O Mito voltou!

Rogério Ceni é o novo técnico do São Paulo. O anúncio oficial, ocorrido na tarde desta quinta-feira (24/11), acabou com a especulação que vinha rolando desde que ele pendurou as chuteiras, há quase um ano. Com o fato consumado, as discussões sobre o acerto ou não da contratação vem ganhando força em programas esportivos e entre torcedores.

De início, vou na contramão da maioria. Acredito que tornar Rogério técnico agora significa um grande risco para ele próprio, além de muito prematuro. Não há como negar que ele é uma figura singular e especial no mundo do futebol pela sua personalidade, conhecimento, determinação e profissionalismo, características que nos fazem crer que se tornará um grande técnico, mas agora é o início de uma nova profissão e para tal é preciso passar por etapas.

A contratação do ídolo parece ter sido feita em grande parte pela pressão da mídia e por uma boa parcela da torcida, que sofre com o desempenho do time nos últimos anos e que vira a mexe se apoia na volta de ídolos recentes com a esperança de que as coisas mudem, como foi com Muricy, Lugano, Marco Aurélio Cunha e agora Rogério.

O Mito corre risco de dar um passo maior que a perna, já que no futebol brasileiro dificilmente um treinador se mantém muito tempo no cargo sem resultados. Será que Rogério, com toda sua história vitoriosa no clube, resistirá a fracassos, eliminações e futebol ruim ao longo do ano? Se não resistir, voltará aos cursos que vinha fazendo ou arriscará um novo trabalho por aqui?

Apesar de discordar da contratação, consigo enxergar pontos favoráveis na escolha. Rogério certamente terá carta branca para fazer mudanças necessárias no time e comissão técnica, o que outro profissional talvez tivesse mais dificuldade, e essas mudanças se mostram cada vez mais necessárias e urgentes, tendo em vista que o clube brigou para não cair duas vezes nos últimos quatro anos.

O ex-goleiro pode se beneficiar também das mudanças que podem acontecer no clube com as próximas eleições e mudança do estatuto. Isso tudo pode dar o respaldo para que Ceni tenha tranquilidade para implantar seu método de trabalho e projeto para o futebol do time nos dois anos de contrato. No campo, o atual técnico parece que não será mais um entre muitos que temos aqui no futebol brasileiro, com filosofias de jogo ultrapassadas e retrancas que são influenciadas pelo risco de demissão caso o resultado não venha em três ou quatro jogos. Rogério gosta de futebol bem jogado e é difícil pensar que ele não vai querer trazer isso para seus times.

Apoio da torcida certamente não faltará. Ver o Mito sendo  xingado por uma substituição é algo surreal de se pensar e é provável que não aconteça. Outro treinador dificilmente teria esse privilégio. Estar fora da Libertadores neste momento, apesar do prejuízo financeiro, pode ajudar. No Paulistão, Rogério terá mais tranquilidade para rodar o elenco e fazer os testes que considerar necessários, o que não daria para fazer em uma competição continental.

Criticado ou elogiado, Rogério Ceni está de volta e será uma das grandes atrações do futebol brasileiro em 2017. Se conquistar metade do que conquistou como jogador, o patamar que terá dentro do clube alcançará níveis inimagináveis e certamente contribuirá para o surgimento de outros grandes treinadores brasileiros.

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