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Por Bruno Faria
A última semana foi intensa para o Clube do Morumbi e seu presidente. Começou com uma vitória do São Paulo sobre o Coritiba, no jogo de maior público do clube neste brasileiro, passou por negociações de jogadores e o lançamento da reformulação do programa de Sócio Torcedor. Nesta sexta-feira (portanto antes da derrota por 2 x 0 para o Sport em Pernambuco), Carlos Miguel Aidar recebeu o Esquema de Jogo em seu gabinete que frequenta “de manhã, de tarde e de noite”, dividindo o tempo com o seu escritório de Advocacia.
O Presidente do São Paulo reconheceu os problemas financeiros do Clube, em meio a atrasos de pagamentos a jogadores e até prestadores de serviço, disparando sobre o seu antecessor, Juvenal Juvêncio, principal fiador político de Aidar no retorno ao cargo “Herdei uma dívida de cerca de 140 milhões de reais”. Falou também sobre as recentes saídas de jogadores e os planos para o futuro do Estádio do Morumbi.
Entrevista
Esquema de Jogo: Palmeiras e Flamengo usam seus programas de sócio-torcedor para arrecadar dinheiro para trazer grandes jogadores. O São Paulo pretende uma ação como essa?
Carlos Miguel Aidar: O dinheiro não tem carimbo. Essa verba será destinada ao caixa único do clube e, dessa forma, satisfaremos as coisas mais urgentes. Na última terça-feira, fizemos o lançamento do novo programa de sócio torcedor. Hoje já estamos em 5º lugar no ranking nacional. Nosso programa, infelizmente, era muito mal gerido. O São Paulo não tinha uma administração profissional. Quem fosse amigo do último presidente, e quisesse trabalhar aqui, estava empregado. Com a minha vinda, contratei o Instituto Áquila, e mudei o perfil de gestão, com planos de metas, governança corporativa, etc., o São Paulo passou a ter um modelo de gestão profissional. Isso nos permitiu encontrar o melhor software, os melhores homens de mercado, um novo gerente de sócio torcedor. Eu tirei a moça que aqui ficava, e, só então, descobri que ela era cunhada do Roberto Natel, que possui fortes laços com a gestão anterior. Isso evidencia que o São Paulo é um grande clube que parou no tempo. Hoje, eu digo a você, que se o São Paulo não chegar aos 100 mil sócio torcedores até o fim de 2015, chegaremos muito perto. Esse é nosso desafio.
“Nosso programa (de Sócio Torcedor), infelizmente, era muito mal gerido”
EJ: A marca “sócio torcedor” é registrada pelo São Paulo, o que por si só, indica o pioneirismo do clube no Brasil. Qual a razão do São Paulo ter ficado pra trás nos últimos anos?
CMA: Quem conseguiu na justiça assegurar a expressão Sócio Torcedor ao São Paulo, por acaso, fui eu, como advogado do clube. Uma empresa do Paraná entrou na Justiça contra o São Paulo porque eles possuíam o domínio sócio torcedor registrado. Depois disso, todos podem utilizar a expressão, mas só o São Paulo a tem registrada.

“As vendas de Souza, Denílson e Paulo Miranda não pagam nem 15% da dívida do São Paulo. Qualquer proposta que for satisfatória não será recusada”
EJ: Jogadores importantes foram vendidos nessa janela de transferência. Mais alguém deve sair, ou o dinheiro que entrou no caixa já foi o suficiente?
CMA: O dinheiro não foi suficiente. As vendas de Souza, Denílson e Paulo Miranda significaram R$18 milhões, e esse valor não paga nem 15% da dívida do São Paulo. Portanto, qualquer proposta que for satisfatória não será recusada. Agora mesmo veio uma sondagem pelo Luis Fabiano. Eu pedi US$ 3 milhões, e o Cruz Azul recuou. Pedi para que fizessem uma proposta. O contrato dele vence em dezembro, ganha cerca de R$ 600 mil por mês, ou seja, até dezembro tenho mais R$3,6 milhões até o fim do ano com ele. Independentemente de você, eu, a torcida gostarmos dele ou não, é fato que não se trata do mesmo jogador. Se o negócio saísse, eu tiraria um grande valor de salário até o fim do ano, e ainda colocaria algum dinheiro em caixa (pouco antes do jogo contra o Sport Recife, o São Paulo anunciou que havia recusado a proposta feita pelo atacante). Eles não vão oferecer os 3 milhões que pedi, mas se chegarem com uma proposta de 1,5 milhões, levam. Tem também a venda do Jonathan Cafu. Eu devo R$ 1.350.00 para a Ponte Preta, e devo R$ 350 mil para o agente dele. O Ludogorets apresentou uma proposta de R$ 2 milhões. Por um jogador que não conquistou espaço com três treinadores. Essas operações nos ajudam a reduzir o déficit, enxugar o elenco, e puxar a molecada da base.
EJ: O São Paulo definiu mesmo um preço para vender sua parte dos direitos de Paulo Henrique Ganso: R$15 milhões, portanto, um milhão a menos do que custou ao clube?
CMA: 32% do Paulo Henrique Ganso custaram ao São Paulo 11 milhões de euros, ou 14 milhões de dólares àquela época. Há alguns meses, o Flamengo ofereceu R$ 10 milhões. Eu disse que venderia por R$25 milhões. Fizeram uma contraproposta de 15 milhões, mas eu bati o pé nos 25, porque se eles oferecessem 20 milhões, sairia negócio.
Sobre o Orlando City, o contrato de empréstimo que tínhamos com o Kaká, previa um negócio chamado performance, que era uma participação na renda de público dos jogos em que o Kaká atuava no Morumbi. Essa quantia é de aproximadamente R$ 2 milhões. Havia uma cláusula que dizia que deveríamos prestar contas. Essa prestação foi apresentada e aceita por eles, porém fora do prazo. Nisso, o Flávio, que é o dono do Orlando City, disse que os sócios americanos queriam que ele acionasse o São Paulo pela multa no atraso da prestação de contas. Esse valor seria de aproximadamente R$ 10 milhões. Então ele nos apresentou a possibilidade de quitação desse débito, em troca do Ganso, e eu prontamente recusei.
“Jogador aqui não ganhará mais do que 250 ou 300 mil por mês”
EJ: O senhor já declarou que considera o elenco são paulino bom o suficiente para seguir na temporada, apesar das baixas mencionadas. Parte da torcida discorda e acha que o clube precisa de algumas peças para brigar pelo título. O São Paulo está mesmo fechado para contratações?
CMA: O São Paulo está fechado para contratações, mas é evidente que negócios e oportunidades muito boas para o São Paulo, o sacrifício que for necessário, será feito. Nosso treinador pediu um zagueiro canhoto e um atacante veloz pela direita. O zagueiro que ele pediu é o Dória, então enviei semana passada a última proposta para o Olympique de Marselha minha última proposta, que é de € 5 milhões por 80% do passe do jogador. Honestamente, não estou otimista, pois o prazo para inscrição é até terça-feira. O atacante foi uma indicação do Osório. Na verdade, ele indicou duas possibilidades. Um deles, quando souberam que era proposta do São Paulo, do Osório, inflacionaram o valor do atleta. O outro foi o Wilder Guisao, do Toluca, que chega por empréstimo de um ano, com valor de compra fixado em US$ 2 milhões se aprovado.
EJ: Há quem aponte que o São Paulo está preparando a contratação de um grande nome para alavancar o Sócio Tocerdor. Isso é verdade?
CMA: Não tem nenhum grande nome não. Neymar, Robinho, Messi. Podem esquecer, pois está tudo fora da realidade do São Paulo. O teto salarial do São Paulo é uma realidade. Jogador aqui não ganhará mais do que 250 ou 300 mil por mês. Atualmente temos Rogério Ceni, Luis Fabiano e Alexandre Pato que ganham mais do que isso. O contrato dos três se encerra no fim do ano.
EJ: Ataíde Gil Guerreiro disse algumas vezes que o São Paulo combinou com Osório que não contrataria jogadores colombianos, pelo menos em um primeiro momento. Acha que Osório já teve tempo de avaliar as carências da equipe, a ponto de indicar jogadores?
CMA: Uma coisa é o discurso para fora. Se eu falo que o São Paulo está aberto para jogadores colombianos, todos os empresários da Colômbia assediariam o Osório. Então eu tinha que dizer isso, para que ele chegasse aqui, e com calma, pudesse avaliar o elenco. Tudo isso foi combinado com ele.
EJ: O São Paulo pensa em contratar em definitivo o Alexandre Pato? Já houve alguma conversa com o Corinthians e o jogador a esse respeito?
CMA: Sim, pensamos. Outro dia, Ataíde, Pato e eu conversamos por mais de uma hora. Estou tentando convencê-lo a ficar no São Paulo ganhando 400 mil por mês. Ele seria a exceção, porque ele ganha R$ 800 mil hoje, sendo que nós pagamos a metade. Se ele aceitar, nós vamos lançar o programa “Eu pago o Pato”, que seria uma campanha dentro da rede Sócio Torcedor, e pegaria 20% dessa arrecadação, e dar para o Pato. Isso atrelado a planos de Sócio Torcedor, o que é bem diferente do modelo que o Tirone usou para tentar trazer o Wesley pro Palmeiras, por exemplo. Precisaríamos negociar com o Corinthians também.
“Os treinadores brasileiros estão extremamente mal acostumados e acomodados”
EJ: O futebol brasileiro precisava de um treinador estrangeiro? Como chegaram ao nome de Osório?
CMA: Desde a decisão em comum acordo de encerrarmos o vínculo do Muricy, procurávamos um treinador. Eu disse para o Ataíde: Chega da mesmice! Os treinadores brasileiros estão extremamente mal acostumados e acomodados. As opções que analisamos foram José Peseiro, André Villas Boas, Jorge Sampaolli, Sabella, Osório, Luxemburgo, Doriva, Dorival Junior, e Marcelo Oliveira, que era o único treinador brasileiro que, de fato, nos interessava. No entanto, quando Ataíde e eu chegamos a Medelín, ficamos encantados com o Osório. Ele próprio foi nos buscar no aeroporto. As palavras dele foram essas: “Para mim seria um orgulho treinar um time Tri Campeão do Mundo no país Penta Campeão Mundial de Futebol”. Ele também disse que não queria dinheiro, pois perseguia a glória. Nessa hora eu já tinha decidido que ele seria o cara. Nesse momento, chegou o diretor técnico do Cruz Azul, com um monte de dinheiro, e ele disse que se saísse do Atlético Nacional, seria para o São Paulo. Depois conversamos sobre nossos objetivos, e ele disse que já conhecia todo nosso elenco. Ele nos levou para almoçar em sua casa, nos apresentou sua família, então foi um caso de amor à primeira vista. É bem verdade, que em três reuniões com Peseiro, eu cheguei a ficar balançado, mas o português queria 5 auxiliares, o Osório pediu três. Peseiro pediu estabilidade até o fim do ano, Osório não pediu. Osório é muito especial, e tem tudo pra dar certo no São Paulo.

EJ: Depois da definição da saída do Muricy, o São Paulo demorou para achar um nome de treinador. Foi intencional ou os técnicos que recusavam?
CMA: Estávamos apenas fazendo o garimpo adequado.
“O São Paulo não deve porque é caloteiro. Deve porque está numa situação delicada”
EJ: Qual é o tamanho da dívida do São Paulo atualmente? Em quanto tempo o clube planeja quitá-la?
CMA: A dívida total do São Paulo hoje é de R$ 280 milhões. Eu tenho um grande problema aqui. Herdei uma dívida de cerca de 140 milhões de reais, que era totalmente maquiada no balanço do clube com superávits contábeis, mas nunca financeiros. Essa herança dificulta a gestão. Sou obrigado a fazer certas coisas aqui, que não faria se não tivesse essa dívida. Mas eu vou consertar isso. Mais dois ou três anos, vou deixar o caixa do São Paulo de acordo. Já não estou mais trabalhando no vermelho dentro do mês. O problema é a dívida do passado.
Além desse valor, o São Paulo deve cerce de R$ 40 milhões para fornecedores diversos, entre a empresa de limpeza, clubes, como o Orlando City, empresa de segurança, Assessoria de Imprensa, entre outros. O Juvenal arrebentou o São Paulo.
A dívida bancária é de 50 milhões, atraso de impostos de 30 milhões. Esses 80 milhões entrarão na MP do ProFut, dessa forma, tenho 20 anos para pagar esse valor.
EJ: A dívida dos direitos de imagem dos jogadores foi quitada mesmo?
CMA: Foi quitada a dos últimos três meses. Dia 10 faz 7 dias que estou devendo mais um mês. Com uma receita que está para entrar, quitarei essa dívida também. O São Paulo não deve porque é caloteiro. Deve porque está numa situação delicada.
EJ: Recentemente foi divulgado que o São Paulo devia certo valor a Jorginho Paulista, lateral que passou sem muito destaque pelo clube de 2002 a 2003. Há outros casos como o dele? Se sim, são muitos?
CMA: Sobre o Jorginho Paulista, R$ 4 milhões foram bloqueados na última quinta-feira (16/7), de nossa conta bancária. Ainda não tive informações de outros casos como esse.
EJ: O São Paulo está há 12 meses sem Patrocinador Master. Há alguma perspectiva de acordo para os próximos meses, mesmo com a crise econômica atual?
CMA: Não. O mercado está retraído, e muito difícil. Há inúmeras dificuldades de negociação, porque ninguém quer investir no futebol, que está em crise e desacreditado. Ninguém quer associar sua marca ao futebol com tudo isso que tem acontecido. Alguns continuaram com patrocínio da Caixa e outros menores, tirando isso, dificilmente, clubes encontrarão empresas para estampar suas marcas. Nós podemos suprir isso com Redes Sociais, com patrocínios como o da Copa Airlines, Gatorade, etc. e Sócio Torcedor. Essas são novas formas de renda. O tradicional “papai e mamãe” na camisa, eu acho muito difícil que volte.
EJ: O departamento de Marketing do São Paulo vinha sofrendo grandes críticas pela demora em lançar ações. Por quê?
CMA: Eu modernizei tudo. O exemplo que citei da administração do Sócio Torcedor, acontecia em boa parte do clube, e o Marketing era uma delas. Veja bem, eu não sou um administrador profissional. Eu não tenho formação de gestor. Eu sou um advogado, assim como fulano é contador e sicrano é um banqueiro. Eu venho ao São Paulo de manhã, de tarde e de noite, porque tenho um escritório que me permite fazer isso. Nem todos conseguem fazer isso, pois presidente e diretor do São Paulo não são remunerados. Para solucionar isso, coloquei executivos no cargo de gerência. Eu recrutei no mercado. Por exemplo, eu tirei do Esporte Clube Pinheiros, o “cara” de marketing. Além disso, trouxe um CEO e estou trazendo um executivo de finanças. Tudo isso faz parte da profissionalização da gestão.
EJ: Em algumas entrevistas, o senhor falou sobre as metas de cada diretor do São Paulo, que seriam avaliados com bolinhas verdes, amarelas e vermelhas. Já ouve casos de substituição por conta dessas avaliações?
CMA: Já. Já foram substituídos os diretores de marketing, e o financeiro. Ambos já eram da minha gestão, e foram trocados por não atingirem suas metas. É pra valer. Até mesmo eu tenho metas. Preciso enxugar a dívida do São Paulo em até 15% até o final do ano. Tenho que ganhar 1 título. Paulista nós não conseguimos, Libertadores também não. Agora temos Brasileiro, Copa do Brasil e, eventualmente a Sulamericana. Se eu não ganhar título, tomo a primeira bola vermelha desse ano. A cada 3 bolas vermelhas, é substituição no cargo. É regra. Evidentemente, as metas podem ser alteradas no curso do ano, mas somente em casos especiais.
EJ: Em algumas oportunidades o senhor foi duramente criticado por conta das brincadeiras que fazia nas entrevistas. Recentemente decidiu parar. Por quê?
CMA: Claro, não tem jeito. Quer alguma coisa mais divertida do que brincar com um corintiano? Mas hoje em dia não pode. Somos patrulhados a todo o momento. O futebol está chato, e a qualidade da imprensa está muito ruim, diferente de 30 anos atrás.

EJ: Quem acompanha o noticiário esportivo notou uma sensível mudança na cobertura do São Paulo nos últimos tempos. A que se deve isso?
CMA: Se deve a uma coisa chamada 12 anos de Juvenal Juvêncio no São Paulo. Nesses 12 anos, todo o relacionamento com a imprensa foi construído por ele, (José Francisco) Mansur (ex-Assessor da Presidência) e Roberto Natel (ex-vice-presidente de Aidar, ligado a Juvenal). Durante 12 anos eles foram fonte para os jornalistas. Quando eu cortei a relação de intimidade, muita gente ficou de bico. Eu não sou fresco, mas exijo ser tratado com o respeito. Falar com o Presidente do São Paulo não é a mesma coisa que falar com qualquer um na esquina. Muita gente começou a tentar me atingir falando mal da minha filha, da minha mulher. Eu exijo respeito. Teve jornalista que veio à minha sala, pediu patrocínio, e quando eu neguei, começou a me atacar pessoalmente.
“Eu coloco uma cobertura retrátil no estádio, faço dois prédios de estacionamento, puxo a arquibancada intermediária até a beira do campo, e faço tudo de estacionamento por baixo, faço um centro comercial no anel térreo, aumento a capacidade em 9 mil lugares, a custo de 300 a 400 milhões, valor que qualquer investidor banca”
EJ: Com as duas novas Arenas que a cidade de São Paulo recebeu no último ano, a arrecadação com o Morumbi foi afetada no que diz respeito a shows?
CMA: Sim, fomos afetados. Alguns shows que em outra época seriam realizados no Morumbi, acabaram indo para o Allianz Parque. Isso não me preocupa porque é uma receita aleatória. Apesar disso, teremos muitos shows ainda, por exemplo, o do Pearl Jam.
EJ: Qual sua opinião do atual estado do estádio do Morumbi? Ele consegue atender ao que o torcedor do São Paulo espera?
CMA: Ele atende o torcedor, e tem seu charme diferenciado, mas ele é um estádio que precisa ser modernizado, não tenho a menor dúvida. Comunicação, acessos, estacionamento, cobertura, etc. Ele precisa passar por uma retrofitada.
EJ: Qual a situação atual da reforma do Morumbi? Isso pode sair do papel mesmo?
CMA: Não só pode como vai sair do papel. O que acontece é que estou vivendo um momento muito delicado no Conselho Deliberativo por conta da empresa que intermediou a vinda da Under Armour. Se eu levar alguma coisa para o Conselho nesse clima, eu não aprovo nada. Por isso, vou esperar um pouco. Juvenal diz que ganho comissão em tudo por conta do seu desespero em me derrubar.
EJ: No começo do ano, sobretudo na Libertadores, os ingressos dos jogos tiveram um aumento considerável de preço. Depois a diretoria recuou e o público voltou a frequentar o estádio. Foi uma estratégia errada do clube?
CMA: Foi errada. Voltamos atrás. Errar é humano, persistir no erro, é burrice. Nós subimos o preço, e a resposta foi péssima. Fizemos uma redução, e a resposta foi ótima. Aquele jogo com o Coritiba às 11h do domingo foi incrível, mas a Globo não botou mais nenhum jogo nosso nesse horário, infelizmente.
EJ: O ticket médio do São Paulo é consideravelmente inferior ao de Corinthians e Palmeiras, que possuem novas arenas. Caso o Morumbi venha a ser reformado, os valores dos ingressos seriam revistos? E os novos planos do Sócio Torcedor?
CMA: Não. Ingresso de jogo é uma coisa, ingresso de show é outra. O São Paulo não precisa pagar a conta do Estádio, porque ele já está pago. O custo da modernização é muito menor. Eu coloco uma cobertura retrátil no estádio, faço dois prédios de estacionamento, puxo a arquibancada intermediária até a beira do campo, e faço tudo de estacionamento por baixo, faço um centro comercial no anel térreo, aumento a capacidade em 9 mil lugares, a custo de 300 a 400 milhões, valor que qualquer investidor banca. Quem é o investidor? É o cara que vai explorar comercialmente o estacionamento, naming rights, etc.