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Ar limpo na Europa, um trabalho fora das 4 linhas.
Clubes da Europa criam Champions League do Ar Limpo.
Entenda.
Betis, Wolverhampton e mais clubes lançam projeto de monitoramento da qualidade do ar nos estádios e arredores, com o objetivo de aumentar a conscientização da população sobre poluição.
A poluição do ar provoca a morte de mais de 250 mil pessoas por ano na Europa hoje.
Clubes do continente se juntaram e lançaram neste mês um projeto inovador de monitoramento da qualidade do ar em seus estádios e arredores, chamado “Champions League do Ar Limpo”.
Clara referência à Liga dos Campeões, principal torneio de clubes europeus.
O objetivo é conscientizar os torcedores sobre esse problema e ajudar em sua solução.
A poluição do ar afeta praticamente todos os órgãos do corpo humano.
O material particulado fino, apontado por especialistas como o principal vilão, consegue penetrar profundamente nos pulmões, entrar na corrente sanguínea e causar inflamação.
Essa poluição pode levar a doenças respiratórias, como asma e bronquite crônica e pneumonia, e também cardiovasculares, tipo infartos agudos.
Até mesmo câncer.
Locais com a qualidade do ar frequentemente pior são: ruas e avenidas com trânsito intenso, especialmente aquelas com muitos veículos a diesel, como ônibus e caminhões.
Áreas residenciais e escolas próximas a rodovias e vias expressas.
Terminais rodoviários; zonas industriais.
A poluição atmosférica é um dos principais riscos ambientais para a saúde na Europa.
Mais de 279 mil mortes na União Europeia foram atribuídas à má qualidade do ar em 2023, segundo recente publicação da Agência Europeia do Ambiente.
Por outro lado, as mortes prematuras ligadas a particulas finas diminuíram 57% na União Europeia, entre 2005 e 2023.
99% da população da Terra respira ar considerado poluído pela Organização Mundial da Saúde.
omo funciona a Champions do Ar Limpo
4 clubes de 4 diferentes países e uma associação nacional fazem parte no momento dessa Champions: Haaglandse Football Club Alles Door Oefening Den Haag, da Holanda.
Betis, da Espanha, Bohemian Football Club, da Irlanda e Wolverhampton, da Inglaterra e a federação de futebol da Bulgária.
Essas instituições esportivas receberam financiamento da União Europeia para esse projeto, e a ambição é de expandir o grupo, já há conversas com outros clubes.
“A ideia original do projeto não era vencer a liga necessariamente, mas conscientizar as pessoas sobre a qualidade do ar. Em algumas cidades é muito ruim. Nosso consórcio tem clubes de diferentes tamanhos, diferentes formatos mas em relação a esse tema há muito em comum. Todos estamos lutando a mesma luta”, afirmou Lewis Walker, Chefe de Fundação do Haaglandse Football Club Alles Door Oefening Den Haag.
Cada um deles irá instalar um monitor da qualidade do ar no estádio e outro nos arredores, para a comunidade local.
O Wolverhampton, por exemplo, fez isso no Molineux, e o Sevilla no Estádio Olímpico La Cartuja.
O acompanhamento acontece em dias de jogo ou não.
“A qualidade do ar é considerado o maior risco ambiental para a saúde pública no Reino Unido, com a exposição prolongada à poluição atmosférica contribuindo para um número estimado de 26 mil a 38 mil mortes prematuras anualmente na Inglaterra. A região de West Midlands também é um importante foco de má qualidade do ar”, disse Richard Lewis, gerente escolar da fundação de caridade do Wolverhampton.
O funcionamento da liga conta com três pilares: o monitoramento da qualidade do ar, o sistema de competição entre os clubes, e a educação ambiental das comunidades.
Quanto melhores os índices de cada clube, melhor a sua posição na “Champions”.
Cada clube pôde escolher onde instalar no estádio e fora dele o equipamento de monitoramento da qualidade do ar, com sensores em tempo real.
Os dados coletados são depois apresentados numa espécie de campeonato de futebol.
O investimento para cada clube nisso foi de aproximadamente 15 mil euros (R$ 91 mil) para dois monitores.
Os 3 poluentes atmosféricos em destaque são partículas finas, dióxido de nitrogênio e ozônio.
“Esses monitores medem poluentes importantes, como material particulado. Os dados são exibidos publicamente por meio de uma classificação online dinâmica. Os clubes são classificados com base em indicadores, criando uma estrutura de sustentabilidade competitiva, porém positiva. O projeto não se trata apenas de medir a poluição, mas de mobilizar fãs e partes interessadas para que ajam”, explicou Fausto Scaldaferri, gerente técnico de sustentabilidade e Meio Ambiente do Betis.
As reuniões para a primeira edição da “Champions League do Ar Limpo” começaram no ano passado, mas a plataforma entrou no ar para valer em março de 2026, e a liga será concluída em fevereiro de 2027.
“Os clubes de futebol são instituições de grande visibilidade com fortes ligações às suas comunidades. Ao participarem na “Clean Air Champions League”, demonstram que podem ir além do campo e contribuir para enfrentar os desafios ambientais.
“As organizações de futebol podem usar as suas plataformas para sensibilizar, recolher dados relevantes e inspirar tanto os torcedores como outros clubes a tomarem medidas para um ambiente mais limpo e saudável” comentou o brasileiro Matheus Cavalcanti, gestor de projetos internacionais do Bohemian Football Club.
Para os clubes contribuírem mais para a qualidade do ar de suas cidades, eles podem trabalhar em parceria com as autoridades locais e oferecerem transporte público com subsídio ou desconto para os estádios.
Além disso, podem utilizar o fechamento de ruas para reduzir o congestionamento ao redor, especialmente em dias de jogos.
O Wolverhampton, por exemplo, oferece oficinas educacionais para escolas próximas de sua sede, grupos comunitários e de torcedores.
O consórcio de clubes mais a federação de futebol da Bulgária procuraram a UEFA (União das Associações Europeias de Fuetbol) para poder usar o nome “Champions League”.
A confederação europeia de futebol encorajou a iniciativa e é vista como possível parceiro na futura expansão do projeto.
Poluição no Brasil: pouco monitoramento: No Brasil, a poluição do ar é amplamente reconhecida como um dos principais fatores de risco para morte prematura.
Causou cerca de 320 mil mortes no país entre 2019 e 2021, segundo estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública (2025).
Os fatores para essa poluição variam no Brasil conforme a região.
As principais causas são as queimadas e o desmatamento, com maior incidência no Norte e no Centro-Oeste.
Na estação seca, a fumaça afeta não só a região amazônica, mas também é transportada para o Sul e o Sudeste.
Cerca de 60% dos moradores da Amazônia ficam expostos a níveis inseguros de qualidade do ar por até seis meses ao ano.
“De modo geral, a qualidade do ar no Brasil tende a ser pior do que na Europa, uma vez que nossa legislação é menos rigorosa e o monitoramento é menos abrangente. A Europa possui metas mais agressivas para o controle das emissões atmosféricas, e conta com uma rede de monitoramento da qualidade do ar densa e transparente. No Brasil, esse monitoramento ainda é incipiente, restrito a poucas capitais, com grandes lacunas de dados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, comentou a pesquisadora Renata da Costa, do Instituto Ar.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro