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CAMPEONATO ACREANO DE 2020. HUMAITÁ-AC.
Análise

Artilheiro no Acre

Autor de 4 gols em 21 minutos entrou pela 1ª vez em campo em 2020 e tem contrato por jogo.

Atacante Bruninho recebe chance e brilha na goleada do Humaitá sobre o São Francisco por 8 a 0, na última quarta-feira (2).

Ele trabalha como autônomo e nunca ganhou mais de R$ 500 com futebol.

O Humaitá precisava de uma goleada de pelo menos quatro gols diante do São Francisco, na quinta rodada do segundo turno do Campeonato Acreano, na última quarta-feira (2), para assumir vice-liderança do grupo B a uma rodada do fim da fase de classificação.

E fez bem mais que isso. Contando com uma atuação iluminada do atacante Bruninho, que entrou aos 11 minutos do primeiro tempo, quando o Tourão de Porto Acre já vencia por 3 a 0 (gols de Vinícius, Nigéria e Cristiano), e em 21 minutos marcou quatro vezes: aos 19 minutos do segundo tempo, quando pegou na bola pela primeira vez, aos 21 minutos do segundo tempo, aos 24 minutos do segundo tempoe aos 32 minutos do segundo tempo.

Kall fechou a conta em 8 a 0.

O globo esporte conversou com o artilheiro do Humaitá, que pela primeira vez entrou em campo oficialmente nesta temporada.

Bruninho, 23 anos, esteve no Rio Branco-AC no primeiro semestre, mas não chegou a jogar pelo Estrelão.

Ele conta como foram os momentos entre sair do banco e entrar para a história da partida.

“Eu entrei com o planejamento já pensando no que fazer. Como sempre, por acompanhar o jogo lá do banco, já tinha mais ou menos ideia de onde deveria me posicionar pra fazer os gols. Fui abençoado por Deus, o professor pela primeira vez me deu essa chance de entrar numa partida. Vinha trabalhando certinho, não baixo a cabeça, não deixo me frustrar. O professor me colocou e acho que respondi ao que ele queria e ao que o grupo queria também. O grupo precisava do resultado, precisava de gols e deu tudo certo”, destaca.

O atacante revela a sensação ao marcar logo no primeiro toque na bola e depois ainda ter a oportunidade de voltar às redes outras três vezes.

“Na hora não tava acreditando porque na primeira bola que peguei já fiz o gol. Na segunda bola também. Dei mais duas assistências. Fui importante ajudando o grupo e estamos de olho na semifinal, esperando contra o Plácido fazer uma boa partida e classificar, se Deus nos abençoar”, conta.

Bruninho não sabe se terá uma oportunidade no time titular na partida contra o Plácido de Castro, válida pela última rodada, neste sábado (5), mas garante que vai seguir trabalhando para quando for acionado deixar sempre o melhor em campo com a camisa do Humaitá.

“Acho que isso depende muito do que o professor tem em mente. Não posso dar minha opinião. A gente responde em campo e nosso técnico é bem coerente com os jogadores. Estou de olho no meu espaço e vou continuar trabalhando. Só tenho a agradecer a Deus por esse momento da minha vida e continuo focado. Que nas próximas partidas que eu venha fazer, esteja com esse pé no céu, chutar é gol de novo”, declara.

O atacante não tem no futebol a renda principal para o sustento mensal.

Quando não está treinando com o elenco do Humaitá ou defendendo o clube no estadual, ele faz serviços de pedreiro, pintor, também ajuda em lives da igreja que frequenta e outros serviços que forem necessários e ajudem a ter algum tipo de renda.

Mas, apesar das dificuldades, segue acreditando que pode surgir uma oportunidade em um clube maior, sem esquecer de onde saiu. Inclusive, cita o desportista Francisco Dias, o Jangito, que faleceu recentemente, como um dos responsáveis por ainda sonhar em ter uma vida sólida como jogador de futebol profissional.

“Sempre planejei ser jogador. Desde os sete anos, comecei nas escolinhas (em Rio Branco), trabalhei com o Jangito. Fiquei bem sentido porque não vi o Jangito no jogo contra o São Francisco, que era um cara que me fez a base. Procuro ter acesso a um time maior, que é o que todo jovem sonha. Trabalho certinho pra isso. Um dia sim já pensei em desistir, mas sei que Deus coloca a gente pra trabalha, permite que a gente sofra em alguns momentos da nossa vida, mas acredito que ainda vai dar certo. Estou bem focado. Se as portas se abrirem pra mim, estou à disposição”, afirma.

Bruninho revela como obtém renda mensal e o que ganha com o futebol, citando a forma de contrato que tem com o Humaitá.

“Eu ganho o que faço trabalhando para os outros. Às vezes R$ 50 ou R$ 100. Com o futebol o contrato é por jogo e quem inicia jogando ganha R$ 150, quem entra depois R$ 100 e quem nem entra só R$ 50. Eu ganhei R$ 50 do jogo contra o Rio Branco (derrota por 3 a 1 na quarta rodada), que eu fiquei no banco. Mas não ganho nada específico. Nunca ganhei mais que R$ 500 com o futebol”, conclui.

O Humaitá decide o futuro no Campeonato Acreano neste sábado (5), em confronto com o Plácido de Castro, pela sexta e última rodada do segundo turno.

A partida será às 17 horas (horário do Acre), no estádio Florestão, em Rio Branco.

O Tourão de Porto Acre tem três pontos, ao lado do Náuas, mas com saldo de gols melhor que o Cacique do Juruá, por isso está na vice-liderança do grupo B.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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