Vitória e título brasileiro

Miranda marca no fim, Seleção vence Argentina, e capitão Neymar levanta seu primeiro troféu.

Zagueiro faz de cabeça após cobrança de escanteio do craque, em sua sexta assistência depois da Copa.

Atuação, entretanto, não foi das mais empolgantes.

A entrada de Brasil e Argentina em campo no King Abdullah teve ares de Libertadores, com bandeiras, um ou outro sinalizador e papéis picados.

O fim do jogo teve fumaça, fogo e festa no banco do Brasil com o gol de Miranda, nos acréscimos, ao completar cobrança de escanteio de Neymar: a sexta assistência do atacante em quatro jogos depois da Copa do Mundo.

Garçom e capitão, ele levantou seu primeiro troféu com a Seleção: o “Superclássico”.

Início e fim empolgantes, mas o resto não cativou.

A Seleção teve dificuldade em fazer seus principais jogadores renderem numa escalação surpreendente de Tite, com Gabriel Jesus e Firmino juntos pela primeira vez como titulares.

Apesar do domínio técnico, a equipe fez menos do que costuma e deixou a mensagem da necessidade da busca de soluções.

A Argentina sem Messi e outros protagonistas foi apenas uma seleção de lampejos, que recorreu às faltas para compensar o pouco talento.

Graças a Miranda, o Brasil é campeão do “Superclássico”, torneio tão artificial quanto a festa com pitadas sul-americanas.

Mas valem a estatística e a gozação com os hermanos, sem títulos, grandes, pequenos ou insignificantes, há 25 anos.

Com Gabriel Jesus aberto pelo lado direito, numa aparente tentativa de projetar o sistema ofensivo do Liverpool, a Seleção teve bons momentos, mas o meio-campo, novamente, não funcionou.

Dependeu das incursões de Neymar pelo setor, já que Coutinho não atuou bem e Arthur não foi uma presença frequente na criação.

A Argentina teve duas boas chances, com Lo Celso, de fora da área, e Dybala, em linda cobrança de falta que passou perto do gol de Alisson.

A defesa brasileira se manteve difícil de ser penetrada.

O Brasil levou perigo numa bola que sobrou para Miranda, mas Romero defendeu, e em cruzamento de Firmino que saiu alto demais.

A Argentina começou melhor, chegou mais à área brasileira, mas logo teve seu fogo apagado pela defesa brasileira e pelas substituições de Scaloni, que acabaram por quebrar o ritmo da equipe.

Tite, por vontade própria, mexeu só uma vez: Richarlison no lugar de Gabriel Jesus.

O atacante do Everton atuou no terceiro setor diferente em apenas quatro jogos pela Seleção, que não fez bom jogo.

Tite costuma pedir para seus jogadores fazerem o goleiro adversário trabalhar.

Romero só precisou sair da zona de conforto quando Arthur acertou boa finalização após receber cruzamento de Neymar.

No fim, Casemiro quase fez seu primeiro gol pela Seleção em cobrança de falta que desviou na zaga e saiu por muito pouco.

Miranda, livre na área, completou de cabeça o escanteio de Neymar para decretar a vitória.

Não deu certo a parceria entre Firmino e Gabriel Jesus nessa primeira tentativa, embora a ideia tenha dado indícios de que, com entrosamento e tempo, pode vingar.

Faltou compreensão para ler os movimentos do parceiro.

Danilo tem sofrido demais na seleção brasileira.

Depois de se machucar duas vezes na Copa do Mundo, ele deixou o campo aos 7 minutos do segundo tempo, lesionado, chorando e sem conseguir andar.

No domingo (14), ele havia comentado a má sorte com lesões quando está convocado, já que ao longo da carreira se machucou poucas vezes.

Coutinho não jogou bem em nenhum dos amistosos.

No primeiro, contra a Arábia Saudita, ocupou mais o lado direito.

Diante da Argentina, veio para o centro, até porque a comissão técnica quis dar a ele mais participação de jogo.

Não se achou.

Uma das tarefas de Tite nesse novo ciclo será encontrar uma maneira de fazer um de seus melhores jogadores render.

Foram seis cartões amarelos na partida: Neymar e Miranda, pelo Brasil; Paredes, Lo Celso, Correa e Saravia, na Argentina.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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