Rogério Ceni e a eterna má fase tricolor

Após dez rodadas do Campeonato Brasileiro, o São Paulo encontra-se na 16ª posição, beirando o temido Z4 e com apenas dois pontos conquistados nos últimos cinco jogos. As más atuações e as recentes eliminações (Paulistão, Sul-Americana e Copa do Brasil) aumentam a pressão sobre o técnico Rogério Ceni, que tem sua capacidade como treinador colocada em dúvida a cada ponto perdido.

Antes de mais nada, é preciso ressaltar que ser treinador do São Paulo não é uma das tarefas mais fáceis ultimamente. É preciso lidar com uma diretoria que “joga” contra o próprio clube e que se mostra perdida a cada decisão que toma. Contratações que deveriam vir no começo do ano chegam com a temporada na metade e uma simples renovação com um dos maiores ídolos recentes do time (Lugano) vira uma novela das mais estranhas. Fora isso, o SP segue com a “rotina” da má preparação física, onde até reservas se contundem sem entrar em campo.

Feitas as observações acima, é preciso analisar o trabalho de Ceni com imparcialidade, não colocando sua brilhante carreira e dedicação ao clube colocadas acima da própria instituição. Após um começo de ano animador, com um time ofensivo e muitos gols, hoje o São Paulo carece de criatividade e não consegue encontrar o tão esperado equilíbrio defensivo que vinha faltando no início da temporada. Rogério parece ter dificuldades para definir um padrão de jogo e a escalação do time é sempre uma grande incógnita a cada partida.

As comparações com Fábio Carille acabam sendo inevitáveis. O treinador corintiano pegou um elenco desacreditado e de qualidade inferior a muitos clubes do Brasil, inclusive do próprio São Paulo. A essa altura da temporada, Carille já faturou o título do Paulista, lidera o Brasileirão de forma invicta e parece ter encontrado a forma ideal de jogo de acordo com o plantel que possui.  Difícil imaginar que o Corinthians mantenha o mesmo ritmo até o final do campeonato, mas o trabalho de seu treinador nos faz questionar se o time do Morumbi também não poderia estar em outro patamar com as peças que tem.

A chegada de reforços, o enorme crédito junto à torcida e a falta de treinadores qualificados no mercado fazem com que Ceni tenha um pouco mais de tempo e calma para trabalhar. Diferente de 2016, quando o fato de ter sido semifinalista da Libertadores foi usado como contraponto para tudo de errado que acontecia, este ano o sinal de alerta parece estar ligado mais cedo e há a expectativa de que o time se ajuste com as novas peças (Arboleda, Gomez e Petros). Ao final do primeiro turno, conseguiremos ter uma noção do que restará para o São Paulo: lutar contra o rebaixamento pela terceira vez em cinco anos ou dar a esperança ao torcedor de que as glórias venham também do presente.

 

 

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