial do Rio de Janeiro, por exemplo, como era domingo e o comércio que a gente tem não abre, todos conseguiram ir me assistir em 2013.
Dessa vez no Pan, como eu ia ficar um bom tempo fora lá no Canadá, não foi a família inteira que conseguiu vir, mas meus pais, minha avó, minha tia avó e meu primo puderam. Fico muito feliz e isso sempre me dá mais confiança, essa torcida a mais me ajuda bastante e a galera lá em casa, lá no prédio estava torcendo e mandaram até foto. Quando eu joguei de ippon, eles mandaram um vídeo da galera inteira gritando e torcendo.
Falando em Olimpíada, a sua grande meta agora é disputar a maior competição do esporte mundial? Quais os próximos torneios que você vai disputar visando já a classificação para os Jogos do Rio?
Depois do Grand Slam de Abu Dhabi – realizado no último final de semana de outubro – ainda não sei, mas é sempre bom continuar pontuando bem para estar como o melhor brasileiro da minha categoria no ranking mundial, e aí ser escolhido para lutar nas Olimpíadas.
Acha que pela competição ser disputada no Brasil, os judocas do país vão ter uma pressão a mais para obter bons resultados? O judô brasileiro sempre teve bons desempenhos em Olimpíadas e sempre trouxe medalhas. Esse fator pode representar mais um pouco de pressão?
Claro que pressão tem, tanto dentro de casa como fora, mas acho que tem que saber lidar com isso. O fato de a torcida ir, ajuda bastante. Tem que fazer um bom preparo psicológico, para essa pressão não atrapalhar, e sim, ajudar.
Os atletas agora dispõem do Centro Pan-Americano de Judô, em Lauro de Freitas (BA). Como você avalia a estrutura do local. É o local ideal para a preparação da delegação brasileira?
Fui uma vez. Tem uma megaestrutura, uma estrutura muito boa, que está sendo bastante utilizada, tem muitas competições brasileiras lá, bastante treinamento também. O que é muito bom, porque podemos sentir dentro de casa, que é um lugar do judô.
Como é a sua rotina de treinamentos? A alimentação e a parte de musculação são imprescindíveis para o seu bom desempenho?
Minha rotina de treinamentos acontece no meu clube, o Pinheiros, em São Paulo. Lá eu treino com outros judocas, como Thiago Camilo, Rafael Silva, Eric Takabatake e outros, e também faço minha parte de musculação. Com certeza, cada área da preparação é importante.
Você veio de uma família acostumada com as artes marciais. Isso foi fundamental para a sua iniciação na modalidade? Você praticou outros esportes quando era mais jovem?
Meu avô praticava karatê e passou isso para meu pai. Mas ele quis que os netos fizessem judô, pois gostava muito da filosofia, então todos os primos tinham que fazer judô. Eu comecei logo aos três anos, mas quando era pequeno gostava mais é de jogar futebol.
Você também é um atleta militar. O que os métodos do programa militar trouxeram de positivo na sua evolução como judoca?
Militar é nada menos do que a arte do judô, essa parte de sempre estar respeitando uma hierarquia, disciplina. Então na verdade casou as duas coisas, aprender mais pela pátria mesmo.
Na sua opinião, o Brasil está na elite do judô mundial? Vivemos um dos melhores momentos da modalidade no país?
Faz um tempo já que o Brasil vem conquistando seu espaço, isso mostra como muitos países vem buscar o conhecimento aqui e tem muitos países que querem vir fazer intercâmbio também, por exemplo, a equipe principal do Japão. Isso mostra que o Brasil está na elite.
No judô, os atletas se preparam por meses, anos e tudo pode acabar em apenas alguns segundos de desatenção no tatame. Acha que o judô é uma das modalidades esportivas mais imprevisíveis do esporte mundial?
Eu falo pelo judô. Acredito que no judô você tem que estar focado, 110%, porque você piscou, pode cair, então não é porque você é o primeiro do ranking, segundo ou terceiro que você vai ganhar muito fácil do último do ranking. Então, tudo pode acontecer na luta, é bem imprevisível, essa parte é bem cruel.
Como você enxerga o sucesso do MMA no mundo e principalmente no Brasil? Você gosta de acompanhar?
Na verdade, eu gosto bastante de MMA, gosto mais quando tem brasileiro lutando, ou quando tem lutador que vai disputar o cinturão, aí eu gosto de assistir, eu procuro sempre assistir. Treinar quem sabe, mas competir não sei, talvez. Tem que aprender a apanhar primeiro, não adianta só saber bater.
Crédito das fotos: Márcio Bruno/Confederação Brasileira de Judô (CBJ)






