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Análise

A hora e a vez dos clubes brasileiros

2016 tem tudo para ser um ano marcante para o futebol brasileiro. Motivos para acreditar não faltam: Realização da Primeira Liga, enfraquecimento da CBF e de suas Federações, e, segundo o Blog do Perrone, a Turner, grupo de mídia que controla entre outros canais, o Esporte Interativo, para peitar a TVG (Globo, para quem não se lembra) pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

Sobre a Primeira Liga, ou Copa Sul-Minas-Rio, é verdade que há um movimento absurdo para inviabilizá-la. Inconformadas, Federações Estaduais, sobretudo a do Rio de Janeiro (FERJ), fazem o que podem para não permitir a realização do torneio organizado pelos clubes. Estão recorrendo ao velho jogo de cartas marcadas que tanto faz mal ao nosso futebol.

Mas, ao contrário de anos atrás, a CBF nunca esteve tão enfraquecida. A perda de credibilidade da entidade dá aos opositores margem para acreditar numa rebelião. A Confederação faz sua parte. Ameaça quem não cumprir suas ordens de desfiliação

CapturarSerá? Será que em meio a tanta turbulência, a CBF teria coragem de tirar Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Atlético MG, Internacional e Cruzeiro da Série A? Será que removeria a vaga do Galo na Libertadores? Quem tem mais a perder nessa história?

Em meio às ameaças dos cartrolas, a Primeira Liga começa hoje, com jogos muito mais interessantes que os modorrentos estaduais. Afinal, como você pretende voltar a acompanhar o futebol em 2016? Com um Flamengo x Atlético MG, ou com um Vasco X Madureira?

Não tenho nada contra os clubes pequenos. Acho que eles são vítimas de uma estrutura toda bagunçada, que não favorece em nada os menores times. Já disse aqui em 2014 que a CBF precisa criar um calendário que preveja jogos para essas equipes durante o ano inteiro.

Por quê a Inglaterra consegue organizar 7 divisões e o Brasil não dá conta nem de cuidar de 4? Nosso território é muito maior e, consequentemente, temos muito mais clubes que precisam de motivos melhores que os estaduais para seguirem em atividade.

campeonato_brasileiro_2016_serie_a_cota_de_televisao_tv_560_2.jpgSobre as cotas de televisão, esta pode ser a grande notícia do ano. Apesar de sets clubes já terem fechado com a Globo, a entrada do Grupo Turner na parada pode ser o estopim para uma profunda transformação. Segundo o jornalista Ricardo Perrone, a dona do canal Esporte Interativo, tem insistido pra os cartolas compararem sua oferta só com o que a Globo paga pela exibição das partidas em TV fechada.

Segundo as informações, a Turner só tem interesse na TV fechada e ofereceu cerca de R$550 milhões para serem divididos entre os 20 clubes da Série A. De acordo com números apresentados durante as reuniões, a Globo paga nessa modalidade aproximadamente de R$ 60 milhões rachados entre os clubes. Os valores variam conforme o time.

A diferença é que a Globo investe pouco mais de R$ 1,3 bilhão no contrato entre Pay-Per-View e TV aberta também. No entanto, a negociação para 2018 previa redução desses valores.

Por quê a oferta seria tão importante? Para evitar a ‘espanholização’ do Campeonato Brasileiro. Real Madrid e Barcelona abocanham a maior parte do valor das transmissões de La Liga. O resultado é a completa polarização entre os dois clubes, ano após ano.

A Turner oferece aos clubes um modelo utilizado no Campeonato Inglês, onde o dinheiro total é dividido da seguinte forma: 50% de maneira igual, 25% pela audiência e 25% conforme o desempenho esportivo. Quem acompanhou a última janela de verão na Inglaterra, viu as cotratações que equipes médias e pequenas puderam fazer para a temporada. Quem acompanha a Premier League, está vendo o modesto Leicester na liderança da competição.

Atualmente, Corinthians e Flamengo recebem 385% a mais que os clubes que recebem menos da televisão. Na Inglaterra, a diferença entre primeiro e último não passa de 50%.

Os clubes temem que, ao fechar com a Turner, a Globo, como retaliação, poderia não comprar os jogos para TV Aberta e Pay-Per-View. Assim, a Turner se comprometeu a adquirir também os direitos para TV aberta caso eles não sejam comercializados até o início de 2019, quando começaria o novo contrato, com validade de seis anos. Nesse caso, tentaria repassar as partidas para outra emissora.

Vale acompanhar a briga.

Mas nada disso terá valor se os clubes pensarem apenas em si mesmos, como o Corinthians fez ao implodir o Clube dos 13, ampliando assim o poder da CBF.

 

 

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