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Havia algo diferente nos grandes embates de cartolas folclóricos num passado recente. Qualquer criança de 7 anos de idade era capaz de ver que as discussões entre, por exemplo, a última grande rivalidade entre cartolas de São Paulo, Andrés Sanchez, no córner alvinegro e Juvenal Juvêncio, no córner tricolor. À parte, todas as reservas possíveis quanto à conduta de qualquer dirigente de futebol, as trocas de farpas beiravam a brincadeira, além de serem extremamente carismáticos e, como os dois sempre ressaltam, amigos.
Pois nessa semana, o São Paulo resolveu fazer mais um jogador pular o muro que separa os dois CTs na Barra Funda, Allan Kardec, o artilheiro dos gols espíritas, foi comprado pelo clube do Morumbi junto ao seu dono, o Benfica. Um dos problemas foi a negociação extremamente arrastada entre os palestrinos e o atacante.
A versão do São Paulo e do atacante é de que o Palmeiras “deu pra trás” na negociação e Kardec, ou seu pai, irritado com a retomada da negociação, passou a considerar a proposta feita pelos dirigentes tricolores. O Palmeiras nega e diz que o atleta foi aliciado pelo rival, de maneira antiética, segundo seu Presidente, Paulo Nobre. Até aí tudo bem.
A reclamação foi respondida por Carlos Miguel Aidar da pior maneira possível ele disse, ao início da coletiva ” A manifestação do presidente Paulo Nobre chega a ser patética. Demonstra, infelizmente, o atual tamanho da Sociedade Esportiva Palmeiras”. Resumindo, disse que a reação do Palmeiras é coisa de time pequeno. Não, Aidar, não é coisa de time pequeno não, é coisa de quem tomou balão. Por um acaso a reação da diretoria de JJ, o seu padrinho nesse retorno, reagiu bem à decisão do Oscar deixar o clube? Marco Aurélio Cunha disse “Acho que o atleta está com Síndrome de Estocolmo, que é aquele que fica apaixonado por seu sequestrador”. Reação de quem perdeu um dos principais jogadores do Brasil na posição, como é o caso de Kardec.
Essa briga entre as diretorias de São Paulo e Palmeiras é só mais uma, mas poderia ter ficado no âmbito da negociação e não agressões a ambas as instituições, chamando de pequeno, muito menos evocando a rivalidade histórica entre os dois clubes, datada dos anos 40, como fez o Paulo Nobre. Esse tipo de briga entre instituições acaba estimulando que a rivalidade deixe o campo e vire briga entre torcidas. Aidar já falou muita besteira pra uma semana de mandato, perdeu grandes oportunidades de ficar quieto, alimentou os animais.