VASCO-RJ. FUTEBOL FEMININO. MODELO.

Inspiração e legado

Meninas da Colina miram em modelos para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027.

Vasco mira legado da Copa Feminina e se inspira em modelo de formação da Ferroviária.

Em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo, Simone Lourenço detalha estratégia que conecta categorias de base, equipe profissional, novas oportunidades comerciais e legado da Copa do Mundo de 2027.

Nos últimos anos, o Vasco retomou as categorias de base do futebol feminino e tem observado o modelo da Ferroviária para integrar formação e equipe profissional.

Além do trabalho desenvolvido, a agremiação também pretende aproveitar a visibilidade oferecida pela Copa Feminina de 2027.

Segundo Simone Lourenço, coordenadora do futebol feminino do Vasco, o impacto da competição passa pela oportunidade de aproximar o futebol feminino de uma parcela ainda maior da população.

A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil pode marcar um novo capítulo para o desenvolvimento da modalidade no país.

Além de ampliar a visibilidade e a formação de público, o torneio tem potencial para impulsionar a atração de investimentos e fortalecer a estrutura do futebol feminino brasileiro.

Essa é a avaliação de Simone Lourenço, coordenadora do futebol feminino do Vasco, em entrevista exclusiva ao MKTEsportivo.

Para ela, o impacto da competição vai além das quatro linhas e passa pela oportunidade de aproximar o futebol feminino de uma parcela ainda maior da população.

“Certamente com a Copa do Mundo Feminina no Brasil e a disponibilidade de mais jogos em estádios, o recesso escolar, além do clima de festa que as copas trazem com a presença de turistas e torcidas, teremos a oportunidade de atrair mais público aos jogos e despertar essa cultura no Brasil também para o futebol feminino”, declarou Simone.

Para a profissional, a expansão da audiência também está diretamente ligada ao desenvolvimento do mercado.

Uma presença maior nos estádios, aliada ao alcance das transmissões e à visibilidade proporcionada pelas plataformas digitais, pode tornar o segmento mais atrativo para empresas interessadas em associar suas marcas ao esporte.

Esse cenário tende a ampliar o interesse de companhias que ainda possuem pouca atuação no futebol feminino e favorecer a criação de novos formatos de parceria e propriedades comerciais.

“Acreditamos que a Copa do Mundo Feminina no Brasil será uma grande vitrine e poderá trazer ainda mais investimentos e oportunidades para o futebol feminino”, complementou.

A avaliação, entretanto, não se restringe ao período de realização do torneio.

O desafio está em transformar o aumento momentâneo de visibilidade em uma base permanente para o futebol feminino brasileiro, com maior presença nos estádios, ampliação das transmissões, crescimento do consumo e fortalecimento dos departamentos dos clubes.

Nesse processo, a retomada das categorias de base vem fazendo parte da estratégia de aproximar a formação da equipe profissional e estabelecer uma trajetória mais contínua para as atletas.

É nesse ponto que a Ferroviária aparece como uma das referências observadas pelo Vasco.

A executiva destaca a combinação construída pela equipe de Araraquara entre formação e alto rendimento, modelo que, na avaliação dela, oferece elementos para o planejamento vascaíno.

“A Ferroviária se consolidou como uma equipe tradicional e competitiva do futebol feminino brasileiro, disputando as principais competições nacionais e internacionais e conquistando títulos importantes. A construção das categorias de base permite que o clube tenha uma continuidade desde as categorias mais jovens até o Sub-20 e, posteriormente, o profissional. Dessa forma, a base e o profissional não funcionam como projetos separados, mas como partes de uma mesma estrutura. É justamente essa visão integrada que considero interessante para o Vasco”, detalhou.

A referência não significa, segundo a executiva, uma intenção de reproduzir o projeto da Ferroviária.

O interesse está na lógica de integração entre as diferentes etapas do futebol feminino, conectando categorias de formação e equipe principal dentro de um planejamento único.

“Não necessariamente para copiarmos o que foi feito, mas para entendermos como é possível construir uma estrutura sustentável de futebol feminino, com investimento na formação, competitividade no profissional, identidade com a modalidade e uma visão de longo prazo”, completou.

Além da dimensão esportiva, o Vasco também identifica oportunidades no ambiente comercial.

A executiva cita a necessidade de adaptar propriedades e contrapartidas aos diferentes perfis de empresas, enquanto aponta o digital e a transmissão dos jogos como ferramentas importantes para ampliar o alcance da modalidade e entregar maior exposição aos investidores.

“Quando falamos de exposição de marca, o fator transmissão também é um divisor de águas, porque conseguimos mais visibilidade, ou seja, com mais canais de transmissões e em horários melhores, temos uma audiência maior e, por conseguinte, mais alcance das marcas investidoras”, disse Simone.

O clube afirma ainda participar de fóruns e reuniões relacionados ao legado da Copa do Mundo Feminina de 2027.

Segundo a executiva, demandas ligadas à competição já começaram a chegar ao Vasco por meio de delegações estrangeiras e da FIFA (Federação Internacional das Associaçõs de Futebol), com discussões envolvendo a ampliação da participação da sociedade e do interesse pelo futebol feminino.

“O Vasco entende que a realização da Copa do Mundo no Brasil representa uma oportunidade importante para fortalecer o futebol feminino de forma sustentável, e vem acompanhando e participando dessas discussões com o objetivo de contribuir para a construção desse legado”, finalizou.

Reportagem: Mktesportivo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro