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Franceses e espanhóis duelam por vaga na grande final.
Semifinal da Copa do Mundo no dia da Queda da Bastilha inflama França e Espanha.
Partida será disputada em data fundamental para os franceses, remetendo à tomada, em 1789, de um dos principais símbolos do autoritarismo da monarquia.
Disputar uma semifinal de Copa do Mundo já provoca uma carga de emoção e adrenalina em qualquer atleta, mas o embate entre França e Espanha, por uma vaga na decisão do Mundial, terá um elemento extra para Mbappé, Dembelé e cia: o fato de ser disputado em um 14 de julho, data da maior festa cívica do país.
Hoje, para os franceses, o 14 de Julho representa a celebração da unidade nacional, a democracia e os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, com ‘raízes’ diretamente ligadas à Queda da Bastilha, em 1789, que marcou o início da Revolução Francesa.
Mas, para entender todo o contexto é preciso fazer uma espécie de viagem no tempo…
A Bastilha foi construída em 1370, inicialmente como uma fortaleza militar, para funcionar como estrutura de defesa em meio ao período da ‘Guerra dos 100 anos’, entre França e Inglaterra, envolvendo, entre outras questões, disputas pela sucessão do trono francês, rivalidades territoriais e o controle do comércio da região de Flandres.
Entretanto, mais tarde, no século 17, a Bastilha foi convertida em prisão estatal pelo Cardeal Richelieu, que, além da função de líder executivo da Igreja Católica, também ocupou o posto de primeiro-ministro do Rei Luís XIII (entre 1628 a 1642), sendo apontado como o grande ‘arquiteto’ do absolutismo no país.
Neste sentido, ao ser transformada em prisão para encarcerar aqueles que se atreviam a questionar a monarquia, para muitos, a Bastilha passou a ser vista como o símbolo maior do absolutismo (poder total concentrado nas mãos dos reis) e do autoritarismo.
Naquela época, a sociedade francesa era dividida em 3 ‘estados’, sendo que os 2 primeiros (Clero e Nobreza) contavam com uma série de privilégios, entre os de não pagar impostos.
Já o restante da população (98% do total) integrava o terceiro estado, responsável por ‘carregar o país nas costas’, inclusive pagando pesados impostos para manter a monarquia e as demais classes.
Mas a situação chegou a um limite.
De fato, a revolta popular foi motivada por uma conjunção de fatores: a crise financeira provocada pelos gastos excessivos da corte, o aprofundamento da desigualdade social e uma grave crise alimentar, após uma série de colheitas prejudicadas por questões climáticas.
Em meio à isso, também ganhavam espaço os ideais iluministas, que defendiam a liberdade e a razão, questionando a ‘tese’ de que os reis recebiam sua autoridade diretamente de Deus.
Por tudo isso, o ataque à Bastilha naquele 14 de julho de 1789, que não mudou a política local de imediato, teve um caráter mais simbólico: o de que era possível questionar e ‘quebrar’ o poder do rei, destruindo justamente o maior símbolo da tirania absolutista.
Por tudo o que representa, a ‘coincidência’ do calendário da semifinal da Copa do Mundo, fez a data ganhar ares de “final antecipada” para os franceses, inflamando ainda mais o clima para a decisão com a Espanha.
Principal feriado nacional francês, o 14 de julho tradicionalmente já é marcado por uma série de eventos, como os tradicionais desfiles militares e shows de fogos. Mas desta vez será diferente.
Prefeituras de diversas cidades francesas optaram por adaptar os festejos de fogos para incluir a transmissão do jogo em telões.
Em outros locais, os torcedores se reunirão em praças e fan zones.
Para completar o quadro, antes de a bola rolar para França e Espanha nesta terça-feira (14), será respeitado um minuto de silêncio em memória às vítimas do trágico atentado de Nice, ocorrido há exatos 10 anos, justamente no 14 de julho de 2016, que resultou em 86 mortes e mais de 450 feridos.
Em meio a um período em que a extrema direita tem avançado nas eleições municipais em diversas cidades do país, em movimento combatido por alguns jogadores dos Bleus, como o próprio Mbappé, quando as equipes estiverem perfiladas no gramado e o sistema de som ecoar os toques da Marselhesa, hino de guerra da Revolução Francesa que passou a ser adotado como hino oficial a partir de 1795, será praticamente impossível um francês passar ‘ileso’ a este momento.
E a injeção de ânimo extra podem ser benéfica na tentativa de superar um adversário que está ‘engasgado’ após as derrotas para a Espanha nas semifinais da Eurocopa e da Liga das Nações nos 2 últimos anos.
Reportagem: Otempo.com.br
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro