“Estamos prontos para ajudar”, diz dirigente do Campeonato Alemão sobre contato com ligas de outros países.
Para Robert Klein, CEO da Bundesliga Internacional, volta do futebol no país pode servir de modelo até para outros esportes.
Um dia após o encerramento da vigésima sexta rodada do Campeonato Alemão, a primeira após 66 dias de paralisação do futebol no país pela pandemia de coronavírus, o CEO da Bundesliga Internacional, Robert Klein, fez um primeiro balanço do retorno da competição, em conversa nesta terça-feira (19) por vídeo-conferência com jornalistas da América Latina.
Para o dirigente, o passo dado pela Alemanha, primeiro país da Europa Central a retomar competições esportivas, com jogos da primeira e segunda divisões da Bundesliga, pode ajudar as ligas de outros países, até mesmo de outros esportes, no processo de retorno.
“Nós queríamos ser transparentes em nosso processo, e poder compartilhar nossa experiência com todas as ligas do mundo, não só de futebol. Tivemos muitos contatos, ao longo da semana, muitos dizendo que estavam felizes que o esporte está de volta. Trocamos experiências com eles, entendendo que cada liga e cada país está em um processo diferente e em um estágio diferente da Covid-19, mas nós estamos prontos para ajudar”, afirmou Klein, que conversou com os jornalistas de sua casa, na Áustria.
“Nesses tempos difíceis, as atividades que o futebol está fazendo, que os clubes estão fazendo em suas comunidades, mostra um sentimento de solidariedade, e acho que isso é muito positivo”, completou.
Das grandes ligas europeias de futebol, a França foi a única a já ter anunciado o fim da temporada. Portugal marcou o retorno da primeira divisão para 4 de junho.
Itália, Inglaterra e Espanha ainda não têm previsão sobre a volta ou mesmo garantia de que será possível concluir a temporada.
Embora o futebol na Alemanha tenha voltado, com previsão de encerramento da Bundesliga no fim de junho e a final da Copa da Alemanha no início de julho, Klein acredita que é cedo para tentar entender totalmente o impacto dos dois meses sem futebol para a Bundesliga, especialmente no aspecto financeiro.
“É um estágio muito inicial, ainda estamos trabalhando no nosso foco principal, que é terminar a liga e a temporada, e claro focados mais ainda na saúde dos jogadores, técnico e todas as pessoas envolvidas. Acho que o tempo de reflexão e aprendizado virá depois”, declarou.
Se o futebol já está de volta na Alemanha, o público continua impedido por medida de precaução de ir aos estádios, uma situação ainda sem previsão de ser resolvida.
“Definitivamente, estádios vazios são muito incomuns na Bundesliga, mas tivemos as maiores audiências dos jogos ao vivo em média. É algo com que teremos de lidar. Estou conversando todos os dias com os nossos parceiros internacionais, e eles estão muito satisfeitos com a audiência dos jogos ao vivo. O que temos que fazer é buscar um novo jeito de produzir, pensar fora da caixa para entender essa nova situação. Jogos com estádios vazios são um grande desafio”, admitiu Klein.
O dirigente elogiou a iniciativa que alguns clubes tomaram para “ter” público nas arquibancadas, especialmente o Borussia Mönchengladbah, que vai espalhar fotos de torcedores na arquibancada no jogo do próximo sábado, contra o Bayer Leverkusen.
Klein ressaltou que, embora cada torcedor tenha pago 19 euros (carca de R$ 108) para ter sua foto no estádio, além de 2,5 euros como “ingresso simbólico”, a iniciativa não tem como finalidade diminuir as perdas econômicas com a ausência de torcedores.
“O Borussia deu um grande exemplo, mas a iniciativa não é para ter lucro, e sim para levantar fundos para projetos locais de caridade. Parte do dinheiro será doado, e o restante pagará o custo de produção das fotos. Todos os clubes estão pensando em iniciativas ligadas às suas comunidades, mas não visando lucro”.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





