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Análise

A modernização do Pacaembu

Dando sequência à postagem das minhas matérias da Revista Fora de Campo, segue matéria sobre a modernização do Pacaembu. O ano era 2010 e o Corinthians nem sonhava em construir seu estádio ainda.

70 anos após sua construção, o estádio mais charmoso e tradicional da capital poderá passar por reformas e se adequar ao caderno de encargos da FIFA para 2014

Certos momentos do futebol marcam nossas vidas para sempre. Ninguém esquece a primeira vez que foi a um estádio torcer pelo time do coração. Não dá pra esquecer também aquele gol inesquecível. Aquela decisão, a alegria, a decepção… Enfim, um estádio de futebol proporciona diversas emoções distintas a quem o frequenta.

Esse ano uma notícia pegou muitos paulistanos de surpresa: a construção do estádio do Corinthians. Em meio a muitas polêmicas, o “Itaquerão City” foi indicado como palco da abertura da Copa de 2014, deixando de lado o Morumbi, principal cotado desde o anúncio da competição em território brasileiro.

Mas esse anúncio trouxe à tona uma questão: o que acontecerá com o Pacaembu quando a nova arena da zona leste ficar pronta? O São Paulo tem o Morumbi. O Palmeiras terá o reformulado Palestra Itália. O Santos tem a Vila Belmiro. Portuguesa tem o Canindé. Até o Juventus tem um estádio, a folclórica Rua Javari. Apenas o Corinthians utiliza o Paulo Machado de Carvalho com frequência.

O que será dos ambulantes que trabalham nas redondezas do Paulo Machado de Carvalho em dias de jogos? “O movimento é ótimo aqui. Acho que não tem lugar melhor no Mundo pra vender hot-dog. É aqui no Pacaembu mesmo porque o pessoal vem cheio de fome antes e depois do jogo”, diz um vendedor de lanches horas antes de um jogo do Corinthians pelo Campeonato Brasileiro.

A torcida do timão sempre se identificou com o estádio. Fernando Finotti, mais conhecido como Roma, é membro da torcida organizada Camisa 12 e relata todo o seu carinho ao estádio do Pacaembu: “É como se fosse um quintalzinho da minha casa. Cheguei a ir 21 vezes ao Pacaembu em um ano. É quase um campeonato inteiro. Ter estádio era mais por zombação dos adversários. Sempre gostei do Pacaembu. É nossa casa. Eu, particularmente, prefiro ir ao Pacaembu, que ir até Itaquera. Muito mais acessível, preferia que o timão tivesse comprado o estádio”.

Aléssio Gamberini, Coordenador de Gestão Estratégica dos Equipamentos Esportivos da cidade de São Paulo não vê problemas na construção de uma nova arenaem São Paulo.“A história do Pacaembu comprova que ele nunca vai deixar de ter alguma utilidade na cidade. Até agora teve. Não é porque o Corinthians vai jogar em outro lugar, que o estádio terá um uso menos honroso”.

Antes do anúncio do novo estádio corintiano, a prefeitura de São Paulo recebeu uma doação da construtora Galvão. A empresa fez um projeto de reforma do estádio, adequando-o às exigências da FIFA para receber algumas partidas da Copa 2014. Quando foi anunciado o estádio de Itaquera, a prefeitura mudou de planos e ofereceu o Pacaembu para ser um centro de treinamento de algumas seleções durante a competição. Esse projeto já tem um custo: “O projeto foi orçado pela Galvão entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões, considerando uma capacidade entre 45 mil a 65 mil pessoas. A obra seria viabilizada por meio de uma PPP (parceria público-privada), mas ainda não foi definida uma engenharia financeira para a proposta”.

O vereador Marco Aurélio Cunha, que também e médico e dirigente do São Paulo Futebol Clube, faz parte da Comissão de Estudos para Debates e Discussões sobre a Destinação do Estádio. Ele ressalta que o estádio do Corinthians ainda não saiu do papel, e defende a utilização do estádio para eventos e acha que os clubes poderiam fazer um acordo para levar jogos de menor expressão ao Paulo Machado de Carvalho.

Recentemente, os clubes da capital têm mandado alguns jogos na Arena Barueri, que ficou sem utilização depois que o Grêmio Barueri virou Grêmio Prudente. “É uma questão financeira. O que se cobra de locação da Arena Barueri é um valor bem menor do que se cobra no Pacaembu. Cada um tem seu custo. A Arena Barueri é um bom local de disputas, um campo muito bom com uma estrutura moderna. A escolha é dos times”, diz Gamberini.

Outra pergunta que inevitavelmente fica no ar é: O Pacaembu passará a ser um Elefante Branco e virar prejuízo ao município? Gamberini acha que não: “Um equipamento como o Pacaembu não foi feito para dar lucro. Nasceu para proporcionar momentos de lazer à população. Um parque, por exemplo, não dá lucro à prefeitura”.

“O estádio é de todos, inclusive dos santistas. A baixada santista tem cerca de um milhão e meio de habitantes. Existem aproximadamente um milhão e meio de torcedores do Santos aqui na capital. Para renovar sua torcida e manter o torcedor aceso na capital, eles optam por realizar algumas partidas aqui”, afirma Aléssio Gamberini.

Tudo leva a crer que o Pacaembu passará a estar de acordo com as exigências de conforto do Estatuto do Torcedor. O que fica claro é que o estádio continuará à disposição, tanto dos clubes, quanto da população de São Paulo, que poderá contar com um excelente equipamento modernizado.

2 COMMENTS

  1. Cara, passando 2 anos que você escreveu isso, o Pacaembu realmente ficará sobrando, por isso, eu sou favorável que voltem com a Concha Acústica nele e tranforme ele num estádio de eventos, tanto esportivo quanto cultural, tenho certeza q prestará melhor serviço a cidade assim!!!!

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