Conmebol anuncia mudanças no calendário e Libertadores mais longa

A Conmebol surpreendeu o mundo do futebol ao anunciar mudanças no calendário sulamericano a partir de 2017. As medidas afetarão as duas principais competições do continente, a Libertadores e a Sulamericana. A primeira ocorrerá ao longo de quase todo o ano, de fevereiro a novembro; já a segunda ocorrerá de junho a dezembro.

O anúncio ocorreu após uma reunião do Comitê-Executivo da entidade nesta terça-feira (27) em Assunção, no Paraguai, que contou com a participação do presidente do Atlético-MG, Daniel Nepomuceno.

Entre as mudanças previstas, estão:

  • Libertadores o ano todo (fevereiro a novembro)
  • Sulamericana de junho a dezembro
  • Final da Libertadores em jogo único e campo neutro
  • Clubes participantes da Libertadores: de 38 para 42
  • Dez equipes eliminadas na fase de grupos da Libertadores iriam para a Sulamericana do mesmo ano
  • Campeões da Libertadores e Sulamericana garantiriam vaga na fase de grupos da Liberta no ano seguinte

Outras mudanças estão sendo ventiladas, mas ainda não confirmadas, como a participação de cinco clubes por meio de convite e uma Pré-Libertadores um pouco mais extensa, com duas etapas de mata-mata antes da tradicional fase de grupos. Um novo encontro da entidade, que deve ocorrer nos próximos dias, definirá todas as questões, como a quantidade de vagas para cada país e as fórmulas de disputa.

Fica bem claro que há uma tentativa da Conmebol de realizar suas competições nos mesmos moldes das grandes ligas europeias. A ideia, à princípio, não parece ser ruim, mas se não for bem executada poderá diminuir e muito a credibilidade da Libertadores, torneio mais tradicional da América do Sul. Realizar a competição ao longo do ano parece ser interessante, já que obriga a CBF e as federações locais a remanejarem seus torneios. Com isso, poderemos ter um espaço maior entre um jogo e outro.

Outro aspecto interessante é que o novo formato desafiará os clubes brasileiros a planejarem melhor seus elencos e a conseguirem acordos mais interessantes com os atletas. É muito comum vermos jogadores sendo contratados por seis meses ou até o final da participação das agremiações na Libertadores. Um eventual título continental permitirá ao clube brasileiro também chegar “embalado” para a disputa do Mundial de Clubes, que ocorrerá um mês depois, em dezembro.

Com relação a final em jogo único e campo neutro, não vejo com bons olhos. Diferente da Europa, na América do Sul é muito difícil o deslocamento entre os países, as passagens são mais caras e são poucos os estádios em condições de receberem duas torcidas em igual número. Muitos torcedores não terão a oportunidade de verem seu time jogando uma final de Libertadores em seu estádio, sem contar que poucos terão condições de bancar duas viagens longas em um espaço de dois meses (Final da Libertadores e Mundial).

Um ponto preponderante para o sucesso ou não do novo formato passa também pela questão dos clubes convidados. Fica a dúvida de como serão os critérios para esses convites e se serão baseados em rankings, que já são bem polêmicos em si só.

A CBF informou que só se manifestará a respeito do calendário nacional assim que a Conmebol divulgar oficialmente todas as mudanças. A implantação das alterações já em 2017  parece ser exagerada. Uma discussão mais ampla visando o ano de 2018 seria mais responsável, fazendo com que os calendários locais fossem melhor pensados e planejados. Por conta do pouco tempo de implantação, a chance de ser um tiro n´agua é grande.

Aguardemos os novos episódios!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confirme que você não é um robô. *