A CBF anunciou as datas de disputa da recém criada Copa Verde. Clubes de Espírito Santo, da região Norte e da região Centro-Oeste disputarão o título, e a consequente vaga na Copa Sul americana, que para esses clubes, seria muito mais valiosa do que é para os grandes que disputam a Série A do Brasileirão. A partir do dia 19 de janeiro até 16 de fevereiro, 16 clubes de 11 estados estarão na disputa da competição, que já começa sendo muito controversa.

Em meio a discussões sobre o movimento Bom Senso F.C., que visa o cumprimento dos 30 dias de férias e de pré-temporada, além de redução drástica no número de jogos, a CBF anuncia mais uma competição. E isso sem acabar com os estaduais. Com certeza, os críticos pegarão pesado com a confederação. Aliás, a CBF mantém a ocupação de pessoas como nós, do Esquema, que analisamos futebol. Se tudo fosse uma maravilha, veículos assim não teriam muito sentido.
Os times que disputarão o novo campeonato serão: Desportiva (ES), Paysandu (PA), Remo (PA), Paragominas (PA), Nacional (AM), Princesa do Solimões (AM), Vilhena (RO), Náutico (RR), Oratório (AP), Cuiabá (MT), Mixto (MT), Cene (MS, Interporto(TO), Brasília (DF), Brasiliense (DF) e Plácido de Castro (AC). O formato é parecido com a Copa do Nordeste, que de certa forma, já é consagrada na região. Ministério do Esporte e a TV Esporte Interativo, que transmitirá o torneio, vão dividir os custos da competição. Os confrontos serão definidos pelo ranking da CBF em uma reunião no fim do mês de outubro na sede da entidade.
Em minha opinião, essa é uma grande novidade para o futebol brasileiro, mas há ressalvas. E não me refiro exclusivamente ao Bom Senso F.C, mas comecemos por ele. Os atletas se uniram para pedir um período de férias completo. Aí chega uma competição que começa em janeiro, e é sucedida pelos estaduais logo depois? Seria aceitável se nela, não jogassem times como Paysandu, Remo e Braziliense, que têm compromissos com competições nacionais durante todo o ano.

A outra ressalva que faço, é a desmoralização da Copa Sul Americana, que começa a ficar interessante pela vaga na Libertadores. É evidente que clubes de Série D são mais fracos que os da Série C, assim como os da Série C são mais fracos que os da Série B, e por aí vai. A Copa Verde pode ser vencida por times que não disputam nem a 4ª divisão nacional, o que esculhambaria novamente a Sul Americana, que esse ano já foi prejudicada pela CBF, quando a mesma mudou o calendário da Copa do Brasil. É o famoso “Dou com uma mão, mas tiro com a outra”.

Em contrapartida, a Copa Verde é um novo ânimo para times que acabaram sumindo do mapa nessa época de profissionalização do futebol. Dará a times esquecidos a chance de aparecerem para o Brasil novamente e, com isso, ganharem ânimo extra para a montagem de seus elencos, que até então era um catado de jogadores para jogar um ou dois meses no ano apenas. Com a competição, jogadores profissionais se interessarão mais por outros centros, além de Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul.
Ao mesmo tempo, cria-se uma rivalidade entre essas equipes, o que chama a atenção dos moradores, que passam a torcer pelos times de seus estados. A princípio pode parecer muito pouco, mas é uma tentativa válida de evitar que estádios como os de Cuiabá e de Amazonas virem elefantes-brancos após a Copa do Mundo. Por esses motivos, acho que a CBF foi bem nessa. Coisa rara hein? E você, o quê acha?





