Caso Bernard levanta questão: jogador brasileiro é mimado?

Meu texto de hoje no Esquema de Jogo pega carona na polêmica envolvendo o jogador Bernard, ex-Atlético e atualmente no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, com seu técnico, o romeno Mircea Lucescu. O time do leste europeu está em solo brasileiro disputando alguns amistosos, entre eles contra o galo mineiro, em Belo Horizonte.

O meia-atacante iniciou a polêmica dizendo estar arrependido de ter ido para o clube ucraniano e que não aconselharia jovens brasileiros a tomarem o mesmo caminho. Suas declarações deixaram o treinador Lucescu extremamente irritado. O romeno detonou a ex-joia do Galo em entrevista ao jornal Zero Hora.

“Bernard tem que demonstrar em campo que é homem. Só chora. Só veio tomar dinheiro. Sofro, mas creio que todos querem sofrer para ganhar 300 mil euros por mês”, disse o técnico, que não parou por aí. “Aqui (Brasil) se cresce jogando assim. A torcida aplaude um drible, não se importa com a organização tática. Não há juízo de valor, há juízo estético. Bernard declarou que eu não colocava os mais habilidosos para jogar? O talento precisa ser aliado à disciplina, ao coletivo”.

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Bernard está insatisfeito na Ucrânia

O caso de Bernard é apenas mais um entre tantos outros jovens brasileiros que, seduzidos por cifras astronômicas e influenciados por empresários, deixam o país muito cedo para jogar em lugares como Ucrânia, Rússia, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Qatar, China, Coreia, entre outros. Países com pouca ou nenhuma tradição no futebol, que possuem campeonatos fracos e sem nenhuma visibilidade.

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Lucescu soltou o verbo contra Bernard

Pensa-se apenas no dinheiro a curto prazo. O resultado disse é que em um ano, até menos, vemos jogadores fazendo uma força enorme para voltar ao Brasil, tentando passar por cima dos dirigentes responsáveis por encherem seus bolsos de grana. O pior de tudo é que jogadores assim voltam para cá com status de super-craques consagrados, ganhando salários totalmente incompatíveis com a realidade do nosso futebol.

Outro exemplo clássico foi a disputa entre Corinthians/São Paulo/Palmeiras pelo atacante Dudu. Jogador promissor, que fez um bom Brasileirão pelo Grêmio, mas muito pouco para ser protagonista da novela em que esteve envolvido. Revelado pelo Cruzeiro, foi vendido para o Dínamo, da Ucrânia, e logo já estava de volta. Todo o dinheiro investido pelos ucranianos foi em vão.

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Dudu: Vale tudo isso?

Assim como Bernard e Dudu, existem muitos casos desse tipo, com algumas diferenças, é claro, mas o princípio que move tudo isso é o mesmo: dinheiro. Não estou dizendo que não há dificuldades na adaptação, mas o jogador aceita a mudança sabendo das dificuldades do clima, língua, costumes e hábitos diferentes de outro país.

Diante de tudo isso, como os times brasileiros poderiam contribuir para evitar essa inflação promovida por “refugos” de times europeus? Creio que um pequeno passo foi dado recentemente com o veto ao parcelamento da dívida dos clubes brasileiros com o Estado. Meu colega Bruno Faria, aqui do Esquema, falou sobre isso em seu último texto, vale a pena dar uma conferida aqui.

Ainda é pouco, mas não deixa de ser um avanço. Já passou da hora dos clubes brasileiros se adequarem à realidade e vetarem pagamentos astronômicos para atletas mimados, que são incapazes de pensar a médio e longo prazo e buscam apenas o dinheiro a qualquer custo.

 

 

 

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