FIM DA ERA USAIN BOLT

A organização do Mundial de Londres já havia anunciado uma homenagem a Usain Bolt para o último dia de competições.

Depois do dramático fim de prova na disputa de medalhas do 4X100 metros, a honraria se tornou providencial.

Se no sábado (12) o Raio deixou a pista escorado pelos companheiros, de cabeça baixa pela decepção, neste domingo (13) o homem mais rápido de todos os tempos surgiu sozinho, calado, mas muito emocionado.

Foi ovacionado, recebendo todo o carinho dos fãs que lotaram mais uma vez o Estádio Olímpico.

Ainda levará para casa, de presente um pedaço da pista com o número 7, raia em que correu os 100 metros e os 200 metros neste mesmo local nos Jogos de 2012.

Em sua última entrevista coletiva, ele lamentou a derrota, mas disse sair de cabeça erguida:

“Eu não acho que um campeonato vai mudar o que eu fiz. Eu lembro que depois de perder os 100 metros alguém me disse: não se preocupe, Muhammad Ali perdeu sua última luta”,- lembrou o astro.

Bolt disse que não voltará atrás na decisão de se aposentar.

Ele comentou que a derrota, mesmo que por um lado não desejado, servirá como um de seus legados.

“Eu provei que com trabalho duro tudo é possível.

Só penso em trabalhar, não penso em limites.

Estava sentado hoje dando uma entrevista, e foi irônico.

Meu lema é “tudo é possível”.

Ninguém sabe o que vai acontecer em um campeonato.

Mesmo estando do lado errado dessa frase dessa vez, é uma boa mensagem para se deixar para todos.

Vi muitas pessoas se aposentarem e voltarem para se envergonharem, voltarem piores.

Eu não quero ser esta pessoa”, comentou.

Antes da entrevista, Bolt caminhou lentamente pelo estádio, sob aplausos.

A volta olímpica não foi tradicional.

Foi feita em baixa velocidade, apreciando cada segundo, os mesmos segundos e milésimos que o transformaram em lenda. Bolt andou, sem mancar, mas apreciando a onda de carinho de uma arquibancada repleta de fãs.

Eram mais de 55 mil presentes o aplaudindo pela década de conquistas e recordes no atletismo.

Ele acenou bastante, fez carinho na cabeça de um menino que driblou a segurança, se ajoelhou.

Quase não sorriu.

Parecia realmente tocado pela atmosfera.

O abraço nos pais foi um dos raros momentos de sorriso no rosto.

“Os últimos dias no estádio com essas pessoas incríveis.

Foi emocionante. Sempre dei o meu melhor.

Toda vez que piso numa pista tento dar 100% toda vez.

Quero entreter e apresentar uma grande performance para os meus fãs.

Obrigada por mostrarem tanto amor.

Realmente agradeço”.

Bolt era a maior atração do Mundial de Londres, mas em termos de resultados frustrou tanto fãs quanto a si mesmo.

Nos 100 metros foi superado por Christian Coleman nas semifinais e ficou em terceiro na final, atrás do próprio Coleman, medalhista de prata, e do também americano Justin Gatlin, campeão.

Para o revezamento, Bolt abriu uma exceção e disputou pela primeira vez na carreira as eliminatórias da prova em um grande evento.

Ao lado de três meninos classificou a Jamaica para a decisão.

À noite, com o reforço de Yohan Blake e Omar McLeod, lhe cabia encerrar o 4X100 metros.

Entrou na reta em terceiro, mas ao arrancar sentiu dores na coxa.

Eram cãibras.

Não conseguiu continuar e acabou jogado no chão.

Os caribenhos foram desclassificados, e Bolt, tão acostumado a faturar trincas de ouro, deu adeus com apenas um bronze em Londres.

Soube a causa das cãibras, concordou com seus colegas de equipe e adversários.

Acredita que a longa espera antes de entrar na pista, sentindo frio, contribuiu para que se lesionasse.

“Meu técnico me ligou e falou para ter certeza de ficar quente.

Quando fomos para a sala nós fizemos isso, mas precisamos ficar um tempo atrás da entrada. Aguardamos duas cerimônias (de premiação, de 10 a 15 minutos).

Estava ventando.

Se soubéssemos que íamos ficar ali.

Eles (organização) decidiram fazer a cerimonia de medalhas.

O que eu posso fazer?

Temos que seguir as regras.

Em Mundiais, no entanto, a história do Raio é extensa e vitoriosa.

Ele subiu ao pódio em 14 oportunidades, ocupando o lugar mais alto 11 vezes.

Na edição de Berlim 2009 estreou na prova mais nobre do atletismo em Mundiais e selou o ainda vigente recorde mundial na distância, 9s58.

Em Olimpíadas são oito ouros. Eram nove, mas Bolt perdeu o título do 4X100 metros de Pequim devido ao doping do companheiro de equipe

Nesta Carter.

Ele só quer levar as lembranças boas.

E, agora, deixar o atletismo um pouco de lado.

“Eu vivo isso desde os 10 anos.

Então a primeira coisa que vou fazer é me divertir, sair, ir a uma festa, beber.

Vou ficar um tempo com minha família. São as coisas que estão na minha lista agora.

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Nem Usain Bolt, nem Wayde Van Niekerk.

O maior vencedor do Mundial de Londres foi uma mulher.

A veterana Allyson Felix, de 31 anos, ajudou o revezamento 4X400 metros dos Estados Unidos a manter a hegemonia na prova e faturar um dos 10 ouros do país na competição.

A velocista terminou a disputa com três pódios, isolando-se como a maior medalhista da história dos Mundiais, com 16.

Desempenho individual que em Londres ajudou a delegação americana a quebrar também o recorde de medalhas da equipe.

Foram 30 para selar a liderança absoluta no quadro geral.

A marca anterior, 28, era de Daegu 2011.

Felix começou o Mundial de Londres com o currículo anotando 13 medalhas em sete edições, apenas uma a menos que Bolt.

Enquanto o Raio despediu-se do Estádio Olímpico com apenas um bronze nos 100 metros masculino, ela foi bronze nos 400 metros feminino e ouro nos revezamentos 4X100 metros e 4X400 metros em número de títulos, os dois estão empatados com 11 conquistas.

O mais recente dos ouros da americana, faturado neste domingo, foi ao lado de Quanera Hayes, Shakima Wimbley e Phyllis Francis.

Felix correu a segunda volta, recebeu o bastão em quarto e o devolveu com folga na liderança, sendo peça chave para a conquista.

O cronômetro marcou 50s22, quase seis segundos a menos do que a Grã-Bretanha, segunda colocada.

“Significa muito para mim todas as vezes.

Sou muito grata por correr com essas meninas incríveis.

Elas trabalham muito duro e merecem todo o sucesso.

É uma honra correr o revezamento pelos EUA e sempre vou valorizar esses momentos”, disse Felix.

Como os EUA foram prata no 4X400 metros, último evento do programa em Londres, o país, fechou a conta com 30 pódios.

Foram 10 ouros, 11 pratas e nove bronzes.

Além dos revezamentos, favoritos nos saltos ajudaram nesta conta: Christian Taylor no triplo, Brittney Reese na distância e Sam Kendricks na vara.

Mas foram as surpresas que tornaram tão abissal a diferença para os demais países.

A dobradinha dos 3.000 metros com obstáculos feminino prova tradicionalmente dominada por quenianas e russas talvez tenha sido a maior zebra, mas ninguém contava com um ouro de Justin Gatlin nos 100 metros masculino, por exemplo.

O Quênia, mesmo embolsando algumas medalhas em provas de fundo neste último dia, não passou dos 11 pódios, quase um terço do total dos americanos, com cinco ouros.

A África do Sul, embalada por Caster Semenya e Van Niekerk, terminou em terceiro.

Quem também subiu foi a França, em quarto, enquanto a Jamaica despencou para a décima sexta posição.

Para dimensionar esse novo cenário do atletismo mundial, basta uma simples comparação com o Mundial de Pequim, há dois anos.

Na ocasião o Quênia deixou o Ninho do Pássaro em primeiro no quadro com 16 medalhas, sendo sete de ouro.

A Jamaica, impulsionada pela grande fase de seus velocistas, foi segunda colocada.

Também alcançou sete títulos, mas com menos (12) pódios no total.

Os Estados Unidos figuraram apenas em terceiro.

Mesmo com maior quantidade, 18 medalhas, tiveram apenas seis ouros.

O Brasil escapou de passar zerado nesta edição, em Londres, graças a Caio Bonfim, bronze na marcha atlética de 20km.

Foi o suficiente para deixar o país na trigésima oitava colocação geral.

Há dois anos, a prata de Fabiana Murer no salto com vara feminino nos fez encerrar em vigésimo quinto lugar.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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