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FUTEBOL. SOFÁ.
Análise

Análise virtual

Análise: Vamos ter que olhar para o torcedor do sofá.

A retomada das atividades no esporte leva a um novo desafio: conectar-se com um torcedor cada vez mais virtual.

O novo normal do esporte será virtual.

Ou melhor.

A disputa até será real, mas quem realmente vai se dar bem é quem souber ativar o torcedor do sofá.

Esse será o grande desafio das entidades esportivas.

E deve colocar em um novo horizonte a relação do esporte com a mídia, ainda mais no Brasil.

Para conquistar o torcedor do sofá, o esporte precisa, urgentemente, entender que a mídia é um meio, e não um fim na sua relação com o torcedor.

Como ativar o sócio-torcedor se a ponta final da relação está na mídia, e não no clube?

De que forma fazer com que a relação com o torcedor aconteça durante uma transmissão de um evento se quem detém o direito de falar com o fã é a mídia, e não o clube?

É essa a principal diferença que existe hoje entre o esporte em todo o mundo e o Brasil.

Nós não falamos com o torcedor diretamente.

E isso ficou claro durante o período de confinamento que atravessamos.

A única entidade esportiva que consegue produzir algo além de competições de videogame para o torcedor é o NBB (Novo Basquete Brasil), que detém o controle da mídia e, assim, pode produzir conteúdo de formas diferentes.

Só que, além do isolamento social momentâneo, que acaba com o evento ao vivo, viveremos uma nova era, em que o contato com o torcedor seguirá virtual.

Não haverá a torcida no treino, no jogo, na porta do Centro de Treinamento cobrando desempenho.

Então, como fazer para conversar com o torcedor numa relação a distância?

Algumas iniciativas começaram a ser feitas.

Uma delas, lançada pelo Bahia, mostra que existe um caminho.

O clube usou a retransmissão feita pelo SporTV da semifinal do Brasileirão de 1988 para vender um ingresso virtual da partida.

Mas a adesão do torcedor se deu pelo saudosismo daquele time campeão nacional e, ainda, por causa da ação social que esteve atrelada a ele.

Em um cenário de competição em andamento, com o time de hoje disputando um campeonato, como conquistar o torcedor?

Teremos de aprender como planejar venda de ingressos virtuais, como oferecer algo exclusivo para o fã que puder dispender de um pouco mais de dinheiro para ter uma experiência que vá além do jogo na TV ou no streaming.

É hora de usar o tempo livre à espera do “quando tudo isso passar” para pensar em como planejar o esporte em que o torcedor vai ser cada vez mais virtual.

É preciso pensar em como engajar o fã lá do sofá de casa.

O esporte, que tinha por essência um hábito de consumo social, precisará entender que essa realidade estará muito distante.

Reportagem: Maquinadoesporte.uol.com.br

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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