História da Copa América

Copa América: Brasil reencontra Bolívia no Morumbi 40 anos depois.

Competição Sul-Americana volta a ser realizada no Brasil depois de 30 anos, e Seleção volta a jogar no Morumbi após 40 anos, quando também enfrentou a Bolívia.

É dia de Copa América.

Nesta sexta-feira (14), a Seleção Brasileira estreia na competição contra a Bolívia, no Estádio do Morumbi, em São Paulo.

A bola rola às 21h30 (horário de Brasília), em uma partida cheia de significados para o Brasil.

Vestindo branco, com o seu mais novo uniforme, a Seleção homenageará os campeões sul-americanos de 1919, que deram o pontapé inicial para a paixão que tomou conta de um povo.

O Campeonato Sul-Americano de 1919 marcou o início de uma era para o futebol brasileiro.

Liderados pelo “Tigre” Arthur Friedenreich, os brasileiros levantaram a taça e, pela primeira vez, viram despertar o amor dos torcedores pelo esporte bretão.

Na época, a Seleção vestia uma camisa branca com detalhes em azul.

E assim seria até 1950, quando a Amarelinha tomaria conta de nossa história.

Para relembrar essa época tão importante para nossa Seleção, o novo uniforme entrará em cena nesta sexta-feira (14).

Para o duelo contra a Bolívia, o Brasil tem um desfalque confirmado.

Ainda se recuperando de uma pancada no amistoso contra Honduras, o meia Arthur começará a partida no banco de reservas.

Durante entrevista coletiva nesta quinta, o técnico Tite confirmou que o ataque será comandado por Roberto Firmino, e destacou a confiança com a qual o time entra na Copa América.

“Temos consciência de que temos que construir etapas para o título. Para ganhar tem que jogar bola. No jogo contra Honduras, por exemplo, respeitamos o adversário e principalmente o nosso trabalho”.

Campeão da Copa América em 2007, o lateral Daniel Alves é o jogador mais experiente da Seleção Brasileira.

Também por conta disso, herdou a faixa de capitão da equipe, e está pronto para assumir essa responsabilidade.

Após três semanas de trabalho intenso e dois amistosos, a Seleção conclui a preparação na última quinta-feira, com um treino no estádio do Morumbi, palco da estreia contra a Bolívia.

Para o lateral, é um momento pelo qual os jogadores ansiavam tanto.

E a torcida brasileira tem todos os motivos para esperar uma boa Copa América da Seleção.

“É um momento esperado por todos nós, todos esses dias trabalhando muito bem para esse momento. Estamos preparados para estrear, fazer uma grande apresentação e voltar a conectar com o nosso povo. Agora é para valer, é trazer tudo que a gente trabalhou para esse grande momento”.

O duelo contra a Bolívia marca a primeira partida oficial da Seleção desde a Copa do Mundo da Rússia, em 2018.

Sem perder desde então, a Seleção terá, na Copa América, o primeiro desafio do ciclo para a Copa do Mundo do Catar 2022.

Como descreveu Edu Gaspar, Coordenador da Seleção Brasileira, o trabalho até o próximo Mundial terá três camadas.

A primeira delas, de curto prazo, mira o título da competição.

E vem num momento histórico para o Brasil.

Há 30 anos, a Seleção conquistava a Copa América na última edição sediada no país.

O título de 1989 foi vencido a suor e sangue, com partidas disputadíssimas contra Uruguai e Argentina na fase final.

Na atual edição, o Brasil abre contra um adversário que tem sido sinônimo de bons resultados nos últimos tempos.

Ao todo, foram 10 confrontos com a Bolívia pela Copa América.

Entre elas, foram oito vitórias brasileiras, duas derrotas, com 40 gols marcados e 13 gols sofridos.

O último confronto foi na decisão da Copa América de 1997, em La Paz, quando o Brasil ganhou da Bolívia de virada por 3 a 1.

Na icônica decisão, o técnico Zagallo respondeu aos críticos após o título, com a frase que se eternizou na história da Seleção Brasileira: “Vocês vão ter que me engolir!”.

Além da Bolívia, o Brasil ainda enfrenta Venezuela e Peru nos dias 18 de junho e 22 de junho, em Salvador e São Paulo, respectivamente.

A Seleção está no Grupo A da competição.

Friedenreich: origem, histórias e mitos do primeiro ídolo da Seleção.

Conheça mais sobre a carreira do pardo de olhos verdes que desafiou a aristocracia defendendo a Seleção em 1919 e é o herói do nosso primeiro grande título.

A Seleção Brasileira tem muitos ídolos.

Se fôssemos citar um a um aqui este parágrafo inicial do texto seria interminável.

Mas vamos começar pelo primeiro: você sabe quem foi o pioneiro na nossa galeria de estrelas?

Até tem nome de gringo, mas fez o povo brasileiro vibrar muito com a Amarelinha.

Nossa personagem em questão é Arthur Friedenreich, o herói do Sul-Americano de 1919.

Assim como outros grandes craques do nosso futebol, El Tigre, como era chamado, tem uma interessante história de vida.

Também giram polêmicas em torno de sua história, mas talvez ninguém do meio esportivo nacional tenha tantas peculiaridades quanto ele.

Filho de um descendente de alemães com uma negra brasileira, Friedenreich nasceu pardo e com os olhos verdes, sendo um legítimo exemplo da miscigenação de nossa raça.

Desde pequeno, o alto e forte rapaz paulistano demonstrava interesse pela bola na várzea da capital paulista.

O ingresso dele na modalidade, no entanto, aconteceu de forma curiosa.

Durante uma partida na rua, o jovem foi atropelado.

Não sofreu nada além de arranhões e seu pai, Oscar, pensando em evitar um novo incidente, matriculou o filho no clube Germânia.

Através de uma medida protetiva do pai, Fried teve seu primeiro contato “pra valer” com a pelota que tanto amava e, ainda sem ter muita noção disso, iniciou a grande carreira.

Friedenreich fez parte da equipe que disputou o primeiro jogo da história da Seleção Brasileira, diante do Exceter, da Inglaterra, em 1914.

A idolatria nacional viria cinco anos mais tarde.

Grande craque do Brasil no Sul-Americano de 1919, disputado no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro-RJ, El Tigre foi importantíssimo durante a campanha, com quatro gols, e marcou o tento na grande decisão com o Uruguai, na prorrogação da partida, que garantiu o primeiro grande título do Brasil no futebol.

Se quanto a este gol não há dúvidas, o mesmo não pode ser dito sobre outros.

Uma das polêmicas envolvendo a carreira de Friedenreich é a quantidade de gols que ele marcou. Alguns registros apontam mais de 1.300 gols na carreira do atacante.

Há também, no entanto, dados que marcam 558 tentos.

A estatística oficial do Centro de Memória e Acervo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) contabiliza dez gols em 23 jogos com a Amarelinha.

Outro mito que paira sobre a carreira de Friedenreich se refere aos pênaltis.

Foi perpetuado por anos na mídia que o atleta nunca havia perdido uma penalidade em mais de 500 cobranças.

Alguns registros, no entanto, apontam que não fez o gol finalizando da marca do cal da pequena área em 12 oportunidades.

Enquanto há contradições para os pênaltis existe um fato que não pode ser contestado: o sucesso do atleta após o gol do título do Sul-Americano 1919.

As chuteiras que ele usou na grande decisão com o Uruguai ficaram expostas em uma famosa e importante joalheria do Rio de Janeiro e do Brasil nas primeiras décadas do Século XX, ao lado de joias raras, obras de artes e outros objetivos de grande valor.

Não é exagero afirmar que nascia ali a “Pátria de chuteiras”, expressão proferida e imortalizada pelo histórico cronista esportivo Nelson Rodrigues.

Mesmo em uma época sem internet e jogos com transmissão em TVs, Friedenreich também alcançou um status de astro internacional.

Esta fama começou em uma excursão do Paulistano à Europa, time que o atacante defendia, no ano de 1925.

Na estreia, diante da França, El Tigre fez três gols na vitória por 7 a 1 da Seleção Brasileira e terminou a viagem com 11 gols em dez jogos disputados.

A partir daí vieram novos apelidos.

Le roi du football (O rei do futebol) e Le danger (O perigo) foram as alcunhas.

Mas o primeiro, El Tigre, que veio justamente dos adversários uruguaios no Sul-Americano de 1919, foi o que mais “pegou” e o acompanhou até o último dia de vida.

Nosso primeiro ídolo representa a pluralidade de nosso povo.

A ginga e o talento do futebol brasileiro em sua essência.

Cabe a nós destacar seus grandes feitos, contar a história que escreveu e agradecer por tudo o que fez pelo esporte do nosso país. Valeu, Fried.

Você honrou a amarelinha como poucos, antes mesmo dela ter esta cor.

Moeda diferente, transporte marítimo, mulheres não votavam…

Como era o Brasil em 1919?

Panorama político e sociocultural do Brasil em 1919 era muito diferente do que é visto nos dias de hoje.

Confira algumas das principais mudanças:

Imagine acordar em 1919.

Sem televisão e internet, o jornal era o principal meio para obtenção de notícias.

Viagem longa?

Melhor nem pensar em avião: o jeito era optar por travessias de navio.

Se mulher, você também não poderia exercer o direito do voto.

Quando a Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título de expressão, no Campeonato Sul-Americano, o mundo era muito diferente do que é hoje.

Confira alguns dos principais marcos do início do século XX:

Transporte nas águas: Carro, que nada!

Há 100 anos, os navios ainda eram o principal meio de locomoção por terras brasileiras.

As seleções que disputaram o Sul-Americano de 1919, inclusive, chegaram ao Rio de Janeiro em embarcações, que foram ancoradas no Pier Mauá.

À época, o Ministério da Fazenda subsidiou 50% do valor das passagens como forma de incentivar a participação de nossos rivais no torneio.*

Boom demográfico: De 30 para 208 milhões: Brasil teve aumento considerável na população nos últimos 100 anos.

Em 1919, o Brasil tinha cerca de 30 milhões de habitantes e Minas Gerais era o estado mais populoso do país, com 5,7 milhões de pessoas.

Nos últimos 100 anos, o número de brasileiros aumentou quase que sete vezes, a última estimativa demográfica divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE), em 2018, mostra que o país tem 208,5 milhões de habitantes.

O estado de São Paulo, que hoje é o mais populoso, tem mais pessoas do que tinha o país inteiro em 1919: são 45,5 milhões de habitantes em terras paulistas.

Panorama político: Delfim Moreira assumiu a Presidência da República ainda em 1918, logo após a morte de Rodrigues Alves, de quem era vice.

Alves foi vitimado pelo surto de gripe espanhola, que assolou o país e inclusive forçou o adiamento do Sul-Americano para 1919.

Todavia, o próprio Delfim Moreira veio a falecer em 1919.

Após novas eleições, Epitácio Pessoa assumiu o cargo de chefe do Executivo (1919-1922).

Futebol pelo país: Nos dias de hoje, todos os 27 estados do Brasil têm campeonatos estaduais disputados anualmente, mas esse não era o panorama em 1919.

Há 100 anos, só existiam 14 torneios pelo país: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Pernambuco, Pará, Amazonas, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Espírito Santo.*

Mulheres excluídas da política: “Quem vive em sociedade está sujeito a encargos, aos quais devem corresponder direito. (…) A mulher paga impostos: por que proibir a sua participação em regulá-los?”

As palavras abrem o texto do primeiro projeto de lei que propunha o voto feminino, elaborado pelo senador Justo Chermont em 1919 após pressão do movimento sufragista, mas sem sucesso.

O voto só seria garantido universalmente às mulheres em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas.

Moeda: A moeda brasileira já passou por algumas modificações antes de chegar ao Real, que é o modelo utilizado atualmente.

Em 1919, os valores eram medidos em Réis.

A unidade monetária vigorou no país de 1568, quando Dom Sebastião determinou que as moedas de Portugal fossem incorporadas a suas colônias, até 1942, no governo de Getúlio Vargas (substituída pelo Cruzeiro).

Jornal era principal meio de comunicação: Se hoje o que não faltam são fontes de informação no Brasil, o panorama não era o mesmo em 1919.

Há 100 anos, os jornais impressos eram praticamente o único meio de comunicação disponível à população.

A título de comparação, o rádio só chegaria em terras brasileiras três anos depois, em 1922, o marco inicial da radiodifusão no país é um discurso do então presidente Epitácio Pessoa, em comemoração ao centenário da independência.

São Paulo e Cruzeiro sequer existiam: Há 100 anos, dois dos maiores clubes do futebol brasileiro ainda não tinham sido fundados.

Clube brasileiro com mais títulos mundiais (3 vezes), o São Paulo só foi fundado em 1930.

Já o Cruzeiro, bicampeão da Taça Libertadores da América e maior vencedor da Copa do Brasil, só foi surgir dois anos depois do Sul-Americano de 1919, em 1921.

Primeira montadora de carros em território nacional: Até meados dos anos 1910, os carros utilizados no Brasil eram 100% importados, o país ainda não tinha qualquer empresa fabricando veículos por aqui.

A primeira montadora em solo nacional surgiu justamente em 1919, com a chegada de uma empresa americana, instalada na rua Florêncio de Abreu (São Paulo).

Um dos carros mais famosos da época era o Bigode, que era montado com peças importadas por grupos de apenas 12 operários.

*Algumas das informações citadas neste texto foram retiradas do livro “Sul-Americano de 1919: quando o Brasil descobriu o futebol”, do jornalista Roberto Sander.

Título da Seleção em 1919 representa resposta ao preconceito de rivais.

Ofensas de argentinos e uruguaios ajudou a diminuir preconceito entre os próprios brasileiros e despertou forte interesse pela Seleção nacional.

O futebol há cem anos era para poucos.

Apenas ricos e brancos tinham “permissão” para praticar o esporte mais popular do mundo no Brasil.

Em 1919, trinta anos depois da assinatura da Lei Áurea, o negro ainda sofria preconceito.

As delegações de Argentina, Chile e Uruguai ficaram hospedadas em um hotel na região central do Rio de Janeiro para a disputa do Sul-Americano.

Entre uma atividade ou outra, os atletas ficavam na porta do alojamento e zombavam das pessoas que circulavam pela rua.

Este é só mais um dos fatos que acirrou a rivalidade entre os povos, mas também serviu para criar uma união interna.

Delegação da Argentina no Sul-Americano de 1919: vizinhos zombavam de pessoas nas ruas pela simplicidade do povo brasileiro e discriminavam os negros.

Os estrangeiros não debochavam apenas dos negros, mas de todos os brasileiros.

O país era menos desenvolvido e as pessoas usavam roupas simples, classificadas como trapos pelos uruguaios e argentinos.

Como também passaram a ser alvo de piadas, os ricos despertaram o desejo pela vitória.

Quando viram que seria imprescindível o apoio dos negros e pobres, passaram por cima disso e iniciaram uma aproximação aos que sempre descriminaram.

“A gente tem que colocar o futebol no contexto histórico. Era a República Velha, elitista, com ranço escravista, dominada por oligarquias. O futebol era um bem dessas elites. Era praticado pelos filhos da burguesia. Disputavam os campeonatos pelos clubes de elite do Rio de Janeiro e de São Paulo. Era um futebol embranquecido. O Sul-Americano começou a quebrar isso. Criou uma unidade nacional, pois começaram a torcer pelo Brasil , além dos ricos, os pobres. Essa mistura ficou clara com a presença do Friedenreich, que simboliza esse encontro do negro com o branco. E da mistura surge esse novo futebol”, destaca o jornalista e pesquisador Roberto Sander, autor do livro “Sul-Americano de 1919”.

Assim como Neco, Friedenreich não era branco.

El Tigre era moreno e tinha os olhos verdes.

As participações dele e do companheiro na Seleção Brasileira causavam estranheza e não eram vistas com bons olhos pela aristocracia.

As ofensas dos vizinhos sul-americanos, porém, trouxeram um sentimento forte pela necessidade de vitória, que era encarada como forma de resposta para eles.

Por isso, como o altíssimo ganho técnico que ambos representavam, a questão racial foi deixada de lado.

“Os estrangeiros nos descriminavam e zombavam do povo. Mas também havia o preconceito entre nós mesmos, algo que, infelizmente, ainda existe no Brasil. Na época, evitavam a escalação de jogadores negros justamente para que os argentinos e uruguaios não zombassem da Seleção Brasileira. Mas o Friedenreich, por conta do futebol, já que era o Pelé da Era Amadora, tornou-se uma figura absoluta. Não foi molestado em tempo algum pelo fato de ter sido um grande jogador” lembra o jornalista e pesquisador Roberto Assaf, um dos autores do livro “Seleção Brasileira (1914 – 2006)”.

Durante a competição, como estavam em casa, em maioria, os brasileiros não deixaram barato e passaram a responder as provocações.

Em alguns jogos nas Laranjeiras, inclusive, a Polícia do Rio de Janeiro compareceu para fazer a segurança e seus oficiais foram posicionados no espaço entre a arquibancada e o gramado.

Este é o primeiro relato da história do futebol nacional com policiamento no estádio.

Primeiro relato de policiamento em estádios no Brasil é no Sul-Americano de 1919.

Ao fim do Sul-Americano 1919, o Brasil ficou com a taça, representando a sua primeira grande conquista, e Friedenreich, artilheiro e autor do gol do título, teve o par de chuteiras exposto em uma tradicional joalheria do centro do Rio de Janeiro.

Se o gesto é impactante para a época, cem anos depois fazemos questão de lembrá-lo para reafirmar que todos devem ter o mesmo espaço na sociedade.

Localizado na sede da CBF, Museu Seleção Brasileira é uma das referências da história da Canarinho.

Exposição traz de dados às taças do torneio sul-americano.

Quantas histórias cabem no Museu Seleção Brasileira?

Um dos principais acervos do nosso futebol, a exposição na sede da Confederação Brasileira de Futebol tem itens que mostram todo o desenvolvimento do esporte no Brasil, desde a fundação da Federação Brasileira de Sports (1914) até os dias de hoje.

E é claro que a conquista do Sul-Americano de 1919 faz parte dessa trajetória!

Logo em um dos primeiros ambientes, a seção “Nossa Pele” traz a evolução das camisas da Seleção Brasileira desde o primeiro uniforme, em 1914.

Um dos mantos expostos é justamente o da conquista do Sul-Americano de 1919, de manga longa, gola e detalhes azuis, que serviu de inspiração para o uniforme do Brasil da Copa América 2019, em homenagem ao centenário de nosso primeiro grande título.

Além das camisas, os mais atentos também poderão perceber a mudança nos escudos da Confederação Brasileira de Futebol.

Com a posse do presidente Rogério Caboclo em 2019, a marca da CBF passou por outra reformulação – o formato do escudo e a cruz se mantêm, mas as faixas estão mais largas e ganharam movimento.

Na sequência, um rádio nas paredes traz trilhas e narrações históricas relacionadas à Seleção Brasileira.

Nele, é possível ouvir um trecho do samba “1 a 0”, composto por Pixinguinha especialmente para comemorar o título do Sul-Americano de 1919.

As mesas interativas colocam à disposição do público dados como fotos e vídeos, fichas técnicas de partidas e convocações da Copa América.

Há informações sobre todas as edições da competição sul-americana, de 1919 a 2016, das informações mais básicas até a escalação de confrontos como Brasil 6 a 0 Chile, que inaugurou o Estádio das Laranjeiras há 100 anos.

E quem quiser ver a taça da Copa América de perto também terá a chance: os troféus das conquistas brasileiras integram a coleção de itens expostos na seção “Galáxia de Troféus”.

A Copa América começa nesta sexta-feira (14), com o confronto entre Brasil e Bolívia.

A bola rola às 21h30 (horário de Brasília), no Morumbi, inaugurando a disputa sul-americana em 2019.

E vamos todos ficar na torcida para que, em breve, tenhamos um novo troféu da Copa América em exposição no Museu Seleção Brasileira!

*Um dos idealizadores do Museu Seleção Brasileira é Antônio Carlos Napoleão, autor do livro “Seleção Brasileira: 1914-2006” (ao lado de Roberto Assaf) e atual gerente de Acervo e Memória da Confederação Brasileira de Futebol.

Antônio Carlos colaborou diretamente com a pesquisa de dados para a elaboração desta série de matérias, que celebra o centenário do Campeonato Sul-Americano de 1919.

Glossário: entenda o vocabulário antigo do futebol brasileiro.

Com a bola nos pés, o athleta corre pelo relvado, aplica uma bela negaça no beque e balança o filó.

Nas arquibancadas, a torcida vai à loucura com o gol do Escrete Canarinho.

Ah, o foot-ball!

O esporte é apaixonante desde seus primórdios, mas muita coisa mudou desde a implementação do futebol no Brasil, principalmente o vocabulário.

Você conseguiria compreender um texto escrito com expressões usadas em 1919, ano do primeiro título da Seleção Brasileira?

Algumas das palavras usadas no vocabulário futebolístico há 100 anos pertenciam à língua inglesa, fato que se justifica pela origem do esporte na Inglaterra.

Confira abaixo algumas das frases mais comuns e compare com as expressões atuais!

Glossário do Futebol: 1919-2019

Escrete/Scratch:Grupo de jogadores selecionáveis, Seleção.

Expressão vem do termo inglês scratch, cujo significado é “linha ou ponto de início em uma competição esportiva.”

Corner: Escanteio.

A tradução literal de corner ​é “canto”, local do campo em que é feita a cobrança do escanteio.

Beque/Back: Zagueiro.

É o centre-back do vocabulário inglês, referente ao jogador que atua em posição central na última linha de defesa.

Offside: Impedimento.

Vocabulário ainda é utilizado em alguns países.

Relvado/cancha: Campo de jogo.

Prélio: Partida.

Certame: Campeonato de futebol.

Apronto: Último treino antes de uma partida.

Regra três: Substituições.

Remete à Regra 3 do futebol (“Os Jogadores”), que regulamenta o número de atletas de cada equipe, o número de alterações permitidas e o procedimento para as substituições.

Filó: Rede do gol.

Metáfora, remete à delicadeza do tecido de mesmo nome.

Score: Placar da partida.

Toss: É o ato do lançamento da moeda antes do começo do jogo, o famoso “cara ou coroa”.

Negaça: Drible, finta.

Foot-ballers: Jogadores de futebol.

No ano que marca o centenário da primeira glória da Canarinho no futebol, o Brasil irá sediar a disputa da Copa América 2019.

A Seleção Brasileira estreia no dia 14 de junho, contra a Bolívia, no Morumbi.

A Canarinho também encara Venezuela e Peru na fase de grupos, nos dias 18 de junho e 22 de junho, respectivamente.

Há 100 anos, clube foi criado em homenagem ao Sul-Americano de 1919.

No interior do Paraná, clube foi fundado dias depois de Friedenreich e cia. conquistarem o título continental de 1919.

Celebrado no último dia 29 de maio, o título da Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1919 é um marco e tanto para a história do nosso futebol.

A conquista é até hoje considerada o grande início da Pátria de Chuteiras.

Mas na cidade de Antonina, no interior do Paraná, o campeonato foi motivo para o começo de mais uma bonito capítulo na história do esporte bretão.

A Associação Atlética 29 de Maio foi fundada dias depois do Brasil vencer o Sul-Americano, como forma de homenagear o escrete que obteve a primeira grande glória da história da nossa Seleção.

Apesar da data no nome, o clube não foi criado no dia 29 de maio.

A data diz respeito ao dia em que Friedenreich e companhia derrotaram o Uruguai na final do Sul-Americano, mas a reunião definitiva para isso não aconteceu tão rápido.

O clube foi fundado três dias depois do título, em 1º de junho de 1919.

Uma semana depois, no dia 8 de junho de 1919, foi anunciada a primeira diretoria da história do clube.

O Brasil, à época, jogava de branco (como fará nesta sexta-feira (14), contra a Bolívia, pela Copa América de 2019).

Mas o uniforme do Antonina era diferente.

De certa forma, previa em partes como seria a camisa da Seleção a partir de 1950.

Desde sua criação, o azul já não figurava na camisa do 29 de Maio, como fazia no do time brasileiro.

O uniforme principal era branco, sim, como o do Brasil, mas em vez do azul, entrava em cena um verde forte, como o da bandeira.

Não demorou muito para que o uniforme mudasse.

Em 1938, enquanto a Seleção ainda vestia azul e branco, o 29 de Maio abraçou o verde e o amarelo em seus trajes de jogo.

Com faixas verticais, as duas cores que se eternizaram em Copas do Mundo foram “antecipadas” pelo clube paranaense.

Criado como um clube amador, assim como o futebol da época, o 29 de Maio não acompanhou a profissionalização do esporte em nosso país.

No campeonato municipal de Antonina, foi 15 vezes campeão, com direito a dois bicampeonatos.

O mascote do clube é um pavão e, em 2019, os torcedores da equipe comemoraram o centenário do 29 de Maio.

Os 100 anos da equipe foram enredo de uma escola de samba da cidade, o GRES Leões de Ouro da Caixa D’Água.

Apesar de ter um samba em sua homenagem, nas fileiras do estádio Francisco Pinto, em Antonina, ainda ressoa o hino do clube criado em homenagem ao primeiro título de nossa seleção.

Hino oficial da A.A. 29 de Maio:

Em nosso peito temos

Auriverde bandeira!

Por ela lutaremos

a nossa vida inteira!

E sempre lutaremos

até vencer!

Derramando o nosso

sangue gota a gota

até morrer!

É bela a nossa idade

e nós que estamos

na flor da mocidade!

Devemos sempre lutar

pelo 29 bem amado

até morrer!

Vinte e nove!

Vinte e nove!

Está coberto de vitórias!

Com seu pavilhão

Auri-verde!

Coberto de tantas glórias!

Vinte e nove! Vinte e nove!

Técnicos e capitães: jogadores tinham função dupla no Sul-Americano de 1919.

Na conquista de 1919, figura do treinador ainda não existia na Seleção Brasileira.

Equipes eram escaladas por comissões técnicas, estas formadas por jogadores.

Nos dias de hoje, é quase impossível imaginar uma partida de futebol sem a figura do técnico na beira do gramado.

Afinal, o treinador é quem orienta cada passo dos jogadores dentro de campo, mas nem sempre foi assim!

Quando a Seleção Brasileira ganhou seu primeiro grande título, no Campeonato Sul-Americano de 1919 (atual Copa América), o panorama era bem diferente: a Canarinho não tinha um comandante específico.

Até o ano de 1923, a Seleção Brasileira foi dirigida por comissões técnicas, que nada mais eram do que um grupo de jogadores.

Estes eram responsáveis por decidir, em conjunto, dos atletas convocados à forma de jogo da equipe.

A ideia de “técnico” se assemelhava ao que atualmente chamamos de capitão: era o líder da equipe dentro das quatro linhas, responsável por representar o plantel e argumentar com o juiz.

“Dizem que o Aroldo Domingues era o técnico de 1919, mas ele era um jogador do Santos. Não há certeza sobre isso. Até o final dos anos 1940, é difícil demais saber quais eram os treinadores dos times. Não tinha no jornal “fulano deu um treino, escalou o treino”. Era bem raro! A gente costuma dizer que o treinador era a comissão técnica, um grupo de jogadores, ou de dirigentes, que se uniam para fazer o treinamento e ver como o time ia jogar. Era meio assim: “Vamos escalar o time, cada um guardando a sua posição, e vamos tentar”, relembra o jornalista e pesquisador Roberto Assaf.

Seleção Brasileira conquistou primeiro grande título no Campeonato Sul-Americano de 1919, sediado no Estádio de Laranjeiras.

Os registros do setor de Memória e Acervo da CBF, gerido por Antônio Carlos Napoleão, apontam Arnaldo da Silveira (terceiro à direita na foto de capa desta matéria) como o técnico-capitão do Brasil naquele Sul-Americano.

A comissão ainda era formada por Amílcar, Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto.

Conforme citado por Assaf, também especula-se que Aroldo Domingues tenha sido o chefe da comissão, mas sem documentos oficiais.

Chico Netto foi a primeira pessoa a assumir o posto de treinador da Canarinho, em 1923.

Hoje, quase 100 anos depois, é Tite quem lidera o grupo brasileiro em busca do eneacampeonato da Copa América.

Um eventual título no torneio sul-americano colocaria Tite na mesma lista dos seis técnicos e duas comissões que já conquistaram o caneco.

Os técnicos campeões da Copa América pela Seleção Brasileira:

1919: Comissão técnica formada por Arnaldo da Silveira (capitão), Amílcar, Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto.

1922: Comissão Técnica formada por Ferreira Vianna Netto, Célio de Barros, Amílcar (capitão)

1949: Flávio Rodrigues Costa

1989: Sebastião Lazaroni

1997: Zagallo

1999: Vanderlei Luxemburgo

2004: Carlos Alberto Parreira

2007: Dunga

O luto que uniu Brasil, Argentina e Uruguai no Sul-Americano de 1919.

Goleiro reserva do Uruguai sofreu acidente fatal enquanto atuava no Sul-Americano de 1919.

O Sul-Americano de 1919 foi a primeira competição continental sediada pelo Brasil.

Incomodado com o calor que fazia no Rio de Janeiro, o goleiro do Uruguai, Cayetano Saporiti, pediu para ser poupado no segundo jogo da Celeste na competição, diante do Chile.

O pedido surgiu como uma grande oportunidade para Roberto Chery.

Aos 23 anos, o arqueiro era uma das maiores promessas do futebol uruguaio.

Mas a sua trajetória no gol da Seleção durou muito pouco.

Quando o Uruguai já vencia por 2 a 0, o arqueiro tentou fazer uma defesa difícil, e não teve sorte.

O movimento para a defesa causou um estrangulamento de hérnia do goleiro, que já tinha problemas na coluna.

Dias depois, o lance seria a causa da morte do goleiro.

Com Chery hospitalizado, o Sul-Americano seguiu.

Uma das equipes mais fortes da competição, a Celeste Olímpica chegou até a final do continental contra o Brasil, os donos da casa.

Após uma batalha de proporções épicas, que se arrastou por mais de 120 minutos, os uruguaios acabaram derrotados por 1 a 0, com gol de Friedenreich.

A comemoração foi grande.

As ruas do Rio de Janeiro foram tomadas por uma euforia inédita para o futebol brasileiro até ali.

Mas a celebração foi interrompida por uma triste notícia.

No dia 31 de maio, Roberto Chery faleceu no hospital Pedro Ernesto, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Com o quadro cada vez pior, o goleiro não resistiu a uma intervenção cirúrgica e morreu pelo início da noite.

A morte do goleiro tomou todos os esportistas envolvidos no Sul-Americano por uma enorme consternação.

No dia seguinte, Brasil e Uruguai tinham um compromisso pela Copa Rio Branco, um torneio amistoso que teria sua primeira edição em 1919.

Abalado pela perda do jovem goleiro, a Celeste não quis atuar na partida.

A Seleção Brasileira insistiu com a ideia de fazer uma homenagem a Chery, e a Argentina se ofereceu para participar disso.

Estava criada ali a Copa Roberto Chery.

O Brasil entrou no Estádio das Laranjeiras trajando um uniforme com listras verticais amarelas e pretas, em alusão ao Peñarol, clube que Chery defendia.

Já a Argentina ignorou a rivalidade com o Uruguai e vestiu o celeste para a competição.

Metade da renda da partida foi doada para os familiares do goleiro.

Durante a partida, Brasil e Argentina empataram por 3 a 3, e a taça foi enviada para a sede do Peñarol.

Laranjeiras 100 anos: a primeira casa da Seleção Brasileira.

Estádio do Fluminense foi palco do primeiro jogo, gol e título da Seleção Brasileira. Laranjeiras completa 100 anos neste sábado (11 de maio).

Ao conversar com qualquer torcedor do Fluminense, é provável que você, em algum momento, ouça a frase “nós somos a história”.

Os olhos tricolores brilham ao relembrar capítulos da equipe carioca, e não faltam motivos para justificar tamanho orgulho.

Dentre os marcos gloriosos do clube está o tradicional Estádio de Laranjeiras: comemorando 100 anos de fundação neste sábado, 11 de maio, o estádio (de nome oficial Estádio Manoel Schwartz) foi a primeira casa da história da Seleção Brasileira.

Construído para o Campeonato Sul-Americano (atual Copa América) de 1919, Laranjeiras é pioneiro desde sua construção, afinal, foi o primeiro estádio de concreto do Brasil.

Sede do torneio continental de seleções, foi lá que demos o pontapé inicial para nossa primeira conquista, com uma goleada por 6 a 0 sobre o Chile.

Pouco tempo depois, no dia 26 de maio, o Estádio recebeu cerca de 20 mil pessoas, que puderam presenciar o gol do ídolo Friedenreich na final contra o Uruguai.

Cinco anos antes da construção do Estádio, a Seleção Brasileira já tinha escrito história naquele mesmo campo, situado na rua Álvaro Chaves, lugar onde, de acordo com o saudoso Nelson Rodrigues, “não se dá um passo sem tropeçar em uma glória”.

Foi em Laranjeiras que o Brasil enfrentou seu primeiro adversário e deu início à sua vitoriosa história.

No dia 21 de julho de 1914, vencemos o Exeter City, da Inglaterra, por 2 a 0.

Oswaldo Gomes e Osman balançaram as redes com a camisa brasileira, esta ainda branca e azul à época.

No total, foram 17 jogos disputados pela Seleção Brasileira no Estádio de Laranjeiras, com 12 vitórias, três empates e nenhuma derrota.

Balançamos a rede em 47 ocasiões e sofremos 15 gols, resultando em um saldo positivo de 32 gols.

Para comemorar o centenário de seu estádio, o Fluminense irá promover uma extensa programação neste sábado, na sede social do clube.

Além da organização de um livro, o Tricolor de Laranjeiras fará o lançamento de cinco modelos de medalhas comemorativas.

No confronto contra o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro um copo temático do centenário foi posto à venda.

Já no dia 19 de maio, o Tricolor de Laranjeiras promoveu o “Jogue nas Laranjeiras”, evento deu chance à torcida de jogar uma partida no estádio, Aílton e Leandro Euzébio serão os capitães dos times.

A CBF parabeniza o Fluminense por sua bela história e agradece pelo fato de o Estádio das Laranjeiras ter sido a primeira casa a receber, sempre tão bem, a Seleção Brasileira.

Confira a lista de jogos da Seleção Brasileira no Estádio das Laranjeiras

21/07/1914 – Brasil 2 X 0 Exeter City (Escócia) – Amistoso

11/05/1919 – Brasil 6 X 0 Chile – Campeonato Sul-Americano

18/05/1919 – Brasil 3 X 1 Argentina – Campeonato Sul-Americano

25/05/1919 – Brasil 2 X 2 Uruguai – Campeonato Sul-Americano

29/05/2019 – Brasil 1 X 0 Uruguai – Campeonato Sul-Americano

01/06/1919 – Brasil 3 X 3 Argentina – Taça Roberto Cherry

17/09/1922 – Brasil 2 X 2 Chile – Campeonato Sul-Americano

24/09/1922 – Brasil 1 X 1 Paraguai – Campeonato Sul-Americano

01/10/1922 – Brasil 0 X 0 Uruguai – Campeonato Sul-Americano

15/10/1922 – Brasil 2 X 0 Argentina – Campeonato Sul-Americano

22/10/1922 – Brasil 3 X 0 Paraguai – Campeonato Sul-Americano

24/06/1628 – Brasil 5 X 0 Motherwell (Escócia) – Amistoso

10/07/1929 – Brasil 2 X 0 Ferencvárosi TC (Hungria) – Amistoso

01/08/1930 – Brasil 3 X 2 França – Amistoso oficial

17/08/1930 – Brasil 4 X 3 Estados Unidos – Amistoso oficial

06/09/1931 – Brasil 2 X 1 Uruguai – Copa Rio Branco

27/11/1932 – Brasil 7 X 2 Andarahy FC (Brasil) – Amistoso

Sul-Americano 1919: primeiro grande título da Seleção completa 100 anos.

Jogando em casa, Brasil garantiu taça ao vencer o Uruguai por 1 a 0 na final, com gol de “El Tigre” Friedenreich. Título completa 100 anos nesta quarta (29 de maio).

“Naquele instante, o futebol fazia sua primeira grande mágica; a revolução que o tornaria um patrimônio cultural de toda uma nação.”

As palavras do jornalista Roberto Sander nos levam de volta ao dia 29 de maio de 1919, que entrou para a história como um dos marcos pioneiros de nosso futebol.

Afinal, foi há exatos 100 anos que a Seleção Brasileira conquistou seu primeiro grande título na história, jogando em casa, no Rio de Janeiro: o Campeonato Sul-Americano.

A campanha do escrete Canarinho começou já com uma goleada.

No jogo inicial, 6 a 0 sobre o Chile diante de um Estádio de Laranjeiras lotado, e construído especialmente para o torneio de seleções em 1919.

Três dos seis gols da Seleção Brasileira na estreia foram marcados por Arthur “El Tigre” Friedenreich, primeiro ídolo do nosso futebol e artilheiro do Brasil no Sul-Americano, com quatro gols de 12 no total.

O Brasil seguiu na competição com uma vitória sobre a Argentina (3 a 1) e um empate com o Uruguai (2 a 2), confronto este que forçou um jogo final de desempate.

Na grande decisão, Friedenreich balançou as redes dos nossos rivais, que não vencíamos há três jogos, e garantiu o primeiro troféu da história da Seleção Brasileira.

A conquista do Brasil ainda inspirou o samba “1 a 0”, de Pixinguinha, que acabou se tornando a trilha sonora daquela trajetória.

Além da conquista nos gramados, o Campeonato Sul-Americano também entrou para os livros de história pela presença nas arquibancadas: a final teve 27.500 torcedores presentes em Laranjeiras, mas muitos outros se penduraram em árvores para assistir ao confronto.

Pela primeira vez, o futebol serviu de ferramenta para unir todas as classes sociais no Brasil.

Relembre a campanha da Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1919:

11/05/1919 – Brasil 6 x 0 Uruguai. Gols: Arthur Friedenreich (três vezes), Neco (duas vezes) e Haroldo;

18/05/1919 – Brasil 3 x 1 Argentina. Gols: Heitor, Amílcar e Millon (Brasil); Carlos Izaguirre (Argentina);

25/05/1919 – Brasil 2 x 2 Uruguai. Gols: Neco (duas vezes, Brasil); Isabelino Gradín e Carlos Scarone (Uruguai)

29/05/1919 – Brasil 1 x 0 Uruguai. Gol: Arthur Friedenreich

Ficha técnica: Brasil 1 X 0 Uruguai

BRASIL 1 X 0 URUGUAI

Data: 29/05/1919

Competição: Campeonato Sul-Americano.

Local: Estádio das Laranjeiras, Rio de Janeiro-RJ.

Público: 27.500 espectadores.

Árbitro: Juan Barbera (Argentina). Assistentes: Ernesto Matozzi (Argentina), Armindo Castagnola (Argentina).

Gol: Friedenreich, aos 122 minutos da prorrogação.

BRASIL:

Marcos de Mendonça (Fluminense); Píndaro (Flamengo); Bianco (Palestra Itália, atual Palmeiras); Sérgio Pires (Paulistano-SP); Amílcar (Corinthians); Fortes (Fluminense); Millon (Santos); Neco (Corinthians); Friedenreich (Paulistano); Heitor (Palestra Itália-SP) e Arnaldo (Santos).

Comissão Técnica: Arnaldo da Silveira (capitão), Amílcar, Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vianna Netto.

URUGUAI:

Cayetano Saporiti, Manuel Varela e Alfredo Foglino; Rogelio Naguil, Alfredo Zibechi e José Vanzzino; José Pérez, Héctor Scarone, Angel Romano, Isabelino Gradín e Rodolfo Marán.

Treinador: Severino Castillo.

Convocados do Brasil para o Sul-Americano 1919:

Marcos de Mendonça (Fluminense-RJ), Dionísio (Ypiranga-SP), Píndaro (Flamengo-RJ), Bianco (Palestra Itália-SP), Sérgio Pires (Paulistano-SP), Amílcar (Corinthians Paulista-SP), Fortes (Fluminense-RJ), Neco Corinthians Paulista-SP), Friedenreich (Paulistano-SP), Heitor (Palestra Itália-SP), Arnaldo (Santos-SP), Palamone (Mackenzie College-SP), Laís (Fluminense-RJ), Picagili (Palestra Itália-SP), Martins (São Cristóvão-RJ), Carregal (Flamengo-RJ), Millon (Santos-SP), Arlindo (América-RJ), Haroldo (Santos-SP), Galo (Flamengo-RJ), Luiz Menezes (Botafogo-RJ), Junqueira (Flamengo-RJ).

Reportagem: CBF.com.br

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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