Em dezembro de 2014 foi anunciado o contrato de exclusividade entre o UFC e o gigante do mercado esportivo Reebook, nos moldes que temos na NBA (Adidas) e NFL (Nike). O contrato ainda não entrou em vigor, mas é previsto que todos os lutadores deverão utilizar apenas a marca da Reebook durante suas lutas pela organização. O Assunto voltou à tona nos últimos dias, pois a lista de pagamentos por combate foi vazada na internet e isso revoltou diversos atletas que alegam ser os mais prejudicados com este contrato.
Mesmo com o presidente do UFC Dana White garantindo que a organização não ganhará nada com esta parceria, e que a mesma apenas beneficia os lutadores, um grande movimento de debandada pode acontecer em breve. A organização de lutas Bellator vem ganhando espaço e já vem se beneficiando da ocasião. Temos que analisar esta questão por diversas perspectivas para entender o contexto em que o MMA poderá estar inserido nos próximos anos.

UFC
Dana White em entrevista ao site MMA Fighting alegou: “Quando falamos de repassar todo o dinheiro deste acordo para os atletas, queremos que eles saibam que, agora, eles não precisarão correr atrás de novos patrocínios a cada dois meses. Eles terão um valor fixo após cada luta, e ainda receberão 20% de tudo o que for vendido com o seu nome ao redor do mundo.”
Muitas ligas possuem contratos nestes moldes, isso não é novidade. Ao anunciar a parceria, Dana White arriscou grande em uma mudança no esporte, em uma profissionalização na forma de remunerar os atletas, porém após divulgarem os valores, ficou claro que muitos lutadores perderão patrocinadores ou terão suas quantias diminuídas em cada aparição no octógono.
As premiações que serão pagas pela Reebook variam entre U$ 2.500 e U$ 40.000 dependendo do número de lutas que o atleta já realizou dentro do evento. O pagamento máximo refere-se a uma luta pelo título. O valor pode parecer alto, mas se compararmos com o que alguns atletas de renome arrecadam anunciando três, quatro ou até cinco patrocinadores por luta, o valor é irrisório.
Para o UFC, em minha opinião, foi um tiro no pé. O que difere o MMA do basquete, no caso de compararmos os contratos Adidas/NBA e UFC/Reebook, é o fato de que a NBA não possui uma liga concorrente, o UFC sim. O Bellator não para de crescer e seu dono afirmou que o número de patrocinadores aumentou e muito após esta polêmica. O contato de lutadores querendo romper com o UFC também. O UFC deverá perder muitos lutadores para seu concorrente pelo simples fato de que alguns lutadores serão mais bem remunerados em outra organização. Phil Davis é o principal nome até o momento que deixou o UFC rumo ao Bellator. Mesmo com os 20% nos lucros da venda de materiais esportivos, os lutadores não devem alcançar valores altos á curto prazo. Este modelo de contrato requer tempo e paciência. Não é abusivo contra os lutadores, porém se tornará rentável caso às vendas da marca alcancem níveis altos. Caso contrário, me parece uma maneira mais rentável, obter vários patrocinadores paralelos a organização.
Os lutadores
Brendan Schaub, Tim Kenedy e Erick Silva são apenas alguns dos diversos lutadores que demonstraram descontentamento com os valores propostos. Segundo Brendan Schaub, ele arrecada mais de seis dígitos com patrocínios durante suas lutas e nos novos moldes, iria arrecadar apenas U$ 10.000.
Erick Silva afirmou que ao fazer as contas com seu empresário, seu prejuízo pode chegar a R$ 40.000 por mês. Muitos não divulgaram valores, mas afirmaram que tem perdido patrocinadores desde que o anúncio foi feito. Imagino que estes patrocinadores, seja eles de produtos alimentícios, de suplementação ou marcas esportivas, se sentem prejudicados logo que a maior exposição de suas marcas eram exatamente durante os eventos. Não duvido que estes pressionem seus lutadores a migrarem para o Bellator, onde, terão certamente a exposição que almejam.
Especula-se nos bastidores que uma associação de lutadores profissionais de MMA será criada para fortalecer o direito de voz dos atletas e acho extremamente benéfico se isso vir a acontecer. Mudanças precisam acontecer no esporte, porém elas devem beneficiar os protagonistas, não prejudicá-los.
Me parece ser a grande chance de crescimento do Bellator. O evento já conta com muitos lutadores de nível alto, porém os melhores sempre preferem o UFC, pois a organização era a mais rentável e proporcionava melhor visibilidade para obter patrocínios. Tendo em vista que estes patrocinadores não mais poderão anunciar através dos atletas, muitos devem investir nesta “liga secundária”.
Devemos ter muitos fatos acrescentados no decorrer dos próximos meses, mas uma certeza eu tenho… Esta parceria polêmica diminui a disparidade entre UFC e Bellator e também deve culminar na MMAFA ou Mixed Martial Arts Fighters Association.
Osssss!






