Hugo Calderano: a jovem esperança brasileira rumo ao Rio-2016

O tênis de mesa sempre manteve uma tradição no Brasil. O país é um gigante nas Américas e sempre lançou jogadores capazes de competir nos mais fortes torneios internacionais. Basta lembrar de Cláudio Kano e Hugo Hoyama, dois dos principais mesa-tenistas brasileiros da história.

Atualmente, um dos principais nomes da modalidade e grande esperança de bons resultados em um futuro próximo tem apenas 19 anos. Trata-se do carioca Hugo Calderano. Na sua curta carreira, ele já acumula uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanjing, na China, em 2014, e no último mês de julho foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, ambos no individual. Logo em seguida, atingiu o seu melhor ranking, 52ª posição (no ranking atualizado de setembro ele aparece na 61ª colocação), e de quebra, carimbou sua vaga para os Jogos do Rio-2016 no ano que vem.

O atleta conversou com o Esquema de Jogo e falou sobre a sua rápida ascensão no circuito internacional, sua preparação para os Jogos Olímpicos do Rio-2016 e também sobre a estrutura do esporte no país, que infelizmente ainda não é a ideal para o desenvolvimento dos atletas.

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Esquema de Jogo: Você conquistou, em julho, a medalha de ouro no individual nos Jogos Pan-americanos de Toronto. Já esperava ter essa conquista no currículo com apenas 19 anos?

Hugo Calderano: Esse era o meu objetivo para esse Pan, principalmente porque valia a vaga olímpica. Eu era o terceiro cabeça de chave, sabia que ia ser difícil, mas tinha confiança de que ia conseguir.

EJ: A medalha de ouro em Pan-americanos não vinha desde 1995, quando Hugo Hoyama ganhou nos jogos de Mar del Plata. Você já conseguiu assimilar que obteve uma marca histórica na modalidade?

HC: Foi muito legal voltar a conquistar esse ouro para o Brasil, mas o tênis de mesa brasileiro tem evoluído tanto nos últimos anos e alcançado várias marcas históricas. A tendência é que isso continue. Estamos trabalhando para isso.

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EJ: Na final do Pan de Toronto você jogou contra o Gustavo Tsuboi, seu companheiro na equipe brasileira de tênis de mesa. A convivência com ele nos treinamentos e o conhecimento que você tem do estilo de jogo dele foram essenciais para a conquista desse resultado?

HC: Nós nos conhecemos bem, mas esse conhecimento funciona tanto para mim quanto para ele. O jogo acaba sendo muito tático e sempre duro.

EJ: Você, ao lado do próprio Tsuboi e do Thiago Monteiro, conquistou o ouro também por equipes no Pan de Toronto. O que você absorveu do jogo desses dois jogadores, que são experientes na modalidade? Cada treinamento com eles é um certo aprendizado?

HC: Eu já treino com eles desde os 15 anos, principalmente com o Tsuboi, primeiro em São Caetano e desde o ano passado em Ochsenhausen, na Alemanha. Isso sempre foi muito bom para mim. Acho que hoje eu aprendo com eles e eles também aprendem comigo.

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EJ: Com a vitória no Pan você conseguiu a vaga para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no ano que vem. Esse vai ser o grande desafio da sua carreira? Você tem uma meta de até onde quer chegar, em termos de resultado, na Olimpíada?

HC: Essa vai ser uma competição especialmente importante, mas é muito difícil prever resultados. Eu venho evoluindo a cada ano e esse ano vai ser de trabalho duro para chegar bem no Rio-2016. A meta é jogar meu melhor tênis de mesa e o resultado vai ser consequência.

EJ: Quais são os próximos torneios que você vai disputar em 2015?

HC: No último dia 23 de agosto começou a temporada da Bundesliga (liga alemã), onde defendo o TTF Liebherr Ochsenhausen. Esse ano ainda vou disputar as etapas da República Tcheca, da Áustria e da Polônia do Circuito Mundial e em novembro, no Rio, o evento teste para os Jogos Olímpicos-2016.

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EJ: Você atualmente está na 61ª posição do ranking masculino adulto e sua melhor colocação foi a 52ª, logo após o Pan de Toronto. A sua meta é chegar entre os 30 primeiros e se tornar o primeiro brasileiro a conseguir esse feito?

HC: Por enquanto, posso dizer que sim.

EJ: Atualmente você mora e treina na Alemanha. Essa mudança foi essencial para a evolução do seu jogo? Depois da China, a Alemanha é a principal força no tênis de mesa mundial?

HC: Sim, a Alemanha é a segunda liga mais forte do mundo, com vários atletas de ponta competindo. Além disso, a estrutura do meu clube é muito boa.

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EJ: Quando mais novo, você chegou a treinar vôlei. Quando decidiu que o tênis de mesa era o que realmente queria se dedicar?

HC: Fui para seleção brasileira de tênis de mesa muito novo, comecei a viajar para participar de campeonatos sul-americanos e latino-americanos e tive bons resultados. Isso me motivou muito. Quando tive que optar, meus pais fizeram um exame de idade óssea que apontou que eu teria no máximo 1,86 m. Então achamos que as minhas chances no vôlei seriam menores e passei a investir só no tênis de mesa.

EJ: Quais são as suas principais referências no esporte?

HC: Gosto bastante do Roger Federer, por sua atitude dentro e fora de quadra.

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EJ: Em termos de estrutura e patrocínio, o Brasil ainda está longe dos principais países na modalidade?

HC: Desde que o Rio de Janeiro foi escolhido como sede dos Jogos Olímpicos, houve bastante investimento no esporte de alto rendimento. Nesse momento, eu tenho praticamente toda a estrutura de que preciso para evoluir. Não sei o suficiente para falar sobre investimentos na base, que seriam fundamentais para que o esporte continuasse evoluindo depois de 2016. Em relação a patrocínio, acho que, por ser tão mais popular no Brasil, o futebol monopoliza os investimentos privados e sobra muito pouco para os outros esportes. Temos que mostrar aos brasileiros que torcer por outros esportes pode ser tão ou mais emocionante do que torcer pelo futebol e assim conquistar nosso espaço.

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