TÍTULO PARA O NACIONAL DE MEDELLÍN

Amigos, amigos, troféu à parte.

Há quem diga que a melhor maneira de se respeitar um adversário é jogando o melhor que se pode contra ele.

Foi o que o Atlético Nacional fez na noite desta quarta-feira (10), no Atanasio Girardot, em Medellín.

O palco que há quase seis meses encantou o mundo pela solidariedade recebeu outro espetáculo: de futebol.

O campeão da Libertadores não deixou dúvidas ao aplicar 4 a 1 e ficou com o troféu da Libertadores. Ibargüen e Dayro Moreno, duas vezes cada, fizeram a festa do torcedor que voltou a lotar o estádio como nas homenagens às vítimas de 29 de novembro, enquanto Túlio de Melo descontou.

Com o vice-campeonato, a Chape encerra sua participação na terceira competição no movimentado calendário de 2017.

Eliminado na fase de grupos na Primeira Liga, foi campeão catarinense.

Agora, as atenções estão voltadas para o Brasileirão.

O time de Vagner Mancini tem parada dura logo na estreia: o Corinthians, em São Paulo, sábado (13), às 19 horas (de Brasília).

Será a sexta participação do Verdão na Série A, quarta consecutiva.

Baixas em cima da hora, campo molhado e pressão desde o apito inicial.

Junte isso a uma Chapecoense ainda em ritmo lento e pronto: gol do Atlético Nacional.

O time da casa precisou de apenas um minuto para abrir o placar e acabar com a vantagem brasileira.

Dayro Moreno recebeu em profundidade e teve todo espaço para girar e bater forte.

A bola passou por baixo de Artur, que falhou: 1 a 0.

Em vez de incendiar os colombianos, o gol deu tranquilidade e o Verdão conseguiu equilibrar as ações.

Faltava, porém, força para chegar ao ataque.

Bem posicionado defensivamente, a Chapecoense até obrigava o Atlético Nacional a girar o jogo, testava a paciência, mas não conseguia levar perigo ao gol de Armani.

Nos 45 minutos iniciais, bolas esticadas até renderam escanteios.

Nada que levasse perigo.

E se a marcação coletiva funcionava, no mano a mano os colombianos levavam a melhor e aproveitavam os espaços.

Foi assim que MacNelly Torres recebeu na meia-lua e precisou de apenas um toque para servir Ibargüen na área.

Drible em Nathan, e gol.

O verde da casa reinava no intervalo.

A Chapecoense voltou diferente para o segundo tempo, e viva.

Com Apodi no lugar de Luiz Antonio, o técnico Vágner Mancini deu força e intensidade ao deslocar João Pedro para o ataque.

E logo na primeira jogada, quase a resposta. João avançou bem pela esquerda e cruzou para Arthur Caike dominar, escolher o campo e deslocar o goleiro Armani.

Tudo certo, se não fosse Henriquez surgir voando para evitar o gol em cima da linha.

Avançado, o Verdão retraiu o Atlético Nacional e seguiu em cima. João Pedro e Wellington Paulista assustaram, mas a pontaria não era das melhores.

A torcida colombiana já parecia assustada quando MacNelly Torres entrou em ação.

Com inteligência, valorizou a posse de bola, cadenciou o jogo e botou o time para respirar.

A Chape baixou a guarda, e recebeu o golpe final.

Aos 21 minutos do segundo tempo, Ibargüen driblou Apodi para dentro, para fora, e cruzou no segundo pau.

Rodriguez escorou e Dayro Moreno complementou.

O Atanasio explodiu em festa. Ibargüen ainda teve tempo de transformar o placar em goleada, e Túlio de Melo para descontar, mas tudo já estava definido.

O campeão do continente em 2016 tem mais um troféu em sua galeria.

Um dado não pode passar despercebido na derrota da Chapecoense na Colômbia: foi a quinta derrota da equipe nas últimas seis partidas.

Por mais que o único triunfo, contra o Avaí, na Ressacada, tenha valido o título estadual, fica o alerta para o Brasileirão.

O Verdão perdeu neste período para Criciúma, Nacional, Cruzeiro, Avaí e Atlético Nacional.

Outro detalhe a ser levado em conta é que em nenhuma partida a escalação foi repetida.

O cenário da decisão da Recopa em Medellín foi bem diferente do apresentado na primeira partida em Chapecó.

Apesar de todo respeito e carinho com a Chapecoense, não houve qualquer tipo de homenagem ou badalação antes de a bola rolar.

O Atlético Nacional focou somente na partida, no título.

O sentimento de irmandade entre os clubes, no entanto, ficou evidente a todo instante, desde as torcidas misturadas, passando pelos aplausos aos sobreviventes e no gol de Túlio de Melo.

Um detalhe chamou a atenção e ajudou a vida do Atlético Nacional no primeiro tempo: o campo molhado pela forte chuva que caiu sobre Medellín durante todo o dia.

Sem aquecimento no gramado, os jogadores da Chapecoense foram surpreendidos, tanto que Artur Moraes deixou a bola passar por baixo de seu corpo logo no primeiro minuto.

Nitidamente, os brasileiros perderam o tempo de bola e foram amplamente dominados na etapa inicial.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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