Brasileiro brilha nos gramados da Malásia: “feliz em saber que o meu trabalho está sendo reconhecido”

Há um ano, o meia brasileiro Sandro Mendonça foi contratado pelo Kedah, da Malásia junto ao ABC de Natal. Nesse período, o atleta de 32 anos vivenciou diversas emoções distintas. Adaptação, situações curiosas, glórias.

Ele contou sobre tudo isso de forma exclusiva ao Esquema de Jogo.

Confiram:

1240300_1107432309289245_2235461454837397132_n– Sandro, como é a adaptação de um brasileiro à Malásia? Há muita diferença cultural entre os países?

Sandro: Adaptação é um pouco complicada. O que me facilitou um pouco foi o fato de já ter jogado em outros países. Porém, quem vem pela primeira vez é difícil porque aqui o clima é muito quente e o fuso horário é de 11 horas. Além disso, tem a questão da culinária e nos costumes do país.

– A Malásia é um país islâmico, mas defende a liberdade religiosa. Como isso funciona na prática?

Sandro: Existe um respeito entre eles. Existem três religiões: o islamismo, o hinduísmo e o cristianismo. São várias igrejas e templos espalhados pelas cidades e as mesquitas também. 

– Conte alguma história curiosa que aconteceu nesses 12 meses de adaptação.

Sandro: Quando cheguei na Malásia e comecei a dirigir foi engraçado porque aqui é mão inglesa, então além da direção do carro ser no lado direito se dirige pelo lado esquerdo das ruas. No começo sempre entrava na contra mão aí vinha os carros de frente e começava as buzinas. Outra curiosidade é que a Malásia é um país muito exótico. Teve um dia q fui deixar minha filha na escola e tinha um lagarto na rua, muito grande tipo uns 60cm. Tive que assustá-lo com a minha esposa e filhas gritando dentro do carro com medo do lagarto e o povo passando e olhando com naturalidade. Fiz um vídeo mostrei aos jogadores locais e eles disseram que era normal, coisas da Malásia.

12990991_1152964121402730_7066746166225893987_n– Recentemente o ex-Palmeiras Kahê chegou ao Kedah. Sentia falta de uma companhia brasileira no dia a dia?

Sandro: Kahê além de um grande jogador é um grande amigo. Jogamos juntos na Turquia e nossa família se dá muito bem. A vinda dele para cá foi muito boa em todos os aspectos, tanto dentro como fora de campo. Agora ainda tem um preparador físico brasileiro. Isso é bom, pois são mais pessoas para falar o mesmo idioma no dia-a-dia.

– Você é cotado como melhor jogador do país em 2016. Como avalia essa possibilidade?

Sandro: O ano de 2015 foi excelente tanto no coletivo como no individual. Esse ano está sendo mais difícil porque a marcação está mais cerrada. Em todos os jogos sempre tem marcação especial. Encaro com naturalidade essas eleições. Primeiro penso em ajudar minha equipe a conseguir os resultados. No entanto, logicamente, fico feliz em saber que o meu trabalho está sendo reconhecido. Isso só me motiva para trabalhar mais e me dedicar no dia-a-dia nos treinamentos.

– É verdade que você tem o maior contrato que um estrangeiro já teve na Malásia?

Sandro: Do meu clube foi sim. É o maior salário pago a um estrangeiro no Kedah. Isso só aumenta minha responsabilidade e mostra que me valorizaram pelo que fiz dentro de campo.

– Seus planos futuros incluem a Malásia, ou pretende voltar logo ao Brasil?

Sandro: Tenho contrato até 2017. Recentemente renovei por mais um ano. No momento não penso em voltar ao Brasil. Com a crise do Brasil, o futebol está passando um momento complicado também. Portanto, não tenho intenção de voltar, porém, não posso cravar que não voltarei, pois o futebol muda tudo muito rápido.

12963921_1146713912027751_2180606404637720161_n– 80% dos jogadores no Brasil ganham um salário mínimo. Isso te motivou a buscar outros países para trabalhar?

Sandro: Com certeza. Quando aceitei vir pra Malásia foi por dois motivos: primeiro que o Brasil estava começando a crise e segundo porque a proposta foi boa financeiramente. Estava no ABC e recebia meu salário em dia. Porém, não podia deixar passar essa oportunidade e foi a melhor escolha que eu fiz.

– Como foi a decisão de ir a um centro tão alternativo no futebol?

Sandro: Recebi uma sondagem em 2014 quando estava no Bragantino, porém não me empolguei. Estava fazendo um bom campeonato e decidi não sair na época. Porém, no ano passado um ex-jogador chamado Roberio, que fez história com a camisa do Kedah retomou as conversas e por esses motivos que falei na pergunta anterior resolvi aceitar o desafio. Não conhecia nada da Malásia. Porém, no futebol tudo se resume dentro de campo. Quando você está bem, tudo fica mais fácil.

– O salário cai em dia, ou há problemas como os do futebol brasileiro?

Sandro: Até hoje aqui não tive nenhum problema com salário. Eles se preocupam em pagar em dia. Claro que precisa muita coisa no futebol para se organizar em termos de estrutura, profissionalismo, mas o principal eles fazem que é pagar em dia.

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