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Análise

A difícil hora de parar – UFC 204

“Parar enquanto estiver à frente, não é o mesmo que desistir.” Esta célebre frase, utilizada no filme Gangster Americano em 2007 remete a uma das grandes discussões em torno do esporte mundial… Quando é a hora certa de parar? Uma aposentadoria decadente e tardia apaga as glórias passadas de um atleta? Parar no auge e evitar a queda de rendimento físico em competições por conta da idade é a aposentadoria ideal para lendas do esporte?

No UFC 204 que ocorreu neste último sábado, dois atletas da velha guarda do UFC entraram no octógono para protagonizar as principais lutas da noite. Vitor Belfort de 39 anos e Dan Henderson de 43.  Lendas do MMA, em estágios completamente diferentes de suas carreiras. Um, parou… O outro está longe disso.

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Polêmica: Bisping comemora vitória, apesar do castigo sofrido no combate.

O americano Dan Henderson havia anunciado antes do evento que esta seria sua última luta profissional de MMA na carreira e despediu-se em alto nível apesar da idade. Disputou cinturão, foi derrotado pela decisão dos juízes em anúncio muito polêmico, tendo em vista o estrago feito no atual campeão Michael Bisping e ainda por cima, teve em sua última luta uma de suas maiores atuações no MMA. A “Bomba H”, apelido conquistado pelos poderosos nocautes que colecionou na carreira, carregou por muito tempo a sina de nunca ser nocauteado. Sempre esteve no auge enfrentando os melhores de diversas gerações. De Fedor a Anderson Silva, Dan representou muito bem seu estilo de luta e seu país, mas sua carreira chega ao fim.  Despediu-se no auge? Isso é discutível. Sofreu derrotas para oponentes que outrora não teriam chance, porém sempre foi um lutador que se absteve do egocentrismo que cerca muitos esportistas de alto nível. Nunca se preocupou com recordes, nunca escolheu lutas… e de certa forma, soube quando parar. Despediu-se contra um antigo desafeto, fazendo a luta principal, entregou todas suas técnicas conhecidas e consagradas e despediu-se como sua história merecia. Na contramão do americano, vêm alguns brasileiros… Um deles, Vitor Belfort.

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Passou por cima: Mousasi nocauteia Vitor Belfort aos 02:43 do 2° Round!

A lenda brasileira fez o co-main event do UFC 204, enfrentando Gegard Mousasi de 31 anos. E foi nocauteado no segundo round. Atualmente Vitor Belfort está no top 5 de sua categoria e ao contrário de Dan Henderson, não pensa em aposentadoria tão cedo. Vitor luta desde os 18 anos… Tem mais tempo dentro de um octógono do que de vida fora dele, conquistou cinturões, perdeu cinturões, entregou lindos nocautes e foi nocauteado lindamente algumas vezes. Tudo normal para um atleta com 21 anos de MMA, nada do que acontecer apagará o que ele já fez pelo esporte, porém a hora de parar, não é necessariamente o momento em que seu corpo o “abandona” por conta da idade. Quando tal situação ocorre, vejo como uma falta de controle do atleta sob sua carreira.

No Futebol, temos exemplos como Alex (ex-Coritiba/Palmeiras/Fernerbahce) que se aposentou conscientemente sem manchar sua história com atuações fracas e temos exemplos como Rivaldo (ex-Palmeiras/Barcelona/Brasil)… Jogador que prolonga sua carreira para jogar em qualquer clube que lhe dê espaço, fazendo com que muitos ignorem seu passado vencedor. Para muitos, atletas como Rivaldo mancham uma carreira vitoriosa ao não saber a hora de parar. Podemos traçar um paralelo com o lutador Anderson Silva. O que Spider fez no MMA foi fora do normal, o desempenho, o número de nocautes, de defesas de cinturão… são recordes que jamais serão apagados da história, porém basta perguntarmos para qualquer pessoa sobre sua opinião a cerca de Spider e uma grande maioria o tratará como um fracasso,  um lutador ultrapassado ou até como um produto inventado pela mídia.

Os fãs e a crítica não perdoam e nem devem. Muitas vezes o próprio atleta não respeita sua própria história ao prolongar sua aposentadoria por motivos comerciais ou psicológicos. Cabe ao próprio atleta decidir qual será o fim de sua carreira. Uma parada enquanto está à frente, ou uma despedida melancólica?

Não existe resposta certa as três perguntas feitas no início do texto, pois para cada qual, uma resposta é ideal.

Para Dan Henderson, este foi o momento certo de parar. Já para Vitor Belfort, talvez este momento tenha passado.

Oss!

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