PRATA PARA O BRASIL

Fazia tempo que o termo a “União faz a força” não era usado com propriedade na natação brasileira.

Depois de 17 anos sem conquistas em eventos de primeiro nível nas provas de revezamento em piscina olímpica, o Brasil voltou a colocar um quarteto no pódio.

Neste domingo (23), Gabriel Santos, Marcelo Chierighini, Cesar Cielo e Bruno Fratus conquistaram a prata no revezamento 4X100m livre do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de Budapeste, na Hungria.

Na última braçada, o título ficou com os americanos por uma diferença mínima: 0s28 (3min10s06 X 3min10s34).

O bronze terminou com a Hungria.

Na prova deste domingo, os Estados Unidos apareciam como favoritos, enquanto Brasil, Austrália, Itália, Rússia e França estavam cotados para prata e bronze.

A equipe brasileira avançou à final com o melhor tempo das eliminatórias (3min12s34), mas os americanos haviam poupado dois nadadores: Nathan Adrian e Caeleb Dressel.

Como a Hungria estava na final, a gritaria na Arena era imensa.

Gabriel abriu a prova com o tempo de 48s30, mais de meio segundo melhor que de manhã, passando em terceiro, atrás de Estados Unidos e Hungria. Marcelo ChIerighini caiu na água e pulou para segundo lugar, terminando sua passagem em 46s85, em um desempenho espetacular.

Cesar Cielo encostou no time americano com sua parcial de 48s01, e o país passou a brigar pelo ouro. As duas equipes estavam praticamente em uma prova à parte.

Bruno Fratus e Nathan Adrian ficaram lado a lado nos últimos metros.

Na última virada (350m), a vantagem do americano era de apenas 0s02.

Em uma disputa emocionante, Nathan Adrian completou a prova em 3min10s06 contra 3min10s34 do Brasil.

Fratus fechou com 47s18, sete centésimos mais forte que o americano, mas não conseguiu buscar o “quase” imbatível time americano.

O último pódio de um revezamento brasileiro em grandes eventos havia sido o bronze na Olimpíada de Sydney 2000 no 4X100m livre, com Gustavo Borges, Fernando Scherer, Edvaldo Valério e Carlos Jayme.

Em Mundiais de piscina longa, o jejum era mais longo: o bronze em 1994, na Itália, com Borges, Scherer, Teófilo Ferreira e André Teixeira.

As trocas, momento em que um atleta bate na borda para o outro pular na água, não foram bem feitas nas eliminatórias, com o Brasil perdendo mais de meio segundo com relação aos principais rivais (1s03, contra 0s33 da Austrália, por exemplo).

Para a final, tudo foi ajustado, e o quarteto perdeu apenas 0s55, número bem parecido dos seus adversários: Estados Unidos com 0s83.

É a quarta medalha do Brasil no Mundial de esportes aquáticos de Budapeste, a primeira na natação em piscina.

Nas águas abertas, Ana Marcela Cunha levou o ouro nos 25km e dois bronzes, nos 5km e 10km.

O quarteto do Brasil ainda volta à piscina no Mundial.

Na terça-feira (25), Marcelo Chierighini e Gabriel Santos nadam os 100m livre.

Na quinta-feira (27), Cielo e Fratus entram para as eliminatórias dos 50m livre.

É a primeira medalha de Cielo em um evento intercontinental de piscina longa no revezamento.

Ele já havia sido quarto colocado no 4X100m livre e 4X100m medley no Mundial de 2009, em Roma, mas jamais tinha ido ao pódio.

Dono de três medalhas olímpicas, não nadava a prova pela seleção desde 2011, quando levou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México.

É a sétima medalha de Cielo na história dos Mundiais de longa (tem também três olímpicas).

Ele foi campeão do mundo nos 50m livre em 2009/11/13, dos 50m borboleta em 2011/13 e dos 100m livre em 2009.

Já Fratus foi ao pódio pela segunda vez na história, já que tinha sido bronze nos 50m livre em 2015. Gabriel e Marcelo debutam.

Líder do ranking mundial, Nicholas Santos, de 37 anos, passou com o terceiro melhor tempo para a final dos 50m borboleta, com 22s84, atrás de Caeleb Dressel, dos Estados Unidos (22s76) e Andrii Govorov (22s77).

Henrique anotou 23s13, ficou em terceiro na sua série, e sexto no geral. Sua largada não foi tão boa, mas sua recuperação nos últimos metros foi brilhante.

“Era 23 baixinho que eu queria nadar mesmo, dei uma segurada, dei uma pressionada menor em algumas braçadas.

Não nadei fácil, segurando”, disse Nicholas, prata na edição de 2015.

Já Henrique, em seu primeiro Mundial de longa, garantiu um lugar na final:

“Estou muito feliz, foi bom, corrigi alguns erros com relação à prova de manhã.

Deu para entrar na final, vai ser especial. Na verdade, minha largada sempre foi muito ruim. Agora está menos ruim, melhorou um pouco, mas precisa melhorar muito”, disse.

Nos 200m medley, Joanna Maranhão não conseguiu a vaga na final, mas com a marca de 2min11s24, quebrou o recorde sul-americano, e ficou em décimo lugar, sua melhor posição na história do evento.

Seu antigo tempo era de 2min12s12, da época dos trajes tecnológicos.

“Estou muito feliz.

Não tinha nada a perder.

Estava perseguindo esse recorde sul-americano há muito tempo.

Consegui”, disse Joanna Maranhão.

Nos 100m peito, os dois brasileiros nadaram na mesma bateria.

Felipe Lima foi terceiro com 59s48, e João Gomes o quarto com 59s56.

Mas, no fim, acabaram fora da decisão, em décimo e décimo primeiro lugares.

“Não tem muito o que avaliar, errei e não estou na final.

A gente treina muito e, sei lá, é complicado tentar achar uma justificativa.

Foi uma prova mais forte que na Olimpíada.

Vou rever a prova e pensar nos 50m peito e no revezamento medley” disse João, quinto nos 100m peito na Rio 2016.

As provas dos 400m livre abriram o programa de finais da natação em Budapeste.

Nos 400m livre masculino, ouro para Sun Yang, com 3min41s38, seguido pelo australiano Mack Horton (3min43s85), que é o atual campeão olímpico, e pelo italiano Gabriele Detti (3min43s93).

Na disputa feminina dos 400m livre, Katie Ledecky levou a medalha de ouro com 3min58s34, recorde do campeonato e muito à frente da segunda colocada, Leah Smith, com 4min01s54, e BingJi Li, da China, 4min04s94. Katie domina tanto esta prova que são dela nove dos 10 melhores tempos da história.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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