Obrigado, capitão!

E nesta sexta-feira, 11 de dezembro de 2015, acaba uma carreira brilhante.

Uma carreira de amor ao clube, de títulos, de tristezas, mas acima de tudo, uma carreira vitoriosa.

Sim, será estranho pelo menos no próximo ano saber que você não estará dentro de campo. Se passarão dias, semanas, meses, o ano todo, e lá não estará você para fechar o gol do São Paulo, para sair da sua área e ir do outro lado do campo para fazer um gol de falta ou de penalti, ou então, simplesmente ver você fazendo uma besteira tentando ajudar, mas que acabe prejudicando o nosso time em uma partida.

Você que chegou ao CT da Barra Funda em1990, aos 17 anos, e que estreou no time profissional em 1993, nem imaginaria que sua carreira no São Paulo iria perdurar por mais de 20 anos, tão pouco que você fosse fazer história, quebrar recordes atrás de recordes e conquistar grandes títulos. Só faltou a Copa do Brasil para você, capitão, mas isso é apenas um detalhe.

Eu que pude acompanhar o Zetti no São Paulo e que achei super estranho quando ele saiu do time e você assumiu a titularidade em 1996 e, que certamente como disse acima que vou estranhar sua ausência, imagine o que será dessas pessoas que só vivenciaram a ERA ROGÉRIO CENI? Quem imaginaria que aquele goleiro franzino iria se tornar o ídolo, o mito, a lenda de um time?

E quem poderia imaginar que em 1997, após um ano de titularidade, você fosse fazer o primeiro de 131 gols na sua carreira? Quem, neste mundo do futebol, ousaria a dizer que você iria ser mais ousado do aquele paraguaio, o tal do Chilavert? Quem? Mas você foi ousado e dificilmente outro goleiro fará histórias com tantos gols quanto você.

O que será que passa até hoje pela cabeça do Mário Sérgio de ter proibido você de bater faltas? Louco, não é?

Só de lembrar que sua carreira no clube poderia ser apenas uma vírgula quando você quase “supostamente” saiu do São Paulo ao receber uma proposta do Arsenal e, que pela polêmica, foi afastado por 29 dias por um doente de um presidente, que até então, não sabia o que você significava e significaria para o time e torcida. Deixa isso para lá.

Em 2005, você foi o herói daquela partida contra o Liverpool na conquista do tri mundial (SIM, TRI MUNDIAL) e dane-se o que está colocado no site daquela entidade “idônia” sobre os mundiais. Literalmente você só não fez chover aquele dia. E, cá entre nós, se aquela partida durasse 24 horas, sairíamos com o título e tendo você como o supra sumo daquele jogo. Gerrard deve estar sonhando até hoje com aquela falta que ele cobrou e você foi buscar lá na PQP.

E o que falar de seu gol de número 100 na carreira justamente contra o nosso rival? Que sabor especial, não é? Surreal seria se gol fosse marcado no Morumbi. Certamente você iria lá para o nosso escudo comemorar o gol.

Seleção Brasileira? Com o perdão da palavra, foda-se, não é? Mesmo se você fosse titular do Brasil no título de 2002, seu prazer em ganhar títulos, seria no São Paulo.

Muitas pessoas te acham egocêntrico, sim, e não precisa torcedores rivais falarem, nós são paulinos (pelo menos a maioria) sabemos que sua egocentricidade no lado profissional é absurdo a ponto de não admitir falhas em alguns jogos, a ponto de suportar algumas dores, só para não dar chance para o goleiro reserva jogar ou a ponto de prolongar sua carreira, só pela gana e obstinação de ganhar mais uma Libertadores. Esse último fato não deu, não é, capitão? Mas, isso também é só um detalhe. O importante é o que você fez pelo clube.

Tiro o chapéu para você e o Marcos, que foram exemplos de amor a camisa, dedicação a um mesmo clube. Ele pelo Palmeiras e você pelo nosso São Paulo.

Lamento por não estar em seu jogo de despedida, mas fica aqui meu agradecimento por todos esses anos. Pelas alegrias que você deu para nós, torcedores do São Paulo e também para torcedores rivais, afinal, eles só se importavam com você, porque você os incomodava.

Hoje você terminará sua carreira fazendo um, dois, três, não sei quando gols na NOSSA casa. E ficará em nossos corações, pois você não está e nem esteve são paulino. Você foi, você é são paulino.

Aproveite sua aposentadoria. Fique com a familia, viaje, desliga-se um pouco desse esporte delicioso e ao mesmo tempo cruel, que se chama futebol.

Obrigado, capitão! Obrigado, goleiro artilheiro! Obrigado, mito! Obrigado, Rogério Ceni!

Todos tem goleiro, só nós temos Rogério Ceni.

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