Fábio diz que Cruzeiro não aceitou sequer redução salarial e se despede do clube: “Dor e gratidão”.
Goleiro diz que atual gestão ofereceu três meses de contrato e não quis ouvi-lo, mesmo com ele cogitando a possibilidade de reduzir o salário e negociar as dívidas de anos anteriores.
Fábio não joga mais pelo Cruzeiro.
O goleiro não chegou a um acordo com o clube pela renovação do contrato que se encerrou no último dia 31 de dezembro e usou as redes sociais, na noite desta quarta-feira (5), para se despedir oficialmente.
Com contrato até o último dia 31 de dezembro, ele havia apalavrado uma renovação com a antiga gestão.
Mas, em moldes que o grupo comandado por Ronaldo Fenômeno considera ser acima dos padrões possíveis.
A atual gestão, de acordo com o goleiro, ofereceu contrato de três meses, para que ele pudesse realizar a despedida.
As negociações entre as partes se dariam em duas frentes: a primeira foi sobre uma redução salarial.
A segunda e mais complexa de resolver era uma dívida milionária em relação a recentes repactuações salariais.
O débito do clube com o goleiro era milionário e de responsabilidade do Cruzeiro associação, não da SAF (Sociedade Anônima do Futebol).
Assim, o jogador ficou sem garantias sobre o pagamento.
Na publicação nas redes sociais, o goleiro disse que não lhe foi dada sequer a opção de readequar os salários.
O goleiro também disse que se mostrou aberto para negociar os débitos de anos anteriores.
Em vão, segundo relato.
O goleiro também disse que a reunião realizada nessa quarta-feira, a primeira para debater sobre o futuro no clube, foi conduzida por Pedro Martins, diretor executivo, e Gabriel Lima, que trabalha na transição para a equipe do Ronaldo.
Fábio criticou a postura de Paulo André, gestor que trabalhou com ele no clube quando era jogador.
“Paulo André, que estava na sala ao lado, não teve sequer a consideração de me cumprimentar, sendo ele um ex-companheiro de clube”.
Fábio também fez questão de agradecer à torcida, de quem também pediu apoio para superar o momento.
“Gratidão, Cruzeiro Esporte Clube e Nação Azul, serão eternos na minha vida. Eu e minha família choramos nesse momento, mas gratos e confiantes que Deus nunca nos desampara. Conto com o carinho e o respeito de vocês nesse momento tão difícil”.
A história: Fábio chegou ao Cruzeiro pela primeira vez no fim dos anos 1990.
Não teve muitas oportunidades, mas fez parte do elenco campeão da Copa do Brasil de 2000.
Saiu para o Vasco, mas voltou em 2005 para assumir de vez a meta do Cruzeiro.
Viveu altos e baixos nos primeiros anos, até se firmar a partir de 2008.
Com 976 partidas pelo clube, buscou a renovação para, entre outros objetivos, atingir os mil jogos vestindo a camisa estrelada.
Entre 2008 e 2012, já foi um dos principais nomes do elenco cruzeirense.
Bateu na trave na Taça Libertadores da América, em 2009, e no Brasileiro, em 2010.
Em 2013, chegou o momento tão esperado: o primeiro título de expressão.
Como destaque, ergueu a taça do Campeonato Brasileiro.
No ano seguinte, manteve-se em alto nível e chegou ao bicampeonato nacional.
Também foi peça importante para evitar o rebaixamento em 2015.
Teve uma grave lesão em 2016, viu Rafael assumir a meta celeste, mas retornou em um nível ainda mais alto.
O goleiro foi fundamental nas conquistas da Copa do Brasil de 2017 e 2018, aparecendo como protagonista nas disputas de pênaltis contra Santos e Flamengo.
Fábio deixa o Cruzeiro com 976 jogos. Além dos cinco nacionais, conquistou sete edições do Campeonato Mineiro.
Confira o comunicado de Fábio no link abaixo:
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro





