Estudioso, treinador de futsal luta por divulgação do futebol mexicano no Brasil

No mundo do futebol, campeonatos como o inglês, espanhol, alemão e italiano estão entre os preferidos dos fãs e são sonho de consumo dos jogadores que desejam atuar no futebol europeu, impulsionados também pela Champions League, que para muitos é o campeonato mais importante do mundo. Porém, um brasileiro em especial nutre uma paixão especial por um torneio que é pouco falado no Brasil: o mexicano.

O Esquema de Jogo conversou com Petric Carvalho Moreno, de 28 anos, que é treinador da seleção feminina de futsal da cidade de Passa Quatro – MG. Estudioso da Liga Mexicana, ele atualiza seus seguidores no Twitter diariamente com notícias, resultados e opiniões sobre o torneio, o qual considera um dos cinco melhores do mundo. “Sua imprevisibilidade e emoção são certamente aspectos ímpares. A Liguilla (playoffs), por exemplo, é um campeonato dentro do campeonato, onde tudo, absolutamente tudo mesmo (vide as finais históricas com gol de goleiro nos minutos finais, por exemplo) pode acontecer.”

O interesse de Petric pelo campeonato mexicano surgiu por acaso. Enfrentando problemas particulares e um quadro de depressão, passava os finais de semana em casa e sem ânimo, até que um dia “esbarrou” em um link que transmitia uma partida de mata-mata. Pela primeira vez em muito tempo, conseguiu vencer um pouco a tristeza pela qual passava.

“Sinceramente, não me lembro direito qual partida era e o ano específico, mas era um clássico jogo de mata-mata mexicano: velocidade, verticalidade, um jogo de ida e volta, torcida com aquela pegada sul-americana e emoção, muita emoção. Na verdade foi quase uma terapia para mim. A partir desse momento comecei a buscar outras partidas do campeonato para assistir e não me decepcionei. Hoje estudo e procuro transmitir aos outros um pouco da alegria, imprevisibilidade e emoção do campeonato mexicano”, conta.

Como estudioso da Liga MX, o treinador de futsal avalia a estrutura da competição e os prós e contras do atual modelo. Segundo ele, a mudança da fórmula de disputa (atualmente conta com sistema de playoffs) permitiria que as equipes fossem mais estruturadas e que o planejamento fosse mais profissional. Por outro lado, Moreno acredita que os pontos corridos fariam com que o torneio perdesse muito no aspecto da emoção, uma de suas características mais marcantes.

Comparando o futebol mexicano ao brasileiro, Petric considera o nível de jogo igual, mas pondera que alguns aspectos por lá são melhores. “Há uma cultura do bom futebol no México que faz com que imprensa e torcedores criem um bloqueio com equipes defensivas e de estilos pragmáticos. Os jogos são mais ofensivos e muito mais atrativos, raramente nos deparamos com partidas mornas. Em nível de dinheiro, investimento e marketing, o campeonato mexicano está anos luz à nossa frente. Além do mais, o poder de observação das equipes no mercado sul-americano é espetacular. Não são poucos os nomes que fizeram a ponte América do Sul – México – Europa e isso é um espanto, levando em consideração sua posição geográfica”, explica.

Apesar da exposição gerada pela passagem de Ronaldinho Gaúcho pelo Querétaro em 2014-15, Petric não acredita que a mídia esportiva brasileira dê maior destaque à liga local a curto prazo. “De modo geral, o brasileiro ainda vê a liga mexicana com bastante preconceito. Creio que isso acontece pelo fato de associarem o campeonato com a seleção mexicana, que são coisas completamente diferentes, a exemplo do que ocorre na Inglaterra. O nível dessas ligas é muito mais alto em relação ao selecionados desses países por conta da abertura aos estrangeiros”, afirma.

A empolgação de Petric com a liga mexicana não é a mesma em relação à seleção local. Apesar de ter classificado o México para a próxima Copa do Mundo, o treinador colombiano Juan Carlos Osório vem sofrendo com críticas tanto da imprensa como da torcida por conta de seus métodos. “Os números são bons, as atuações não. As rotações que Osório promove acabam por desfigurar uma seleção que carece de entrosamento e seus enfrentamentos fora da zona da Concacaf são terríveis. Particularmente, não tenho muitas expectativas para o México na próxima Copa. Se Osório não começar a dar uma cara para essa seleção no ciclo pré-Mundial, as coisas podem ficar extremamente difíceis para a seleção dependendo do grupo em que cair”, finaliza.

Aqueles que desejam conhecer melhor o futebol mexicano e que querem se manter atualizados com tudo o que acontece por lá, podem seguir Petric pelo Twitter através do @petrickmoreno.

Crédito da foto: Jornal Panorama

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