Coração de mãe e a paixão pelo futebol: histórias de torcedoras que vão além das arquibancadas.
GloboEsporte.com traz as histórias de quatro mães torcedoras que têm em comum a paixão pelos filhos e pelo futebol.
Hoje é Dia das Mães.
E neste dia especial, o GloboEsporte.com traz as histórias de quatro mães que têm em comum a paixão pelos filhos e pelo futebol.
Elas mostram o lado torcedora que é passado para os filhos e juntos no estádio.
Tem também coração de mãe que é tão grande que é capaz de abraçar um time inteiro.
Há mãe que é defensora dos jogadores nas arquibancadas e incentivadora nos vestiários. E ainda quem precisa controlar a emoção ao ver o filho em campo.
Confira as histórias de cada uma delas:
Fátima Almeida Rubio tem 51 anos e é mais que uma torcedora do Londrina.
Com três filhos e avó de dois neste, ela também é como uma mãe para os jogadores.
Além de acompanhar no estádio, Fátima está presente em cada embarque ou desembarque, sempre procurando conversar e incentivar cada um.
Liga quando é possível e fala também com as mães dos atletas, que muitas vezes estão longe.
“É um sentimento de mãe mesmo. Muitos deles ficam longe das mães, principalmente os mais novos. Sendo mulher e mãe, é impossível não ficar sensibilizada. A gente aconselha, acolhe, dá um abraço no aniversário e tira foto para mandar para mãe. E elas agradecem. Eu converso com as mães deles e vejo que é muita renúncia, é uma luta solitária”, disse Fátima, que é carinhosamente chamada de “tia” pelos jogadores.
Fátima conta que a paixão pelo futebol vem desde pequena.
Depois, ela foi a inspiração para os filhos irem ao estádio, seja para torcer pelo Londrina ou não.
Um deles torce pelo Athletico, e Fátima já fez de tudo para levá-lo à Arena da Baixada, na final da Sul-Americana, em 2018.
“Eu morava em Rolândia e via muito futebol de várzea. Ia com meu pai, com meu tio, achava bonita aquela relação, do companheirismo e da amizade nos jogos. Com meu filho, como o pai não gosta de futebol, então eu que o levava ao estádio. Depois eu comecei a ir em todo jogo. É muito gostoso torcer pelo Londrina. O futebol é gostoso pelo contato da torcida com os jogadores. Meus ídolos estão aqui perto”, comentou.
Defensora dos jogadores:
Tahiza do Carmo Stein é torcedora do Coritiba e uma defensora dos jogadores quando eles recebem xingamentos das arquibancadas.
Aos 62 anos, ela conta que leva bronca do filho, mas sempre responde os torcedores mais exaltados.
A presença constante de Tahiza no Couto Pereira se deve justamente ao filho Thyago.
Ele tinha oito anos quando o pai faleceu. Seis anos depois, em 2002, a mãe passou a ir junto com o filho ao estádio, e não parou mais.
“Às vezes eu quase apanho dos torcedores, porque defendo os jogadores. Levo bronca do filho, mas eu defendo mesmo. Já arrumei muita briga. Eu me coloco no lugar da mãe. Ali torcendo também tem um filho, uma mãe, uma esposa, os pais de um jogador. A sua paixão não pode ir para esse lado da maldade”, disse.
Junto com a ida ao estádio, mãe e filho começaram um papel de incentivo ao elenco do Coritiba. Começou com cartinhas que Thyago mandava para os jogadores e depois passou a cartazes com mensagens motivacionais que são colocados no vestiário.
“Um dia o Roberto Brum e mais dois jogadores estavam em uma locadora perto de casa. Eles autografaram uma camisa do Thyago e levaram ao hotel para os outros também assinarem. O meu filho levou uma cartinha para o Brum, no outro jogo, mandou uma carta para cada jogador. Depois de um tempo, começamos fazer os cartazes. Todos leem e agradecem o incentivo”, contou Tahiza.
Aquele encontro com os jogadores também levou a Tahiza decidir de ir pela primeira vez ao Couto Pereira com o filho.
Justo em um Atletiba.
Ela conta que naquele jogou deixou de pensar que estádio era violento e começou a ir com frequência.
Pelo futebol, seja nas arquibancadas ou pelas mensagens de incentivo, Tahiza fez amizades que mantém até hoje.
“A gente formou grandes amizades no estádio, hoje é uma grande família, sempre nos encontramos. E as mensagens trouxeram grandes amizades, como a família do Tcheco, a mãe dele é uma grande amiga, é uma irmã para mim. Tudo pelo futebol. O próprio Fernando Prass, o Lima. A gente teve muitas amizades por esse incentivo”,destacou.
De mãe para filho:
Najla Beatriz da Luz de Azevedo tem 47 anos e tem no Athletico uma das grandes paixões.
Tanto que quando ficou grávida já avisou que o filho também torceria pelo Furacão, mesmo com o pai sendo torcedor do Paraná.
“O pai dele é paranista, mas eu disse que como o filho é gerado por mim e ia torcer pelo meu time. Eu fui ao estádio quando estava grávida, dá para dizer que ele é literalmente um atleticano desde a barriga da mãe”, comentou.
O nome escolhido para o filho não tem ligação com o Rubro-Negro, mas demonstra a paixão da mãe pelo futebol: ele se chama Owairan, inspirado no jogador da Arábia Saudita que ficou conhecido como “Maradona das Arábias” por causa de um golaço feito na Copa de 1994, contra a Bélgica.
Owairan é sócio do Athletico desde os seis anos e virou um grande companheiro de Najla na Arena da Baixada ou em outros estádios, como La Bombonera, pela Taça Libertadores da América, ou no Beira-Rio, no título da Copa do Brasil.
“Sempre acreditei nisso, é um vínculo a mais, é um laço a mais com o filho. Não amaria menos se ele torcesse pelo Coxa, eu acho (risos). Mas sempre quis que ele tivesse essa relação comigo, essa lembrança. Queria que ele guardasse tudo o que viveu e continua vivenciando ali”, contou.
Mãe de jogador sofre:
Regiane Lamoglia tem 50 anos e é mãe do atacante Lucas Batatinha, do Operário-PR.
Apesar de ser a fã número um do filho, ela conta que não é fácil ser “mãe de jogador”, principalmente pelas coisas que tem que escutar quando vai ao estádio.
“É difícil se adaptar com esse mundo de futebol. Quando está no auge, tudo bem. Mas quando não, tem que ouvir umas coisas que não são fáceis. Quando tem os jogos, eu prefiro às vezes assistir de casa. No estádio você escuta muita coisa. O pessoal cobra bastante dele. Até eu me adaptar é bem difícil. Eu fico quieta, quase nem olho para trás. Tem gente que não entende. Eu sei quando ele joga bem e o quanto ele batalha”, disse.
O futebol ficou mais próximo de Regiane a partir do momento que Lucas decidiu se tornar jogador.
Como principal lembrança nos jogos que viu o filho de perto, ela destaca a vitória sobre o Maranhão, em 2017, quando Batatinha fez um dos gols e garantiu o acesso do Operário-PR à Série C do Brasileiro.
“Eu não ia muito ao estádio. Depois que o Lucas entrou como profissional, aí comecei a ir bastante. Eu vou, gosto, torço. Ele gosta muito de ver a família no estádio, entra em campo e já procura a gente. Naquele jogo, ele fez o gol, veio correndo e conseguiu comemorar com toda a família. Foi emocionante”, detalhou.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





