O Programa “Inovação 4”, (trabalho de conclusão de curso dos amigos Roberto Vieira, Renata Nascimento e Ana Paula Silva, a famosa Paulete), abordou o fim de carreira dos jogadores de futebol. Tratei sobre o mesmo tema, também em meu TCC (Revista Fora de Campo), com a matéria http://blogesquemadejogo.wordpress.com/2012/06/07/apito-final/. Os amigos, no entanto, foram além e conseguiram uma bela entrevista com o capitão do Penta, o Cafu.
Estamos tentando passar o vídeo para a internet para que todos possam acompanhar esse belíssimo trabalho. Enquanto isso, curtam a transcrição da entrevista.
Você retornou ao Brasil, ouviu algumas propostas e parecia que acertaria a qualquer momento com um time, o que não aconteceu. Sua aposentadoria foi programada para 2008?
– Foi. Eu já tinha programado isso dois anos antes de chegar no Brasil, quando eu estava no Milan, eu já estava planejando isso.
Você conviveu com grandes jogadores do futebol mundial. Na sua opinião, o que acontece com jogadores que encerram suas carreiras e passam por dificuldades financeiras?
– A maioria não faz um planejamento pós-carreira, e isso é prejudicial para qualquer tipo de atleta.
Ronaldo Fenômeno postou no Twitter, logo após anunciar o fim de sua carreira, que jogador de futebol não tem direito a aposentadoria e que ele não achava isso justo. Você concorda com a opinião dele?
– Concordo. Eu acho que o atleta deveria sim ter uma aposentadoria, mas é preciso estudar de que maneira esse atleta a receberia. Por exemplo, eu conheço jogadores que passaram por mais de doze clubes. Como faz uma aposentadoria num caso desses?
Todo mundo sabe que você lutou muito para chegar onde chegou, passando por muitas peneiras. Se Marcos Evangelista não fosse jogador de futebol, que profissão ele teria seguido?
– Não sei. De repente eu poderia ser um jogador de vôlei, beach soccer, trabalharia como Office boy, como a maioria dos meus amigos da época.
Você teve muito sucesso durante sua carreira, mas se tivesse jogado apenas em times pequenos e tivesse uma realidade financeira diferente, teria seguido no futebol ou teria desistido?
– Não, desistir jamais. Eu acho que independente de você jogar num time grande ou num time pequeno, você nunca deve desistir dos seus sonhos. A palavra desistência não faz parte do meu vocabulário.
Você acha que administrou bem sua carreira?
– Eu acho que sim. Acho que administrei muito bem. Eu Não tenho nada a lamentar do que eu fiz. Eu sempre procurei ser uma pessoa muito correta, muito justa e muito honesta. Fiz as coisas certas. Me dediquei 1000% àquilo que eu gosto de fazer que é jogar futebol.
Em qual momento da sua carreira você parou para pensar em aposentadoria?
– Foi em 2005. Em 2007 para 2008 eu parei de jogar futebol, fiz meu último jogo no Milan e voltei ao Brasil.
Alguém lhe ajudou a escolher os investimentos que iria fazer pós-carreira?
– Não, isso fui eu mesmo. Sempre fui muito ligado no que acontecia no mercado, principalmente onde eu moro e no mercado mundial. Então eu sabia qual terreno era importante, apartamento era importante e casa era importante, porque é o tipo de investimento que você não perde nunca.
Você, Raí e Leonardo são exemplos de jogadores que têm um trabalho social muito consistente, mas até quando esses projetos vão durar?
– Até quando o nosso bolso aguentar. Sabemos que é um trabalho árduo, porém muito gratificante. Na maioria das vezes, quando falta dinheiro, acaba saindo dos nossos bolsos. Mas eu não me arrependo nunca de ter feito o que fiz. Minha fundação hoje tem 750 crianças no bairro onde eu nasci e fui criado, dando oportunidade a crianças que talvez não tivessem em outras ocasiões.






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