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Análise

CBF segue “cebeefando”

Brazilian national head coach Dunga and assistant Jorginho attend a news conference in JohannesburgPrimeiramente, saibam que este texto deveria ser sobre a volta do Brasileirão. Além disso, ele precisaria ser postado logo após a Copa, pois é minha vez de postar desde então. Até comecei a fazê-lo, mas as notícias da última semana foram me desanimando pouco a pouco. Primeiro, a alta cúpula de notáveis do futebol brasileiro define a demissão de TODA a comissão técnica. Profissionais que lá estavam há muitos anos foram, de certa forma, responsabilizados pela catástrofe que começou na semifinal contra a Alemanha e se sacramentou na disputa do 3º lugar, contra a Holanda.

Até aí, depois de pensar, consegui entender. Precisamos de renovação, então por quê não começar pelos comandantes, certo? Sim, mas me causou alguma estranheza TODOS serem demitidos, exceto Alexandre Gallo. Mais do que isso, ele foi valorizado e ganhou um novo Status dentro da Confederação Brasileira de Futebol. Nada contra o trabalho dele, mas depois daquela história toda sobre os conselhos que ele teria dado a Felipão e o “vazamento” dessa informação. Sei lá. Achei bem estranho.

Gilmar-Rinaldi-novo-coordenador-da-CBF-size-598A “Cebeefizada” continua com o anúncio de Gilmar Rinaldi como Coordenador Geral de Seleções. Na hora pensei: “Esse cara é o empresário do Adriano”. Esse poderia ser meu único argumento para criticar a escolha, mas tenho mais alguns. A partir do momento em que a CBF escolhe um empresário que diz ter se desligado de suas atividades um dia antes do anúncio oficial, está dando mais margem à desconfiança sobre as futuras convocações de “Afonsos Alves”, “Fabios Rochembacks”, “Matheus Caldeiras” (4º goleiro do Corinthians convocado por Felipão), entre outros nomes desconhecidos que nossos ex-treinadores já arrumaram para a Seleção principal. Isso tudo sem contar o principal: Qual a experiência que Rinaldi tem para um cargo tão importante? Sim, muito importante, principalmente nesse momento, que deveria ser o marco zero no nosso futebol?

Muito ventilou-se o nome de Leonardo. Seguramente, seria a melhor opção por conhecer o futebol enquanto jogador, treinador e dirigente de grandes equipes europeias. Mas nossa grande Confederação sequer tentou. Outra nome interessante seria o de Rodrigo Caetano, que foi responsável por grandes trabalhos em Vasco e Fluminense. Se pensarmos com carinho (ou se fossemos remunerados por isso), certamente encontraríamos pelo menos umas 15 opções melhores que Rinaldi. Mas a CBF tem que fazer tudo da forma dela, não é verdade?

Falando sobre a CBF fazer tudo do seu jeito, sem dar atenção à opinião pública, eis que surge o nome dado como certo a ser anunciado amanhã: Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga. Sim, o rabugento capitão do Tetra surpreendentemente volta a ganhar força pela instituição que rege o futuro do nosso futebol.

Antes de mais nada é preciso separar as coisas. Se analisarmos apenas números, a passagem de Dunga foi um sucesso. Com ele o Brasil ganhou Copa América, Copa das Confederações, bateu na Argentina diversas vezes e foi eliminada pela futura finalista da Copa, na África do Sul. O fracasso nas Olimpíadas pode ser apenas mais um na história centenária da Seleção.

Entretanto, pelo momento que vivemos, é necessário analisar outros fatores, como por exemplo: Qual foi o legado de Dunga? O Gaúcho, que não é o de bigode, mas igualmente mal-humorado, não deixou praticamente nada que pudesse ser aproveitado para o ciclo seguinte. Abraçou-se a jogadores de idade elevada e capacidade técnica discutível e foi com eles até o fim, porque os mesmos compraram sua ideia. O elenco de “Donis”, “Júlios Baptistas” e “Grafites” funcionou muito bem em competições com o nível de exigência menor. Quando a porca torceu o rabo, Dunga não tinha opções decentes no banco de reservas para mudar uma partida.

Dos jogadores no plantel do treinador, apenas cinco estiveram na lista do Gaúcho de bigode para 2014: Júlio César (com muitas ressalvas), Thiago Silva (unanimidade), Daniel Alves e Maicon (por um colapso da laterais) e Ramires. Além disso, entre os 23 convocados de uma seleção é comum haver nomes de promessas, como Ronaldo em 1994 e Kaká em 2002. Os treinadores os levam mais para compor o elenco e se ambientarem para os próximos ciclos. Não necessariamente para utilizá-los. Dunga teve a possibilidade de levar Neymar e Ganso para a Copa de 2010. Na época, ambos estavam voando pelo Santos. Não foram nem testados em amistosos. Isso sem mencionar a não-convocação de Marcelo, que sempre foi melhor que Gilberto e Michel Bastos, os escolhidos de 2010 para a posição.

Caso se confirmem os boatos (e parece que já não são ais boatos), a CBF opta por um escudo ao invés de uma solução. Contrata o treinador que vai comprar briga com a imprensa e ser corporativista, com discursos a lá Carlos Alberto Parreira e Dona Lúcia de que tudo está bem e tudo está bom. O bonde da história passou. José Maria Marin e Marco Polo Del Ner, novamente tiveram a oportunidade de começar uma importante reformulação do nosso arcaico conceito de como se faz futebol e, mais uma vez, optaram pelo mais cômodo e o que lhes traria mais sossego para não se fazer absolutamente nada.





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