Vai, Valcke

Não faz muito tempo, Jerome Valcke descia dos céus em algum aeroporto brasileiro e era como se o recebêssemos o Papa. A cada vistoria a estádio, hotel, gabinete ou instalação de infraestrutura havia um momento em que esse francês tomava a palavra e com a expressão serena dava a nós, simplórios brasileiros instruções do que fazer.

Mais que Blatter, Jerome Valcke virou a cara da Fifa no Brasil durante a preparação do Mundial de 2014. A cara e o dedo, até o pé. Dizendo que o Brasil precisava de um chute no traseiro. Como qualquer país-sede de uma Copa do Mundo, o direito de sediar o torneio, mais que um privilégio, significa entregar boa parte do país aos caprichos da entidade máxima do futebol.

Ricardo Teixeira disse na célebre entrevista que na Copa do Mundo ia poder fazer a maldade que quisesse. Já vinha fazendo, era bajulado por governadores, prefeitos, ministros, senadores, deputados e aspones. Sucumbiu no meio do caminho, a CBF ficou para José Maria Marin, a bajulação e as maldades ficaram a cargo do Secretário-geral da Fifa.

Valcke também apresentou o sorteio dos grupos ao lado de Fernanda Lima também, como é praxe nesses sorteios, quem coordena tudo é o Secretário-geral das entidades. Quando a Copa começou, ele posou como um dos responsáveis pelo sucesso brasileiro na organização, com suas vistorias mequetrefes e coletivas mandando chutar a bunda de um país.

Ele também aproveitou a Copa pra faturar um pouquinho com a venda de ingressos desviados de jogos. Depois do mundial a casa caiu pra todo mundo dois dias antes da eleição da Fifa. Nessa primeira ele escapou, hoje não, descobriram o bico de cambista que ele arrumou na Copa.

Jerome Valcke foi afastado da Fifa, o motivo não foi omitido com um “pediu licença para cuidar da família”, não houve agradecimento pelos serviços prestados e ainda disseram que seria aberta uma investigação para apurar o caso. Chutaram a bunda do Valcke.

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