Não volta mais, o “retorno”!

“Como sucessivas administrações desastradas transformaram o São Paulo de clube-modelo e cheio de títulos em um saco de gatos”. Essa era a manchete da revista Lance A Mais nº142 de maio de 2003. Lembro da sensação que tive ao ler esta revista. Na época, um garoto de 13 para 14 anos, que, por influência do pai, sempre foi Tricolor, apesar de ser muito novo para lembrar do que o clube havia feito no início dos anos 90. Minha primeira lembrança feliz como torcedor foi o título Paulista de 1998, aquele que teve o retorno de Raí para a final e que foi a despedida de Denílson, que embarcava para Sevilla como a maior venda da história de um clube brasileiro.

Lance A+ nº 142

De 98 a 2003, ano da referida publicação, o Tricolor ganharia mais um Paulistão em 2000, um Rio-São Paulo (aquele do Kaká) em 2001 e o tal Super Campeonato Paulista de 2002. Não era ruim, mas lendo a reportagem da revista, pude perceber que o São Paulo deveria ser mais que tais títulos regionais. Eu sabia que torcia para um bi-campeão Mundial, mas não tinha muita noção do que isso representava. O tom pessimista das palavras da revista me chamou a atenção e lembro da sensação que tive: “meu time nunca mais vai ganhar um Mundial”.

Ainda assim, nunca tive meu lado torcedor abalado. Adorava assistir o São Paulo, que acabava de perder o Campeonato Paulista de 2003 para o Corinthians. No entanto, neste mesmo ano, em 2003, de uma forma impressionante para mim, o São Paulo conseguiu se classificar à Libertadores após dez anos. Isso significava que pela primeira vez eu poderia acompanhar meu time na competição mais importante da América do Sul, já que em sua última participação, eu era uma criança de cinco anos.

Chegou o ano de 2004 e com ele um pacotaço de reforços para a disputa continental. O técnico Cuca, o zagueiro Fabão, o meia Danilo e o atacante Grafite, todos do Goiás, o zagueiro Rodrigo, da Ponte Preta, Cicinho do Atlético MG e o atacante Vélber, do Paysandu. Contratações modestas, mas que marcavam uma nova era para o São Paulo Futebol Clube: o presidente Marcelo Portugal Gouvêa e o diretor de futebol, Juvenal Juvêncio davam as cartas de um São Paulo de contratações certeiras (pelo menos boa parte delas).

Rodrigo,Cicinho,Fabão, Cuca, Velber e Grafite

Naquela campanha de Libertadores tudo parecia mágico. As coisas davam certo, o time encaixava, o futebol crescia. Ao chegar na semifinal contra o Once Caldas da Colômbia, o torcedor são paulino já imaginava uma possível final com o Boca Juniors na Bombonera. Não contávamos com o fatídico tropeço, mas se existe hora para o clichê “caiu de pé” era essa. Era uma eliminação que mostrava que o São Paulo vivia e que uma nova era se aproximava. Não deu outra, pois novamente o clube se classificou para a Libertadores no Brasileiro de 2004 e sabemos o resto da história.

Imagem da última conquista do elenco profissional

Ouso dizer que nenhum time jamais viverá um período tão fabuloso como o que o Tricolor viveu de 2005 a 2008. Em 4 anos o São Paulo conquistou um Estadual, três Brasileiros, uma Libertadores e um Mundial de Clubes. É muito improvável que alguém repita tamanha façanha. Mesmo sem títulos de 2009 a 2012, quando o Tricolor venceu a Copa Sulamericana, não havia crise que se instalasse no Morumbi. Depois de tantas conquistas memoráveis, parecia natural que houvesse algum relaxamento. A maldita expressão “Soberano” era soberana dentro do clube, que não percebia que, pouco a pouco, estava sendo ultrapassado pelos rivais.

A partir daí já pudemos acompanhar vexames, brigas políticas, corrupção, despreparo e muita, mas MUITA sujeira sendo varrida para baixo dos tapetes do Morumbi. Desde 2013 o São Paulo acumula uma infinidade de eliminações. E engana-se quem pensa que perder faz parte do jogo neste caso. Entre as eliminações, cabe ao SPFC a “honra” de ter sido eliminado por equipes como Penapolense, Ponte Preta, Juventude, Audax e Bragantino, isso sem contar na imensa freguesia para o Corinthians neste quesito desde então e os “poderosos” argentinos do Colón, Defensia Y Justicia e Talleres.

São Paulo não consegue mais vencer seus rivais fora do Morumbi. O excelente Alexandre Giesbrecht (sigam @jogosspfc) divulgou recentemente uma lista horrível:

 

Apenas sete vitórias fora do Morumbi e NENHUMA delas foi em Itaquera ou no Allianz Parque. Mauro Cezar Pereira diz em seu blog que contra Santos, Palmeiras e Corinthians, até a Ponte Preta tem um retrospecto melhor. Sem menosprezar o time campineiro, mas basta analisar as folhas salariais para notarmos o motivo do espanto com a informação.

Nos últimos anos o torcedor do São Paulo teve que acompanhar brigas contra um inédito rebaixamento em pelo menos duas ocasiões. Em 2018, apesar de ter passado longe do Z4, a humilhação que o torcedor sentiu também foi profunda: após terminar o primeiro turno como líder do campeonato, chegou ao fim do Brasileiro em uma deprimente quinta colocação, que garantiu vaga na Pré-Libertadores para que o time pudesse atualizar o repertório de vexames com a eliminação para o Talleres sem um mísero chute a gol.

Este caso do Talleres para mim é o mais emblemático de todos porque em dois jogos notamos muitas coisas erradas no clube, desde a farra dos conselheiros viajando para a Argentina, até a bandeirinha de escanteio com as cores invertidas.

 

Alguns amigos acham exagero esse detalhe das cores invertidas, mas para mim mostra que tem muita gente dentro do clube que não tem as noções básicas do que é o São Paulo Futebol Clube. O atual presidente Carlos Augusto de Barros e Silva (Não dá pra chamar alguém de Leco no auge da raiva) tem uma imensa cifra referente às vendas de jogadores, mas não ostenta um título sequer do futebol profissional.

Raí para mim é o maior ídolo da história do São Paulo, mas tem cometido MUITOS erros como diretor de futebol. O mais grave deles para mim foi o de efetivar André Jardine após a demissão de Diego Aguirre. Não era hora de apostar.Apesar disso, manteria o dirigente porque se há alguém lá de dentro que sabe o que o clube significa, esta pessoa é o Raí.

O São Paulo precisa urgentemente mostrar sua força, antes que sucumba de vez e como dizia o texto da publicação de 2003, ‘não volte mais’. Enquanto o clube não estiver nas mãos de gente que o tenha como prioridade, vamos continuar colecionando fracassos e bastará eu atualizar este texto de tempos em tempos.

ACORDA SÃO PAULO!!!

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