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Análise

A consagração do “novo” no Brasileirão

Não é raro ler/ouvir/assistir comentaristas, jornalistas, jogadores e treinadores pedindo mudanças no futebol brasileiro. O clamor ficou ainda mais evidente após a acachapante derrota para a Alemanha no Mineirão por 7 a 1. E as cobranças são mais do que justas. Clubes estão quebrados, muitos estádios estão sucateados (inclusive alguns elefantes brancos da FIFA), jogadores insatisfeitos com constantes atrasos de salário, audiência cada vez mais baixa na televisão, entre outros fatores. Outro fato cada vez mais comum é vermos estádios com ocupação baixíssima, e, por consequência, milhares e milhares de assentos vazios.

Sobre esse último problema, diversas hipóteses foram levantadas, afinal de contas, o futebol brasileiro perde em média de público até mesmo para o “recém-nascido” futebol dos Estados Unidos. O problema é preço? Estádios ruins? Jogos pouco atrativos? Ausência de craques? Sim, tudo isso colabora bastante, mas uma novidade tem mostrado que podemos alcançar bons números, se pararmos de resistir às mudanças que são tão necessárias quanto evidentes no nosso futebol. Esse ano, a CBF anunciou que algumas partidas seriam realizadas às 11h00 dos domingos em caráter de teste.

Em um primeiro momento, houve uma ala conservadora que torceu o nariz, como esperado. As alegações eram diversas. Os clubes que jogaram nesse horário precisaram impor algumas mudanças na rotina de preparação para as partidas. O Atlético-MG, por exemplo, que não praticava a concentração antes dos jogos desde que Levir Culpi assumiu o cargo, teve que modificar a programação. Os atletas tiveram que se apresentar na Cidade do Galo às 20h do sábado, na prévia do confronto com o Joinville, válido pela 9ª rodada. Nutricionistas alegam que as equipes devem adequar a alimentação dos atletas ao horário que os mesmos disputarão a partida.

Público em jogos às 11h
Público em jogos às 11h

A contrapartida definitiva está na aceitação do torcedor. Nas dez partidas disputadas até então no horário, a média de público é de 27674,6 torcedores por jogo. Pode não parecer grande coisa, mas a média total da competição até então, é de 15.229 por jogo. Esse número é muito baixo, principalmente se considerarmos as novas arenas que ficaram após a Copa do Mundo de 2014. A média de público dos times brasileiros na última Libertadores, por exemplo, supera 32 mil pessoas.

O Campeonato Brasileiro pode ter diversos problemas estruturais. O que não podemos é aceitar que seja sempre assim. O “novo” criado pela CBF, com jogos às 11 horas de domingo, já mostram que as coisas precisam de mudanças. Uma nada radical e gradual mudança de cultura com um jogo por rodada num horário atípico para os padrões criados, já teve uma bela resposta do público.

E a Globo, que atualmente é dona do futebol brasileiro, ao invés de brecar a novidade, deveria estimular. Ano após ano, a audiência das transmissões cai. Além disso, a grade de programação de domingo da Vênus Platinada já foi mais “intocável”, convenhamos. Esquentas, Turmas do Didi, Caras de Pau, e outros podem muito bem sumir da programação. Garanto que ninguém choraria pela ausência dos mesmos.

 

Que isso motive outros “novos”. Parabéns à CBF e aos envolvidos. Apesar de haver um longo caminho a ser percorrido, quando a entidade acerta, devemos destacar, já que quando erra, e como erra, nós batemos e batemos muito forte.

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