Priscilla Stevaux: “Poder participar dos Jogos Olímpicos foi incrível”

Os esportes ditos “radicais” estão cada vez mais inseridos no contexto mundial, o que implica uma presença cada vez mais forte no programa dos Jogos Olímpicos de Verão e Inverno. Um exemplo disso é que nos Jogos de Tóquio-2020 teremos competições de surfe, skate e escalada.

O BMX (Bicycle Moto Cross) é um exemplo dessas modalidades – e que já faz parte das competições olímpicas desde Pequim-2008. Também conhecida como bicicross, surgiu na década de 1960 e se popularizou nos anos 1970, nos Estados Unidos, onde foi influenciada pelo motocross.

As provas do BMX são disputadas em baterias com oito atletas cada, até se chegar à final. A largada é dada de uma plataforma de 10m de altura e os atletas passam por obstáculos montados na pista até cruzar a linha de chegada.

O principal destaque do país na modalidade é a sorocabana Priscilla Stevaux. Aos 22 anos, ela ficou no 13º lugar nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e acabou de disputar a Copa do Mundo da modalidade, em Sarasota (EUA).

Ela conversou com o Esquema de Jogo e falou sobre sua experiência olímpica, os próximos desafios e a estrutura da modalidade no Brasil. Confira:

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Esquema de Jogo: Como foi a experiência de participar de uma edição de Jogos Olímpicos em terras brasileiras? O que foi mais marcante?

Priscilla Stevaux: Poder participar dos Jogos Olímpicos já foi incrível, em meu próprio país tornou isso tudo simplesmente único e inesquecível. O momento mais marcante foi quando, na minha primeira competição (tomada de tempo), tudo que ouvia era a arquibancada brasileira em uma torcida unificada, pude sentir toda essa energia e mal consegui ouvir as vozes do partidor de largada e tudo o que passava em minha cabeça era fazer o melhor desempenho que já havia feito, apostar todas as cartas, me entregar como um todo. Já não era apenas Priscilla Stevaux na competição, mas todo um Brasil ali a cada pedalada.

Você terminou a competição olímpica em 13º lugar. Em termos de resultado, foi o que havia planejado?

Não exatamente. É difícil realmente planejar um resultado quando se garante a vaga de participação há um mês dos Jogos Olímpicos. Apenas queria ter certeza de que fiz tudo o que podia, então me preparei da melhor maneira possível, evoluí muito, com certeza, em um curto prazo graças ao meu treinador e irmão Douglas Stevaux. Posso dizer que, embora meu maior sonho e objetivo sem sombras de dúvidas fosse trazer uma medalha para a minha nação, apostamos tudo e fizemos o que estava ao nosso alcance.

A modalidade BMX pode ganhar mais incentivo e visibilidade no país depois de um evento tão importante quanto os Jogos Olímpicos?

Acredito que ao sediarmos o evento conseguimos um acesso mais fácil ao conhecimento de diversos esportes. Só o que espero é que, não só no BMX, mas em todos os esportes, apareçam mais apoiadores e meios para que tudo isso se torne não só um sonho, mas uma motivação à todas as crianças e jovens de todo país, trazendo uma nova geração cada vez mais forte no esporte.

No mês passado você acabou sofrendo um acidente na pista onde treina, no Centro Esportivo de Pinheiros, em Sorocaba. O local, hoje, apresenta melhores condições? A Prefeitura está fazendo a manutenção de uma forma correta?

É triste dizer mas, infelizmente as condições continuam as mesmas. Se quisermos um crescimento no esporte, é necessário que ao menos consigamos meios para que isso aconteça.

Você acabou de disputar a Etapa de Sarasota do BMX Supercross World Cup. Quais torneios ainda disputará esse ano? Quais as competições mais importantes para o ano que vem?

Meu calendário de competições internacionais finalizou, então, neste final de ano pretendo apenas focar na minha pré-temporada e procurar melhorar ao máximo para estar ainda mais preparada para o ano que vem, para as grandes competições que estão por vir em 2017, que serão: as Copas do Mundo (Bélgica, Holanda e Argentina), o Campeonato Continental (Bolívia) e o Campeonato mais importante do ano, o Mundial (EUA).

Você declarou que algumas pessoas tratam a sua profissão ainda como um hobby. Essa percepção está começando a mudar ou ainda continua?

De início sim, por vezes foi vista apenas como uma fase ou um hobby, mas então o tempo foi passando e as pessoas começaram a perceber que minha dedicação era por algo grande, que eu realmente trabalhava duro neste sonho. E viram acontecer. Isso acabou mudando muito essa maneira de pensar.

A partir de que idade começou a treinar para se tornar uma atleta profissional de BMX? Hoje você conta com apoio de patrocinadores e da Confederação?

Comecei com 7 anos de idade em 2001, mas ingressei na seleção brasileira apenas no ano de 2010, com 16 anos, quando entrei para uma das categorias principais (Junior Woman). Hoje sou atleta representante da seleção brasileira, possuo alguns apoiadores, porém não são suficientes para que eu consiga custear meu esporte no alto nível.

 

Fotos: Divulgação/Fernando Giovanetti

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