Muito bem, dona Dilma!!!

Presidente Dilma Roussef com integrantes do Bom Senso F. C.
Presidente Dilma Roussef com integrantes do Bom Senso F. C.

Em tempos de recesso econômico, em que o Brasil vai (MUITO) mal das pernas e não sabemos até quando teremos o direito de utilizar água e energia elétrica, uma boa notícia para quem assiste futebol (pelo menos enquanto a televisão funcionar): o Bom Senso venceu! Tanto o movimento liderado por atletas revoltados com as condições precárias a que são submetidos, quanto o discernimento de nossa presidente da república.

Dilma vetou o artigo 141 da Medida Provisóra 656, que previa de maneira indecente, o parcelamento da astronômica dívida dos clubes brasileiros com a União. Indecente sim, porque ao todo, os 12 maiores clubes do país devem, entre FGTS, Tributos e Previdência, cerca de R$1,59 bilhão ao Brasil, segundo informações da Folha de S. Paulo. O referido artigo sugeria o parcelamento desse valor absurdo a perder de vista, sem exigir nenhuma contrapartida de responsabilidade dos times e seus dirigentes.

Se você acompanha minimamente os bastidores do fuebol, imagina como funcionam as coisas. Os cartolas são eleitos e empurram dívidas de gestões anteriores com a barriga, porque só querem saber do resultado esportivo. Ou seja, ignoram dívidas antigas e gastam suas receitas em contratações de jogadores, sem a menor responsabilidade.

O resultado desse histórico é o que vemos nos clubes cariocas, que são responsáveis por R$ 781,7 milhões dessa dívida, nos paulistas, que atrasam salários de jogadores e outros funcionários, dos mineiros, que vendem jogadores e têm o dinheiro bloqueado pela receita federal, entre outros.

Paulo André, ex-zagueiro do Corinthians e líder do Bom Senso F.C., diz que esse veto presidencial foi a maior vitória do futebol brasileiro. E eu concordo. Alguém duvida que, assim que os clubes conseguissem a certidão negativa de débito, correriam para instituições financeiras para garantir dinheiro para novas contratações?

É copreensível que os dirigentes estejam com a caneca nas mãos, pedindo socorro para aliviar suas contas que chegaram a um ponto insustentável. Se querem ajuda, vão ter que ceder e assinar termos de compromisso. A presidente Dilma Roussef deu um balde de água fria na famosa “Bancada da Bola”, que desde a CPI da Nike mostra sua força no Congresso Federal. Após conseguir aprovações na Câmara dos Deputados e no Senado, fracassou na tentativa de convencer o nível poder mais alto do país.

A Comissão de Clubes se manifestou dizendo estranhar a comemoração do Bom Senso FC pelo veto presidencial, pois, segundo eles, os jogadores continuarão sem receber salários por conta disso. Só pode ser brincadeira, né? Olha o nível de argumentação da entidade.

Agora, o Governo Federal convidará representantes do Bom Senso para compor uma comissão que discutirá o projeto para possibilitar uma nova proposta de refinanciamento, com contrapartidas e garantias de responsabilidade financeira. Pode parecer pouco, mas não é. O Bom Senso conquista uma importante vitória por um futebol melhor no Brasil, pois derrotar a Bancada da Bola não é, nunca foi e nunca será fácil.

Viva o Bom Senso! Viva o Veto!

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