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Profissionalização do segmento passa por mudanças de como os governos enxergam a indústria esportiva.
Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre o quanto o futebol brasileiro é, de maneira geral, mal gerenciado, o Cruzeiro fez questão de esclarecer a questão nesta semana.
Com a divulgação do déficit de inacreditáveis R$ 394 milhões em 2019, o clube mineiro explicitou o quanto a gestão amadora e irresponsável coloca em perigo a parte mais forte da indústria esportiva do Brasil.
E, quando o futebol sangra, gera-se uma apreensão econômica no país. Segundo levantamento da EY, a modalidade foi responsável por movimentar R$ 52,9 bilhões em 2018, o que representou 0,72% do PIB.
E o segmento mantém uma característica peculiar: é constantemente premiado pelo Estado, sem considerar o amadorismo dos bastidores que impede que esse número seja ainda mais significativo.
Com o modelo baseado em instituições sem fins lucrativos, apenas 1,4% desse valor foi transformado em imposto, um retorno muito inferior a outras indústrias do mercado.
Além disso, o Estado ainda favoreceu o esporte com o financiamento de diversas arenas na última década. É um sócio bondoso, que dispensa contrapartidas básicas.
A tentativa de reversão veio por meio do Profut, mas a iniciativa parece mais um meio de afagar a incompetência do que exigir melhorias.
Segundo a “Folha de S.Paulo”, nos quatro primeiros anos do programa, a dívida das equipes com a União já aumentou em R$ 100 milhões.
Neste mês, o balanço do Corinthians, por exemplo, mostrou que a equipe mantém dívida de R$ 110 milhões em Imposto de Renda e FGTS.
Outros clubes driblam as exigências que envolvem salários com os direitos de imagem.
Marinho, do Santos, afirmou que não recebe esse direito há quatro meses.
Os dirigentes mantêm o padrão da irresponsabilidade pela certeza de impunidade.
Hoje, o maior drama é a possibilidade de o clube ser excluído do Profut.
O Cruzeiro, em um caso extremo até mesmo para o futebol brasileiro, deverá ser o primeiro grande a receber a punição.
Mas, frente ao estrago financeiro feito na equipe, a imposição se torna pouco relevante.
Esse estará longe de ser o maior problema do time.
Está na hora de o Estado intervir no futebol.
Não mais como aquele que injeta dinheiro, como tem sido há décadas, mas como um agente de controle, com uma legislação própria que esteja alinhada a um universo altamente profissionalizado.
Na atual situação, o que se vê é um mercado incapaz de ser sustentável.
Esporte de alto rendimento tem que ser tratado como indústria, e não como um fardo imposto à sociedade como um todo.
Reportagem: Maquinadoesporte.com.br
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro