Uma final diferente no Carioca: SBT ganha audiência com transmissão, mas Fla-Flu tem pior Ibope em pelo menos três anos.
Compare dados do Kantar Ibope Media no Rio de Janeiro, em São Paulo e nas principais regiões metropolitanas do Brasil para dimensionar os resultados da incomum decisão do estadual.
A transmissão da final entre Flamengo e Fluminense no Campeonato Carioca pelo SBT foi descrita por muitos como histórica.
E de fato ela é. Desde que a Globo comprou os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro com exclusividade, em 1987, foram poucas as vezes em que a emissora não teve o domínio de todas ou quase todas as partidas.
Por ser rara, a ocasião dá a oportunidade ao mercado esportivo de medir resultados da transmissão feita pelo SBT, no caso, a do Fla-Flu que terminou com o time rubro-negro campeão estadual.
O GloboEsporte.com reuniu dados produzidos com base em amostragem pelo Kantar Ibope Media sobre audiências para dimensionar resultados de todos os envolvidos na final.
Sinteticamente, pode-se dizer que o SBT ganhou muito com a transmissão do Fla-Flu.
A sua audiência foi extraordinariamente alta para seus padrões.
A Globo perdeu pouco.
Seus índices foram ligeiramente mais baixos do que na semana anterior, e a liderança foi perdida no Rio de Janeiro para a concorrente enquanto a bola rolava no Maracanã.
Também é seguro afirmar que o Flamengo perdeu muito com a transmissão, bem como a FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) e todos os patrocinadores de ambas as instituições.
Seja em pontos, seja em quantidade de televisões ligadas, a audiência do Fla-Flu foi a mais baixa pelo menos desde 2017.
Rio de Janeiro: Na região metropolitana do Rio de Janeiro, ou Grande Rio de Janeiro, cada ponto representa 47.454 domicílios ou 121.090 indivíduos, segundo a métrica atualizada para 2020 do Kantar Ibope Media.
Transmitida pelo SBT, a final entre Flamengo e Fluminense no Carioca desta temporada foi o clássico de menor audiência pelo menos nos últimos três anos.
A partida teve média de 27,7 pontos no Ibope.
Quando consideradas apenas partidas jogadas em noites de quarta-feira, para que a comparação esteja correta, a final de 2017, na Globo, foi a mais popular.
Naquela ocasião, houve média de 39,9 pontos.
A quantidade de televisões ligadas também caiu, na comparação com demais clássicos.
Se em transmissões na Globo é comum ter mais da metade dos aparelhos cariocas sintonizados no Fla-Flu, com a exibição no SBT o “share” (percentual sobre total) caiu para menos de 38%.
Na comparação entre emissoras, a Globo perdeu a liderança enquanto a bola rolou no Maracanã, sem considerar o pré-jogo, especificamente entre 21 horas e 22h58.
A emissora marcou 26,9 pontos e perdeu 14% em relação ao mesmo horário da semana anterior.
Na média deste período, com bola rolando entre Flamengo e Fluminense, o SBT teve média de 27,7 pontos e registrou um acréscimo de 382% sobre a noite da quarta-feira passada, 15 de julho.
Números que evidenciam ter sido o maior beneficiado da transmissão da final.
Emissora 8 de julho de 2020 15 de julho de 2020 Variação:
Globo 31,4 26,9 -14%
Record 6,2 4,8 -22%
SBT 5,7 27,7 +382%
Band 0,5 0,7 -34%
TV paga 11,3 9,6 -15%
Fonte: Kantar Ibope Media (apenas no Rio de Janeiro entre 21 horas e 22h58).
É possível ter uma noção mais clara do comportamento do espectador ao separar as médias de audiência de acordo com a programação.
No caso da Globo, é comum que o Jornal Nacional tenha a liderança sobre a concorrência com larga vantagem e que a novela aumente o Ibope da emissora em mais alguns pontos no horário nobre.
Este padrão ocorreu nesta quarta-feira, porém com números mais baixos.
A Globo ainda transmitia o Jornal Nacional enquanto o SBT fazia o pré-jogo de Flamengo e Fluminense e transmitia o primeiro tempo.
Na média deste período, o canal de Silvio Santos triplicou a audiência em relação ao mesmo horário da semana passada, porém ainda na vice-liderança.
Emissora 8 de julho de 2020 15 de julho de 2020 Variação:
Globo (Jornal Nacional) 30,8 26,4 -14%
Record 8,1 7,6 -6%
SBT (Fla-Flu) 6,6 19,8 +199%
Band 0,6 0,8 +31%
TV paga 11,0 11,0 0%
Fonte: Ibope Kantar Media (apenas no Rio de Janeiro entre 20h40 e 21h37).
Quando a Globo encerrou o telejornal e começou a reprise da novela Fina Estampa, a sua audiência subiu em dois pontos.
O comportamento de seu espectador se manteve mesmo com futebol noutro canal.
Ao mesmo tempo, o SBT registrava acréscimo ainda mais expressivo em seu Ibope, de oito pontos.
O clássico terminava o primeiro tempo e faria o segundo, quando o interesse do torcedor geralmente aumenta.
Na comparação entre as faixas de horário da novela e do futebol, a audiência esteve empatada em 28,2 pontos para cada emissora.
É natural que o Ibope seja maior neste recorte de horário, do que na média de toda a transmissão, pois considera sobretudo o segundo tempo e os minutos anteriores à confirmação do título do Flamengo.
Emissora 8 de julho de 2020 15 de julho de 2020 Variação:
Globo (Fina Estampa) 32,2 28,2 -12%
Record 5,6 4,3 -22%
SBT (Fla-Flu) 5,9 28,2 +382%
Band 0,8 0,5 -43%
TV paga 11,2 9,3 -17%
Fonte: Kantar Ibope Media (apenas no Rio de Janeiro entre 21h38 e 22h58).
São Paulo: Na região metropolitana de São Paulo, cada ponto representa 74.987 domicílios ou 203.309 indivíduos no Kantar Ibope Media.
A considerar apenas o horário em que a bola rolou no Maracanã, o SBT teve um aumento significativo de sua audiência paulistana.
Os números sugerem que parte dos assinantes da televisão fechada migrou para a rede aberta para assistir à partida entre Flamengo e Fluminense.
A Globo ganhou ligeira audiência, apesar de não ter o futebol.
A Bandeirantes também teve um acréscimo.
Apenas a Record se manteve com o mesmo Ibope que havia contabilizado na quarta anterior.
Emissoras 8 de julho de 2020 15 de julho de 2020 Variação:
Globo 29,5 31,3 +6%
Record 5,0 5,0 0%
SBT 6,7 11,3 +69%
Band 1,1 1,2 +3%
TV paga 8,4 7,7 -7%
Fonte: Kantar Ibope Media (apenas em São Paulo entre 21 horas e 22h58).
Brasil: Na métrica mais abrangente do Kantar Ibope Media, são usadas as 15 maiores regiões metropolitanas brasileiras.
Cada ponto vale 260.558 domicílios ou 703.167 indivíduos no Painel Nacional de Televisão (PNT).
Enquanto a bola rolou no Maracanã entre Flamengo e Fluminense, sem considerar o pré-jogo, a Globo manteve a mesma audiência que havia registrado na quarta-feira anterior, 8 de julho.
O SBT mais do que dobrou a sua audiência a partir de espectadores que vieram dos outros canais gratuitos, Record e Bandeirantes, e também da televisão paga.
Os números indicam que a Globo, se tivesse a transmissão do futebol, poderia ter aberto liderança ainda mais folgada sobre as concorrentes no cenário nacional.
No entanto, a emissora não saiu prejudicada.
Emissoras 8 de julho de 2020 15 de julho de 2020 Variação:
Globo 28,6 28,6 0%
Record 5,3 5,1 -4%
SBT 7,5 16,0 +115%
Band 0,9 0,6 -30%
TV paga 8,4 7,3 -13%
Fonte: Kantar Ibope Media (nas 15 maiores regiões metropolitanas entre 21 horas e 22h58).
Confira os gráficos das audiências no link abaixo:
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





